Os miúdos no corredor gritam, grunhem, produzem sons guturais capazes de inquietar um porco. Empurram-se, lutam, correm, caem e voltam a levantar-se, tudo num torvelinho angustiante, uma inquietação sem razão nem paralelo. Que estranha força os move, que deus imbecil os anima e faz com que ajam como tolos de hospício?
É chegada a hora de entrarem para a sala de aula e eles lá vão. Não os vejo, estou numa outra sala, sentado à secretária escrevo estas palavras no teclado de um computador. Deixo de os ouvir. Nestas ocasiões o silêncio é muitíssimo valorizado. Que sossego. Agora passo a ouvir o som da água que cai dos beirais misturada com a da chuva o que também pode ser muito irritante.
Lamento não ter trazido comigo os auscultadores, a falta que neste momento me fazem.
Não consigo recordar se esta sensibilidade à barulheira é recente ou é antiga. Talvez não me aperceba sempre dos sons circundantes, talvez a concentração da atenção em algum objecto (uma pintura que se pinta, um livro que se lê) me ajude a abstrair da chinfrineira. Talvez, nem sei! O que eu percebo é que tudo isto pode contribuir para destrambelhar uma pessoa.
Nota - Ontem, ao final da tarde, noite entrada, fiquei razoavelmente feliz. O Tó Zé lá foi eleito.
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