domingo, julho 13, 2008

Voltando à vaca fria


No Público deste Domingo surgiu um artigo de Vítor Belanciano que acima se reproduz (clicar sobre a imagem dará uma leitura bem mais eficaz e agradável).
Retoma-se a performance dos Corredores na Tate Britain, a tal obra de arte que põe uns tipos de sapatilhas e camisa de alças a correrem de um lado para o outro nas galerias asseadinhas e assépticas da dita Tate. Será caso para os visitantes poderem afirmar terem visto passar uma obra de arte a correr por eles, ao invés do que é habitual.
Como é costume nestas ocasiões reabre-se a velha questão: "O que é Arte?" que traz sempre colada a mais actual:"Quais são os limites da Arte?". Desde logo me parecem ser questões mornas e bizantinas, capazes de proporcionar debates infinitos com belos e garbosos argumentos esgrimidos de um lado e do outro, com alguns, menos definitivos, a encolherem-se no meio da refrega. Coisa para quem tenha a devida paciência.
Aproveito a deixa para partilhar com o paciente leitor uma ideia que me assaltou o espírito no Sábado passado, enquanto arrastava as sandálias pelas galerias do Museo de Bellas Artes de Sevilla.
Tal como todas as instituições respeitáveis que se dedicam a proporcionar ao povo um vislumbre sobre obras com inegável valor artístico o Museo de Bellas Artes segue uma linha cronológica. Funciona como uma espécie de comboio. Entramos no primeiro apeadeiro e seguimos viagem. Idade Média, Gótico, Renascimento, Barroco, etc. sempre em frente, até chegarmos à última paragem. Descemos, saímos do Museo e, voilá, estamos de regresso ao momento actual, no mundo contemporâneo. Para trás ficou mais uma corrida, mais uma viagem. Como tantas outras em outros tantos Museos (ou Museus, ou Museums, ou Musées) por esse mundo fora.
Fica-se com a sensação de que se passou qualquer coisa entre um déjà vu e uma coisa mais ou menos diferente de tão semelhante à que acabamos de experimentar. Mas não há que temer nem guardar sombra de dúvida, assistimos a um desfiar de verdadeiras obras de arte já que estão ali expostas ou penduradas. São objectos validados pela instituição museológica, como refere Belanciano no seu texto, e mais nada. Apesar de algumas pinturas serem medíocres e outras tão más que até dói olhá-las de frente, se estão no Museo então não há que duvidar. A questão da qualidade é lateral.
Já um corredor a passear as sapatilhas nas galerias de Tate Britain, mesmo sem ver, coloca dúvidas ao comum dos consumidores. Mas, bem vistas as coisas, se está na Tate Britain então é um objecto validado! Não há que ter dúvidas quanto à natureza do objecto. Uma vez exposto num Museum é Arte (com "A" dos grandes) e ficamos todos amigos. Não é preciso um curso de História da Arte nem um Mestrado em Arte Contemporânea. As coisas são bem mais simples do aquilo que parecem.
Resumindo e concluindo: se está numa instituição artísticamente respeitável não temos o direito de duvidar da natureza artística de um objecto. Por mais abstruso que ele seja.

5 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Bem colocado, como sempre faz!
Faltou só dizer, que só o tempo dirá se "essa" coisa, irá permanecer no museu, e terá seu lugar no mundo das artes imortais. Aí só ficam as realmente importantes!
Vou levar para o Varal, claro!

Silvares disse...

Caro Eduardo, há muita obra nos museus que só lá está por respeito à idade. Creia em mim. Estar no Museu não é o mesmo que estar nas Artes Imortais.
;-)

jo-zéi disse...

de Sevilha estive lá na Expo-92 e durante a FERIA de Abril(Loucura Total).

TATE é sempre a Tate, e mais nada!!!

Silvares disse...

Qué calor tío!!!

MUMIA disse...

é tudo "em muito", MUITO CALOR, MUITO BARULHO, MUITO ALCÓOL,muitas Chicas guapas...etc.
UI!UI!!!