


O mesmo intervalo é calculado pela Sotheby´s para a escultura em bronze "Le Chat" (O Gato), com 80 centímetros de comprimento, de Alberto Giacometti (1901-1966), criada em 1951. (texto retirado daqui)



Luísa Cruz como Harper Regan
Dom Quixote derrubado por um gigante, perdão, por um moinho de vento. Gravura do incomparável Gustavo Doré.
Encontrei esta foto (não é própriamente uma foto mas uma montagem por sobreposição ao que pude constatar) da autoria de Pablo Picasso. Trata-se de um retrato do pintor naïf conhecido por Douanier Rousseau. Um estranho retrato, de facto, concebido em 1910, na época em que Picasso e Braque andavam com o Cubismo às voltas nas respectivas cabeças.
Primeiro foram as Vacas Loucas. Onde elas já vão!? Depois a temível Gripe das Aves. Já desapareceu? Uma e outra a fazerem-nos imaginar situações terríveis. A palavra "pandemia" entrou no vocabulário quotidiano, a fazer com que "epidemia" parcesse brincadeira de crianças. Os telejornais abriram com notícias alarmantes. Morreu mais um aqui, outro ali. Os vírus atravessando continentes, fazendo vítimas a milhares de quilómetros de distância umas das outras. E nós perdidos, a olhar os acontecimentos como espectadores de bancada lateral, num jogo de ténis ao vivo.
imagem de Dave McKean É difícil explicar como tudo aconteceu. Talvez tenha qualquer coisa a ver com o facto de dizermos que fazemos cocó quando, na verdade, estamos a cagar. Daí a substituirmos a proverbial merda pela inócua caca, vai um passinho de anão. Constatamos que há pedopsiquiatras incomodados com o facto de o Lobo Mau “comer” a Avozinha ou de a velha Tia Chica atirar um pau ao gato. Ouvimos com frequência designar a mentira por “inverdade”. Criamos assim um espaço ambíguo entre o que é e o que não é, entre a verdade e a mentira. Mas como designamos quem profere uma “inverdade”? Arrisco: mentiroso, embora não me pareça que essa designação esteja de acordo com o conceito de inverdade.
Todos sabemos o pântano viscoso que é a língua portuguesa quando utilizada por prestidigitadores habilidosos. Basta pensar na legislação produzida na Assembleia da República, sempre que a letra da lei contraria o seu espírito, nos casos em que a lei acaba por proteger aqueles que pretendia castigar. O feitiço virado contra o feiticeiro? Ou feitiço, simplesmente?
Se formos covardes temos todo o direito de temer as palavras porque, como se vê, uma vez libertas e lançadas ao mundo, elas tomam o destino nas próprias mãos e desobedecem a quem as proferiu. Quantas vezes não ouvimos pessoas a queixarem-se por ser mal interpretadas? Quantas vezes as pessoas se queixam que aquilo que disseram não era o que, na verdade, pretendiam dizer?
Ao que consta, a partir de agora não é aconselhável utilizar a expressão “autista” quando nos referimos a um político bronco ou, simplesmente, casmurro, para não dizer comprometido com alguma posição “inverdadeira”, fazendo de conta que é honesto. E que dizer dos “procedimentos alternativos” e “técnicas avançadas de investigação” para designar a tortura? Como se os santos inquisidores nunca tivessem utilizado a técnica de afogamento nos tempos áureos da igreja católica. Pode o primeiro-ministro utilizar impunemente a expressão “campanha negra”? Cocó em vez de merda, é o que é. Palavras vazias mas cheias de substância.
Temos assim tanto medo de chamar as coisas pelos nomes que verdadeiramente as definem ou, mais candidamente, merecem? Parece que sim. Enrolamos a língua e procuramos uma palavra ou uma expressão que torne a nossa ideia num camaleãozinho simpático, capaz de passar despercebido neste mundo de ambiguidades. Mas o camaleãozinho não deixa de ter a respectiva língua, comprida e viscosa, pronta a capturar a mosca varejeira que é o alvo da nossa ideia.
Escreveu Hugo Ball, na conclusão do inexcedível Manifesto Dadaísta de 14 de Julho de 1916: “Essa maldita linguagem à qual se cola a porcaria como à mão do traficante que as moedas gastaram. A palavra, quero-a quando acaba e quando começa. Cada coisa tem a sua palavra; pois a palavra própria transformou-se
Sejamos livres, sejamos criativos, não há que ter medo das palavras. Utilizemos a palavra conforme o instinto nos ordenar. Ignoremos convenções manhosas e pruridos fedorentos. Vamos falar com imaginação total, colorido absoluto. A palavra só nos ultrapassa se tivermos medo de a usar. Como tudo na vida, de resto.





Explorar aqui o lugar de onde retirei esta imagem
Piero Manzoni e a sua célebre merda enlatada em 1961



















Watchmen no écrã e na págna do comic book

