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terça-feira, maio 28, 2013

Contrafacção

Dantes eram as camisas Lacoste e as malas Louis Vuitton que apareciam à venda em quantidades quase industriais e a preços impossíveis. As pessoas compravam material contrafeito mas sabiam que estavam a fazê-lo. O preço era bem em conta...

Agora são pinturas de Paula Rego e António Palolo a serem vendidas, mas a preços elevados (ver aqui) a pessoas "inocentes" que as adquiriram convencidas que estavam a pagar pela "real thing". A contrafacção segue caminhos inesperados.

A Polícia Judiciária anunciou ter apreendido centenas de pinturas falsas daqueles artistas portugueses. Ao que parece, muitas delas haviam já sido comercializadas.

Ok, coisa banal, normalíssima, nos tempos que correm. O que me surpreende não é o facto de se falsificarem obras de artistas consagrados, a minha surpresa é haver quem compre pinturas de Paula Rego quando é evidentemente impossível que sejam originais.

Quem investe uns milhares de euros a comprar uma obra que está reproduzida um pouco por todo o lado e que é do domínio público que não poderia estar à venda? Quem são estes "inocentes", valha-me Deus, Nosso Senhor? É preciso ter muito dinheiro e muito pouca informação.

Esta notícia mostra que ter muito dinheiro não é sinónimo de nada e pode ser sinónimo de muita coisa.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Ratatatatata... BUM!!!

Vejo imagens dos confrontos na Síria entre uma tropa maltrapilha, os revoltosos, e o exército ao serviço de Assad filho. As armas dos revoltosos chamam a minha atenção. Não percebo nada de armas mas aquelas parecem-me bastante modernas.

De onde vêm as armas? Quem as coloca nas mãos daqueles homens? Não estou a ver onde iriam eles arranjar dinheiro para pagar as armas e as munições. É como um ver um tipo qualquer a pedir esmola na rua exibindo um i-pad. Faz-me confusão.

Talvez tenham adquirido o armamento a crédito, em sistema de leasing, não sei. Haverá um hipermercado de armas para revolucionários com futuro? "Jovem revolucionário, visita as nossas instalações e vê as oportunidades que te oferecemos. Rebenta com os teus inimigos hoje e começa a pagar só no próximo Ramadão!"

Se todas as empresas deste mundo fossem tão generosas como as que produzem e comercializam armamento decerto a crise actual seria rapidamente ultrapassada.

quarta-feira, julho 21, 2010

Arte e etc.


A cultura e as artes são cada vez mais olhadas como parte integrante do universo económico e empresarial. Sendo áreas que fornecem notícias espampanantes de verbas astronómicas que se pagam por esta obra ou receitas de bilheteira realizadas por aquele espectáculo, os políticos menos vesgos e os empresários menos ceguinhos, sonham com uma forma de encontrar por ali alguma galinha que ponha ovos de ouro.

Em termos laborais também a cultura e as artes representam cada vez mais emprego sendo, por isso, cada vez mais olhadas com interesse por parte dos recolectores de impostos. Enfim, assistimos a um crescente interesse por este universo maravilhoso, olhado com cifrõezinhos nos olhos.

Nada de romantismos bacôcos; a arte e os artistas dos tempos que correm são negócio e empresários que, como tal, pedem modernidade e dinâmica comunicacional. Etc.

terça-feira, agosto 25, 2009

Virgindade perdida?

um trabalho de Vhils algures em Lisboa (parece-me)

Li um interessante artigo num dos milhentos suplementos do Público sobre a forma como o grafiti e a arte da rua se estão a transformar em negócios com futuro promissor. Há inclusive uma empresa londrina que oferece "tours" privados para grupos até 5 pessoas pelas ruas do East End por 186€. Aquilo que em Portugal ainda pode dar problemas legais aos grafiteiros, está já ao nível do investimento comercial lá para as bandas de Londres e arredores. É por essas e por outras que uns crescem e outros sofrem de ananismo económico.

É claro que um gajo como Banksy dá muito jeito para publicitar e convencer as forças vivas da nação da importância da arte da rua no panorama cultural contemporâneo. Mas há, decerto, um milhão de artistas com as mesmas potencialidades à espera do momento oportuno para explodirem dentro deste mundo. O garafiti é uma espécie de super-artesanato, uma forma de expressão popular espontânea e de cariz absolutamente urbano, uma materialização espêssa e viscosa da cultura global que se pretende asséptica e liofilizada.

Agora que está já a chegar aos museus e galerias, que as obras dos artistas mais vistosos começam a ser cobiçadas não pelos putos da rua mas pelos putos da mansão em frente, a arte da rua conseguirá manter a sua fúria criativa? Veja-se o que aconteceu com a música popular. O que restou do Rock ou do Punk? Uns velhinhos que andam por esse mundo em digressão, umas poses, uns penteados, umas modas mais ou menos genuínas e pouco mais. Coisas que se vendem, aquilo a que chamamos "merchandising". Desde que se tornou um negócio que a selvajaria da música popular ficou ao nível da do ursinho de peluche. O objectivo de produzir um hit formata de tal modo as pessoas que só são capazes de criar música que não fica a dever nada às latinhas do Manzoni.

Com o tempo, a arte da rua haverá de conhecer novos fenómenos e inventará outras direcções que agora nem somos capazes de imaginar. Entretanto haverá quem nos surpreenda e fascine, quem nos faça sorrir ou simplesmente abanar a cabeça para espantarmos alguma mosca mais insistente que não nos queira deixar em paz. Entretanto convido-te a dares uma olhadela a este vídeo de Vhils em pleno acto criativo. Penso que não darás o teu tempo por perdido.