terça-feira, outubro 13, 2026

La vida loca!

     Preencher a vida com acontecimentos extraordinários, aproveitar ao máximo todos os momentos, viver cada dia como se fosse o último, construir castelos com as pedras que se vão encontrando no caminho, enfim, imaginar a vida deste modo já me cansa, vivê-la assim deve ser extenuante. 

    Por mim a contemplação serve muito bem, a concentração numa tarefa longa de objectivo difuso também não me parece desagradável. Começar a fazer uma coisa e esquecer-me de que estou a fazê-la, magnífico! Embora por vezes possa parecer preocupante. Estarei a esquecer-me da vida ou a esquecer-me de que estou vivo? Se me esquecer de que estou vivo vou morrer? É assim que se morre, por esquecimento? Acho que não, mas, até esticar o pernil, será esta uma dúvida plausível. 

    A vida pode ser uma coisa muito chata e muito longa, tal qual a espada de Dom Afonso Henriques, como dizia o meu pai. Pode ser assim e merecer cada minuto, cada segundo, cada acontecimento aborrecidíssimo, cada momento que passa apenas uma hora depois de ter acontecido. A vida é para ser vivida de acordo com o ritmo a que estamos dispostos e a que aprendemos a vivê-la. Quero lá saber do glamour da vida dos famosos! Quero lá saber das coisas que estou a perder por pensar desta maneira! Já agora, como podemos nós perder uma coisa que nunca tivemos?

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