domingo, julho 27, 2008

Verdinhos e sorridentes


de cima para baixo:

Jerónimo aponta o demo do futuro;

um selo dos correios mistura o Euro 2004 com o golf

e um mapa dos campos de golf espalhados pelo país com particular incidência no "Allgarve"




O Secretário geral do Partido Comunista Português insurgiu-se, ontem, contra aquilo que considera ser mais um atentado do actual governo contra as condições de vida das classes menos favorecidas, neste caso os agricultores e os pescadores algarvios. Segundo Jerónimo de Sousa incentiva-se uma "monocultura do turismo" com os investimentos das grandes negociatas a irem direitinhos para resorts e campos de golf.

Pelo que compreendo e ouço e posso ver, Jerónimo tem razão. Dentro de alguns anos, os descendentes dos agricultores e pescadores do reino dos Algarves serão todos tratadores de relva e jardineiros, recepcionistas e criadas de quarto, etc., etc., quando a "monocultura do turismo" secar todas as actividades tradicionais em volta. Essa "monocultura" criará (ou já terá criado?) uma espécie diferente de latifúndio, se assim lhe podemos chamar.


E está a alastrar e vai chegando ao Alentejo, não apenas na costa mas também para o interior com a barragem do Alqueva a prometer cada vez mais novos empreendimentos "golfísticos" que exigem muito mais água que todos os camelos do deserto juntos.


Jerónimo olha aterrorizado para um futuro próximo sem operários nem camponeses nem pescadores, substituídos por legiões de trabalhadores temporários, sem sindicatos nem organizações de classe que protejam os menos favorecidos da gula capitalista. Jerónimo parece ter razão no prognóstico traçado.


Mas, num país sem indústria digna desse nome e com poucos recursos naturais, o turismo parece ser uma saída mais ou menos airosa em termos de oferta e criação de postos de trabalho. No parto deste país verdinho e sorridente iremos assistir ao definhar progressivo e definitivo do país rural e mais tradicional. Portugal irá transformar-se numa espécie de resort gigantesco, atafulhado de alemães e ingleses e holandeses vermelhuscos, chamuscados pelo sol e satisfeitos por poderem vir aqui desfrutar de um clima que não têm lá nas suas santas terrinhas.


Será este o nosso futuro? Talvez seja. Importa saber quem irá lucrar com isso e de que modo poderemos transformar a nossa vocação de povo de "tasqueiros" em produtores de turismo com qualidade suficiente para atrair os endinheirados do mundo ocidental. E fazer disso um factor de desenvolvimento. Não sei não, camarada Jerónimo, a coisa parece estar complicada.

8 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Quem diria? Uma nova "guerra" agora no GOLF. Depois da do Golfo!

Obrigado pela visita e comentário no QUEM CONTA UM...e pela sugestão. Aliás já tivemos um dos nossos administradores do blog que se insurgiu contra ele ( e desapareceu) por falta das tais ilustrações. Disse que o blog era um TIJOLÃO sem imagens! Mas é esse o espirito do blog de LITERATURA. Alí só se escreve e se lê! Figurinhas no Drops, no Varal, no Chapa, no MAP, no Galeria, no Blog100fim, nada contra, muito pelo contrário, mas quem escreve quer ser lido e entendido pelas imagens LITERÁRIAS! Concorda?

Forte abraço e bom final de Domingo!

Silvares disse...

Foi apenas uma sugestão. Concordo plenamente com as suas explicações.

A "Guerra do Golf" (bem comparado) parece ser mais uma variante da velha "luta de classes". Os trabalhadores menos qualificados saem sempre a perder. Não acertam uma no buraco!
:-)

jo-zéi disse...

O Governo deveria transformar o Algarve todo num campo de golfe contínuo..pegam-se uns com os outros.

Futuro Verdinho...LINDO!!!

Silvares disse...

Pois é, verdinho para quem ensaca as notas!

Antero do quintal disse...

Por cá, mesmo com a comunicação social que temos, não nos podem ocultar tudo, os campos de golfe são demasiado grandes...
No futuro, continuaremos a ser um povo de pescadores e de agricultores, mas as trutas serão inglesas e alemãs, e os chaparros talvez venham da Dinamarca...
A tua "guerra do golf" foi muito bem apanhada.

expressodalinha disse...

Duas sugestões:
- ofereçam uns tacos ao Jerónimo;
- abram muitas clínicas para tratar o cancro da pele.
E uma consideração: a vocação estratégica de Portugal é não fazer nada. Que diabo, já demos novos mundos ao mundo!

Silvares disse...

Sr. Antero, A "guerra do golf" foi apanhada pelo amigo Eduardo do Varal de Ideias. Essa das trutas serem de grande porte e os chaparros importados também é forte!

Caro Expresso, o Jerónimo não vai lá com tacos, de algum modo é um gajo que declara guerra ao "taco". Realmente nunca tinha pensado nisso. Após oferecer novos mundos ao mundo com muito esforço e trabalho, o bom povo portugês meteu féria por tempo indeterminado. É bem visto.

jo-zéi disse...

Água??? no MAR há muitíssima!