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quarta-feira, fevereiro 27, 2019

Futuro próximo

Virá o dia em que uma máquina (um algoritmo altamente sofisticado) saberá melhor do que tu aquilo que te convém, o que é melhor para ti.Uma máquina capaz de tomar as melhores decisões que te proporcionem a maior das felicidades.

Como será o mundo nesse dia (não muito longínquo)?

Virá o dia em que aceitaremos em definitivo o óbvio: as máquinas são mais eficazes do que nós numa série de situações da vida quotidiana e, como tal, teremos de lhes entregar muitas mais responsabilidades.

Diz-me algoritmo, que roupa devo vestir hoje?

A dúvida é: somos nós uma espécie de máquinas de menor potência, eventualmente defeituosas? Ou serão as máquinas uma espécie de seres humanos melhorados (ou piorados, dependendo da perspectiva de quem pensa no assunto)?

Diz-me algoritmo, como devo responder à questão que me foi colocada?

Este admirável mundo que há-de vir (em breve) será mais radioso que o mundo de hoje ou permanecerá, simplesmente, diferente?

Diz-me algoritmo, o que sou eu?

segunda-feira, março 25, 2013

Espectros

"Um espectro paira sobre a Europa, o espectro do comunismo." Começava mais ou menos assim o célebre Manifesto Comunista da autoria de Marx e Engels, publicado em Fevereiro de 1848.

O espectro pairou, rondou, sobrevoou o espaço europeu mas nunca chegou a materializar-se, de facto. Ficou-se por algumas tentativas mais ou menos abstrusas, abortos horrendos que nunca fizeram justiça à essência do espectro em causa.

Hoje é outro fantasma que ensombra os sonhos dos europeus. É o fantasma da única Internacional que verdadeiramente triunfou, o da Internacional Capitalista. "Proletários de todos os países, uni-vos!" exortavam os autores do Manifesto. Olhando os dias que vivemos podemos constatar que a única verdadeira união a que este mundo assistiu não foi a dos proletários, foi a dos seus amos.

É triste observar a derrocada do sonho europeu, visto de dentro. Imagino que, olhado de outros ângulos, visto do lado de fora, o caso não seja dramático. Visto dos países que outrora designámos como o Terceiro Mundo, visto dos países que outrora colonizámos e explorámos, talvez este ocaso Europeu tenha cores garridas e tons de festa que contrastam fortemente com o cinzento a pender para o negro nocturno que a coisa ganha cá em casa.

Houve quem acreditasse que o destino da Europa seria o de espalhar o pensamento Humanista pelo planeta. Afinal fomos apenas capazes de infectar os outros com a gula capitalista e, agora, pagamos o preço devido pela nossa soberba civilizacional.

O Capital não tem Pátria nem sonha com um mundo melhor. O espectro paira sobre a Europa. O resto do mundo pode esperar pela sua vez.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Profecia




Qerem fazer-nos acreditar que depois de Cristo e Maomé terá passado o tempo dos profetas. Estou em crer que isso não é puto verdade! Ao visitar o Photomelomanias dei com este post e o primeiro clic deixou-me deslumbrado. É uma palestra extraordinária de Aldous Huxley que mostra como se constrói uma profecia: com atenção aos pormenores do mundo que nos rodeia e uma grande dose de inteligência que, nestes casos (será apenas nestes casos?), é o mesmo que imaginação.


Caramba, apeteceu-me mesmo correr para casa e abrir a minha edição de Admirável Mundo Novo. Já nem me lembro quando li aquilo mas tenho a vaga impressão de que foi um dos livros que ajudou a alicerçar a minha personalidade. (para compreender alguma coisa do que acima fica registado é imprescindível ir ao post do Photomelomanias experimentar aquele tal (este) 1º click)