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domingo, junho 10, 2018

Dia de Camões

De acordo com o calendário hoje é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. É muita coisa para enfiocar num só dia mas fico sempre meio estonteado quando me apercebo que, no dia consagrado à portugalidade, prestamos homenagem a um poeta.

Não está em causa a grandeza da obra de Camões, ele foi um génio! Espanta-me que um povo que até há umas décadas era pouco mais que analfabeto e que, nos tempos que correm, é manco em termos de leitura, dedique tamanha reverência a um poeta.

Há muito para fazer até que o bom povo português esteja à altura da figura que hoje diz idolatrar, só não há vontade nem quem o faça.

Continuaremos, ano após ano, a prestar vassalagem a Camões até que um dia já ninguém se lembre bem de quem ele foi, muito menos do que ele fez, pensou e escreveu. Nesse dia Portugal cumprirá o seu destino.

O último a sair que apague a luz.

segunda-feira, março 16, 2015

Nós, portugueses

Os portugueses não acreditam no diálogo; "falam, falam, falam e não dizem nada!"
Os portugueses não acreditam que possam ser chave para resolver um problema; "não sou eu quem vai mudar o mundo!"
Os portugueses têm baixa auto-estima, não acreditam que a critividade possa ser raíz para solução de seja qual for a natureza do problema que os aflige..
Os portugueses têm da arte uma visão patética que oscila entre a ignorância boçal e o pretensiosismo snob de uma auto-declarada elite que se compraz na sua pequenez intelectual.
As elites portuguesas são uma desgraça.

No entanto é pelos portugueses que nos apaixonamos facilmente. Por serem cépticos, desconfiados, conservadores, crédulos, falsamente vaidosos, orgulhosos de serem tal qual são, por serem um pouco estúpidos e razoavelmente imbecis.

Ok, ok, há quem esteja a ler estas linhas e a pensar: "são tudo isso, os portugueses, tal qual tu és." Não poderia estar mais de acordo: tal qual eu sou.

No dia em que todos tivermos coragem para nos olharmos ao espelho com olhos de ver quem somos (um povo que marca greves para as sextas-feiras) talvez possa existir a vaga possibilidade de mudar algo, por poucochinho que seja.

Até lá, cá andaremos com a cabeça entre as orelhas.

quarta-feira, outubro 08, 2014

Espírito tuga

três destes gajos já voltaram para a sombra mas a maioria mantem-se no poder

Tenho alguma dificuldade em compreender o modo de pensar da maioria dos portugueses que ainda se dignam ir votar quando são chamados a participar em eleições. Ontem ao fim da tarde, quando fui, como é meu hábito, à tasca da esquina beber uma imperial e passar os olhos pelo jornal desportivo tive uma desconcertante conversa com um cliente meu conhecido e a senhora, do outro lado do balcão.

Foi o meu amigo quem puxou o tema de conversa: que o ministro da educação é um incompetente, a senhora sabia que eu sou professor e juntou mais uma ou outra acha para a fogueira que acendi alegremente e com alguma fúria à mistura.

Quem me conhece sabe que fervo em pouca água e que sou capaz de arrancar num discurso inflamado com uma velocidade estonteante, não preciso de ganhar embalagem. Deram-me os meios para fazer um pequeno comício anti-governo e não enjeitei a oportunidade, falando para quem quisesse ouvir.

Toda a gente concordou que estes governantes são péssimos, que o trabalho por eles desenvolvido cheira a vigarice, que a sua preocupação com o povo português soa a conversa fiada. Ainda assim, alguém trouxe a questão da eventual substituição do actual primeiro ministro e restante associação de malfeitores por outra gente. Foi aqui que voltei a deparar com o povo que somos.
Estava esquecido.

Embora todos estivéssemos de acordo quanto à falta de qualidade destes gajos, as dúvidas surgiram: mas, se eles saírem, quem colocamos lá? A vontade de mudar depressa se transformou em receio e conformismo.

A crítica desapareceu tão depressa quanto havia surgido. Confrontada com a responsabilidade de escolher uma alternativa toda a minha companhia preferiu encontrar razões para não mudar nada e manter a merda em que vivemos tal qual ela está. Ah, este bom e velho espírito tuga!

Fiz notar que a porcaria de governo que temos não surgiu por obra e graça do Espírito Santo (ou terá surgido?), que fomos nós, o povo, quem escolheu a malandragem que nos governa; a responsabilidade é nossa.

Tentei argumentar a favor da possibilidade de deitar tudo fora e começar de novo: se isto, assim, não funciona, é tempo de experimentar algo completamente diferente.

Nada a fazer, todos os presentes falaram para dentro, abanaram as cabeças e balbuciaram qualquer coisa acerca de com este governo, ao menos, já sabermos o que nos espera. Inacreditável! Inacreditável? Nããããããooo, qual é a surpresa!? Isto é portugal.

Saímos dali exactamente da mesma forma que havíamos entrado: com o rabo entre as penas e a nossa condição animal pura e intocada.

sexta-feira, junho 01, 2007

Eco de Guerra (Junqueiro)

Recebi este texto em mensagem de e-mail enviada pela Guilhermina Silva que trasncrevo na íntegra. Simplesmente brilhante sob todos os aspectos. A elegância rude do estilo e o eco intemporal do raciocínio de Guerra Junqueiro chegam até nós com uma limpidez inquietante.
Simplesmente brilhante!

Apesar de escrito em 1896 este texto de Guerra Junqueiro não perde actualidade ao caracterizar a sociedade portuguesa.

Leiam e vejam se não é verdade:


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este,finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.] A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.

Breve Biografia de Guerra Junqueiro

Abílio Manuel de Guerra Junqueiro nasceu em 1850 em Freixo-de-Espada-à-Cinta (Trás-os-Montes), frequentou a faculdade de Teologia entre 1866 e 1868, que abandonou para se formar em Direito, em Coimbra (1868-1873). Foi Secretário-Geral dos Governos-Úteis de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo. Mais tarde, foi deputado do partido progressista, aderindo ao partido republicano após o ultimato Inglês (1890). Depois da implementação da República, foi ministro de Portugal em Berna (Suiça), entre 1911 e 1924.

Como escritor, estreou-se com duas páginas numa série de poemas ainda influenciados pelo Ultra-Romantismo. Posteriormente, veio a ser o “poeta panfletário” mais popular da sua época, visto estar ligado ao grupo dos "Vencidos da Vida" (formado por Guerra Junqueiro, Oliveira Martins e Antero de Quental, entre outros). Guerra Junqueiro é caracterizado pelas sátiras violentas, quer ao clero (A Velhice do Padre Eterno), quer à dinastia de Bragança (Finis Patrea). É ainda conhecido pelo seu extraordinário sentido de caricatura. A vida rural inspirou-lhe Os Simples (obra que lhe deu maior sucesso), uma poesia que invoca a sua infância com recordações calmas e consoladoras.

quarta-feira, abril 04, 2007

O Mostrengo

Tão atrapalhados ficámos com a "eleição" do António "Botas" Salazar como o Maior Português de Sempre da RTP que nos esquecemos da votação paralela que o considerou, em simultâneo, o Pior Português de Sempre (ver resultados em http://piorportugues.blogs.sapo.pt/11685.html).
Também aí ganhou a medalhinha de ouro o que mostra como nos lembramos bem da personagem. Amado ou odiado, Salazar continua a assombrar Portugal com a sombra do seu nariz adunco. Talvez agora possa descansar em paz, comidinho que já foi pelos vermes de serviço, e deixar-nos seguir em frente sem termos de lhe prestar contas nem o insultar de vez em quando.
Vá lá, António, fica onde estás que é o teu lugar: morto e enterrado.

segunda-feira, março 26, 2007

O cú da Europa


FINAL DE DO PROGRAMA "OS GRANDES PORTUGUESES" O NOSSO AGRADECIMENTO A TODOS OS QUE PARTICIPARAM
No passado Domingo, dia 25 de Março os telespectadores escolheram entre os 10 finalistas o "Grande Português". E foram os seguintes os resultados da votação:
1º António de Oliveira Salazar - 41,0%
2º Álvaro Cunhal - 19,1%
3º Aristides de Sousa Mendes - 13,0%
4º D. Afonso Henriques - 12,4%
5º Luís de Camões - 4,0%
6º D. João II - 3,0%
7º Infante D. Henrique - 2,7%
8º Fernando Pessoa - 2,4%
9º Marquês de Pombal - 1,7%
10º Vasco da Gama - 0,7%

A fazer fé nos resultados da votação para o programa de TV "O Maior Português de Sempre" só posso concluir que o triunfo de Salazar enquanto déspota batoteiro e mal intencionado deu frutos de tal modo envenenados que a maioria da população ainda não recuperou, não havendo clínica de recuperação nem desintoxicação que lhe valha.

Não deixa de ser irónico que a "eleição" de Salazar tenha coincidido com a comemoração do 50º aniversário da assinatura do Tratado de Roma, momento fundador da União Europeia. O Botas de Santa Comba, que tudo fez para fazer de Portugal o olho do cú da Europa e alcançou plenamente esse objectivo, deve estar a rir-se com os demónios que o vão torturando no Inferno.

Um gajo que aniquilou sistemática e doentiamente todos os adversários políticos, que falseou resultados eleitorais com a sobranceria dos que sabem estar acima da Lei por serem intelectualmente corruptos , acaba incensado no altar mediático de uma sociedade democrática como uma espécie de santidade profana talhada no mais carunchoso dos paus infectados pela podridão da maldade. É de força.

Dizia Almada que "se o Dantas é português eu quero ser espanhol" digo eu que "se os portugueses são Portugal eu quero ser um país indepedente". Em boa verdade custa-me a acreditar que esta "votação" reflicta o Portugal actual mas não deixa de ser um sintoma de estupidez boçal algo preocupante. Por ali andou "mãozinha da reaça" e, mais uma vez, se percebe como a Democracia se dá mal quando abre a perna a grupos organizados de extrema direita.

Fica a imagem deplorável de haver a possibilidade de um povo acarinhar um ditador que o estropiou de forma aparentemente irremediável. Salazar cegou Portugal e Portugal agradece-lhe a cegueira. E, como é certo e sabido, "o pior cego é aquele que não quer ver"!

Temo que, na verdade, nunca deixemos de ser o cú da Europa. Um cú mal lavado, ainda por cima.

domingo, novembro 19, 2006

Viva nós!

http://www.cristinasampaio.com/ quem não conhece as excelentes ilustrações de Cristina Sampaio?


Andamos às voltas com o melhor e o pior português, o melhor e o pior de ser português e outras bizantinices do género. Alguém nos chamou os latinos tristes, outros incluiram-nos no tristemente célebre eixo dos PIGS (Portuguese, Italians, Greeks and Spanish), os habitantes do ensolarado sul da Europa, mais lentos e desleixados que os nossos irmãos limpinhos do Norte, mais por causa do Sol que de outra coisa qualquer. Verdade, verdadinha, a quem pode isto aproveitar uma nesga que seja? Quer-me cá parecer que a ninguém! Fica, no entanto, o exercício sempre apetecível de dizer mal de fulano e endeusar sicrano, lembrar beltrano que tinha tanto para dar mas que a morte ceifou demasiado cedo. Contas feitas limpamos o sótão de alguns macaquitos mais sujos e cabeludos, abrimos as janelas e arejamos a coisa.

Amanhã iremos lembrar-nos de outros heróis e vilões que lhes correspondam e havemos de experimentar novas frases e novas comparações bombásticas entre pessoas e coisas, ou animais e pessoas, ou entre coisas e animais que parecem pessoas e nos fazem lembrar dessas coisas, o que for necessário ao eterno desporto nacional que o povo prefere e a nação acarinha: o Escárnio e Maldizer! É disto que eu sei, é disto que o meu povo gosta!

terça-feira, outubro 24, 2006

Reflexo

Como que para provar que há sempre um outro lado, O Inimigo Público resolveu promover, em parceria com O Eixo do Mal, a eleição do Pior Português de Sempre. A coisa teria mais piada se não respondesse à alarvidade da RTP ao pretender eleger "democráticamente" o Maior Português de Sempre, como se um povo que não foi capaz de tomar uma posição que se visse num referendo sobre o aborto pudesse eleger o que que que fosse com um mínimo de credibilidade.

Para quem não passou os olhos no Inimigo do passado Sábado um saltinho a http://piorportugues.blogspot.com/ permite tomar contacto com as personalidades propostas para as listas de candidatos.

Há duas modalidades: "Que político mais contribuiu para a ruína do nosso País?" e "Quem melhor encarna as piores qualidades do povo português?". Os visitantes deste sítio podem ainda propor nomes que venham a engrossar as listas justificando com brevidade as razões da sua opção.

Na 1ª modalidade ficamos a saber que D. João V é candidato nomeado para a secção dos políticos por ter sido "O Rei Sol de pacotilha que estoirou todo o ouro do Brasil em talhas douradas e querubins de mármore." e que Egas Moniz "Representa a capacidade tão nacional de realizar feitos absolutamente inúteis. No seu caso, inventou a lobotomia, ajudando a reverter milhares de cidadãos estrangeiros ao estado mental dos portugueses. Como no caso de José Saramago, a recompensa por uma vida de asneiras foi o prémio Nobel." estando, na minha opinião, bem colocado à partida para vir a conquistar o título de retrato mais fiel das piores qualidades do povo português. Estou a pensar votar nele mas confesso que ainda não consultei exaustivamente a lista de candidatos pelo que será prematuro fazer uma declaração de voto.

Já na votação da RTP não vejo interesse em participar uma vez que, ao que parece, a coisa é levada meio a sério.

domingo, setembro 03, 2006

A Culpa é rapariga solteira!

Fazer o Pinóquio não é educá-lo! , RSXXI Outubro 2002
Não me recordo de ter alguma vez ouvido dizer que alguém aceitou a sentença do tribunal sem recorrer de imediato a outra instância judicial. No nosso país ninguém parece estar preparado para ser julgado pelos seus actos. Na verdade o português, de um modo geral, nunca se considera culpado de nada. Mesmo quando é apanhado a fazer merda da grossa encontra sempre justificação para afirmar sem tremura nem temor que "Não tenho culpa!". Pois não, há sempre uma justificação para o erro e, se não foi culpa de outrém, terá sido resultado de um conjunto de circunstâncias.

Nas escolas, nas ruas, na política, em todo o lado, o português nunca tem culpa de nada e, como tal, não pode ser condenado sem que isso constitua uma tremenda injustiça! Haverá sempre mais alguém a quem recorrer, mais uma tentativa para mostrar o seu especialíssimo ângulo de visão sobre o problema em análise. Isto faz com que a justiça seja ainda mais lenta do que já seria de esperar dada a qualidade dos seus agentes principais.

É como se não houvesse uma Lei que fosse a reger a nossa vida em comunidade e uma grande parte dos juízes parece apostada em mostrar que essa aparente falta de senso faz todo o sentido. Julgam e contrajulgam com uma leveza assustadora colocando-se muitas vezes a si próprios acima da Lei como se constituissem uma casta superior. São eles e os polícias. E os autarcas. E os políticos, de uma forma geral...

... se calhar não confiamos nas leis nem no poder precisamente porque os sinais que deles recebemos nos deixam hesitantes em acreditar nas suas boas intenções. Ou seja, somos um povo ingovernável mas, na verdade, não temos culpa...