
Kadafi discursou na ONU. Foi uma estreia mundial em dia de estreias, Obama também actuou pela primeira vez naquele palco mas Kadafi parece ter entrado directamente para nº 1 do Top. Durante 95 minutos Kadafi fez o seu número de ditador excêntrico e alucinado, como se estivesse em sua casa. Mas não devem os líderes mundiais sentir-se em casa quando estão no edifício das Nações Unidas? Aém disso, convenhamos que Kadafi é uma personagem que dá um colorido especial à paisagem cinzentona dos líderes mundiais e os seus actos imprevistos carregam de suspense um enredo que, de outra forma, seria tão previsível como um segmento de recta.
Li apenas dois apontamentos de reportagem sobre o discurso do líbio flipado, mas dá para perceber que ele vive e vem de um mundo diferente do meu. Um mundo muito mais colorido e fantástico, devo reconhecer, apesar da pobreza e da opressão que se adivinha, apesar da aridez e da alucinação causadas pelas elevadas temperaturas que derretem os miolos dos habitantes desse outro planeta.
Os relatos do discurso referem que Kadafi chamou Conselho do Terrorismo ao Conselho de Segurança da ONU. Que atirou ao chão um livrinho com a Carta das Nações Unidas por considerar que ninguém a respeita, principalmente os membros com assento permanente no tal Conselho (já não sei de quê!). Que colocou várias questões estranhas para habitantes deste mundo em que vivo e que, este ponto é brilhante, se confessou admirador do presidente Obama, mais um entre tantos. Kadafi foi mesmo ao extremo de afirmar que todos seríamos mais felizes se Obama fosse presidente dos EUA para sempre. Isto é que é confiança, caramba! Vindo de quem vem não admira. Kadafi é presidente do mundo dele há 40 anos e por lá ninguém se atreve a pôr em causa a sua liderança.
"Foi completamente diferente para um presidente americano. O senhor é o começo da mudança", disse Kadafi a Obama. "Mas posso garantir que depois de Obama os Estados Unidos serão diferentes?" Ora aqui está uma boa pergunta. Isto porque a Líbia, enquanto Kadafi existir, dificilmente poderá ser diferente. Enquanto Kadafi viver, a Líbia será sempre um mundo fantástico!



















