Não será pela Inteligência Artificial que os nossos estudantes vão perder o interesse pelo conhecimento. Estou convencido que o que vai tolhendo os jovens espíritos é o excesso de informação. O acesso permanente a fontes de informação (ou a sua possibilidade) funciona como um anestésico da curiosidade. A IA apenas sintetiza, mastiga e regurgita informação que recolhe e processa a uma velocidade diabólica, não é nada de extraordinário em termos de produção de conhecimento, o que é surpreendente (e eventualmente viciante) é a velocidade com que a operação é executada.
O problema, quanto a mim, é que a curiosidade intelectual está abananada com tanta informação a cruzar os horizontes do conhecimento em linhas rectas que se autodesenham a uma velocidade estonteante, criando uma teia que vai obliterando as nuvens, cujas formas convidam ao sonho e à imaginação. Estou a perder-me em metáforas complicadas quando aquilo que quero dizer é de uma simplicidade absoluta: a IA sufoca a curiosidade intelectual e tende a estupidificar os seus utilizadores. Cabe aos professores e à escola a função de manter a curiosidade intelectual viva e actuante, procurando estratagemas capazes de convencer os jovens a não vegetalizarem.
Se a IA for um meio e não um fim, teremos à nossa disposição mais uma ferramenta poderosa capaz de potenciar as nossas capacidades intelectuais. Se nos entregarmos à IA sem espírito crítico e sem curiosidade seremos a breve trecho uma imenso batatal, pasto fácil para qualquer glutão capitalista.
