Explorar aqui o lugar de onde retirei esta imagemFui ver a Deus mas Ele atrasou-se e, quando lá chegou, já eu lá não estava. Já eu vinha a caminho desta casa, no meio de filas intermináveis de carros cheios de outros que, como eu, Lhe fizeram visita com marcação para Domingo de Páscoa.
Andei uma semana quase inteira a rolar rodas lá para o Norte. Na 5ª feira Almada-Aveiro-Viseu. Na 6ª Viseu-Porto-Viseu. No Sábado Viseu-Aveiro-Viseu e, finalmente Domingo, Viseu-Almada no meio da confusão toda. Tudo para ver a Deus e Deus atrasou-se, rai's parta! Bom, não convém mentir, porque Deus sabe tudo e sabe bem que vê-Lo era o menos importante dos objectivos destas andanças que antes Dele (muito antes) estão os meus pais.
Ainda assim tive a minha epifania pascal. Foi na estrada, na A25, entre Viseu e Aveiro. Perante uma serra qualquer recortada no horizonte, coroada por nuvens escuras e grandiosas, tive a revelação renovada da consciência do espectáculo mais grandioso do mundo: a Natureza! Viver na cidade, entre prédios e muros e sempre enfiado na resolução imediata dos problemas quotidianos, faz-me esquecer a grandiosidade da Mãe Natureza e do espectáculo constante que ela é. Pensamos sempre que quem vive fora da cidade, coitadinho, está em desvantagem porque longe do bulício citadino "não há nada". Que ideia mais parva! Longe de cidade há tudo o que ali não existe.
Passei estes dias a olhar em volta com os olhos repletos de maravilhas. As cores das estradas secundárias (oh, Deus, os tons de verde!!!), as encostas verdejantes, o céu sempre aberto e aqueles lugares onde nunca bate o sol, as serras, os montes e os vales. A Natureza a prometer mais do que merecemos receber.
Enfim, regressei a casa metido na barriga de uma serpente de carros, um monstro incomensurável a arrastar-se no caminho da estrada, chão cinzento. Cá estou de novo, sentado em frente ao meu PC, a escrever estas palavras.
Deus chegou atrasado e já não lhe beijei os pés, como é de tradição, mas vi-Lhe o rosto que Ele tanto tenta esconder. Vi-O nas serras da Beira Alta, onde ele habita e de onde nunca saiu.













































