sábado, julho 04, 2026

Felicidade e Liberdade

     Não imagino um espaço capaz de proporcionar alegria aos que o habitam se não existir nele liberdade de expressão. A alegria pode encenar-se, pode representar-se, macaquear-se, pode-se trapacear de muitos modos diferentes aquilo que mostramos aos outros, mas cá dentro, no escuro do peito, a verdade dos sentimentos nunca mente. Sabemo-lo bem.

    Fingir a felicidade acontece muito, é uma das mentiras mais comuns que por aí andam. Umas vezes por piedade, outras por maldade, umas vezes por estultícia, outras por razões maquiavélicas, a felicidade representa-se muito. Sente-se pouco? 

    Há quem diga não saber o que isso é, a felicidade; há quem reclame para si um estado de enlevo permanente por sentir-se próximo de uma divindade qualquer; há quem afirme que o poder económico que alcançou lhe permite comprar tantas coisas, inventar e suprir tantas necessidades, que aquilo que sente só pode ser felicidade. Situações tão distintas, pessoas tão diferentes umas das outras, vidas totalmente opostas, culturas, religiões, civilizações separadas no tempo e no espaço, milhentas formas de vida uma única sensação em falta, ou no horizonte, ou no pensamento, um anseio comum que se persegue e sempre nos escapa: a felicidade.

    Seja como for ou onde for, não sou capaz de conceber a possibilidade de se ser feliz num espaço social onde não haja total e absoluta liberdade de expressão. Diria mesmo que é impossível explicar o conceito de felicidade caso nos seja proibida, nem que seja, a mais pequena e insignificante das palavras. 

    Felicidade e liberdade, não serão sinónimos mas são, indubitavelmente, palavras da mesmíssima família. 

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