Um desenho em formato A3 isolado é uma coisa. Integrado numa muralha de 100 desenhos com o mesmo formato transforma-se noutra. Terá algo a ver com o indivíduo e a multidão, a árvore e a floresta e por aí fora?
A percepção que as pessoas têm dos objectos artísticos é uma coisa extremamente variável, volúvel e escorregadia; plástica? É a plasticidade de significados a razão para designarmos certas artes como sendo plásticas? Ou tem a ver com a maleabilidade dos materiais aplicados?
Seja como for tenho sempre a impressão de que a palavra "plástica", quando surge associada às artes, está relacionada com a reacção do plástico a uma fonte de calor. O derretimento, a alteração da forma conforme certas forças aplicadas de determinada maneira, o jogo com os materiais como o gato que joga com o cadáver do pardal ou do rato antes de os abocanhar, antes de os comer, antes de os transformar em algo que, mais do que seu, passa a fazer parte do seu corpo, energia vital. O que não for aproveitado há-de ser cagado.
São plásticos os materiais, são plásticos os significados, é plástico o nosso corpo. Plástica a vida, plástico o mundo, enfim, tudo é plástico e o plástico tende a ser tudo. Um dia todo o Universo terá sido transmutado em plástico. Made in China.
2 comentários:
Nos dias de hoje uma certa sociedade decretou guerra ao plástico e um dia destes o termo "artes plásticas" irá certamente desaparecer como ouras palavras do nosso vocabulário que desaparecem na espuma dos dias. Talvez por isso mesmo continuo a gostar dessa curta-metragem de Alain Resnais em que se faz o elogio ao plástico.
Os melhores cumprimentos.
Agradeço o comentário e a referência à curta-metragem de A. Resnais, que desconhecia em absoluto e vi com muito agrado.
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