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sexta-feira, junho 29, 2018

Fidelidade e Tranquilidade

Acreditar que o Mercado (o mercado financeiro) se auto-regula exige uma colossal dose de ingenuidade. Quem defende essa ideia ou tem interesses directos na exploração alheia e está à beira de ser um ladrão ou é um ladrão. Ou então é ingénuo, muito perto de idiota. O Mercado é uma besta voraz. É como a águia da fábula que acaba por comer as crias da coruja alegando não as ter reconhecido através da descrição que a mãe delas havia feito.

A companhia seguradora Fidelidade vendeu 2000 casas muitas delas com inquilinos lá dentro. Segundo a Lei deveria dar direito de preferência aos inquilinos. E a Fidelidade alega que cumpriu a Lei. O pormenor (e aqui se pode ver como funciona a auto-regulação do Mercado) é que a venda foi feita por atacado no valor de 425 milhões de euros. Ou seja, tens 425 milhões para comprares 2000 casas, entre as quais se encontra a tua? Não tens? Passa à frente pois há quem tenha.

A coisa fede. Agora entra-se no jogo da interpretação da Lei, pareceres de advogados, o rame-rame do costume mas já se percebeu como isto vai acabar.

O comprador foi o grupo Apollo, dono de outra seguradora, Tranquilidade de seu nome. A Fidelidade pertence aos chineses do grupo Fosun, a Tranquilidade pertence aos americanos do Apollo. Não é isto o Mercado em todo o seu esplendor? Os americanos comprometeram-se a dar preferência aos actuais inquilinos, como manda a Lei mas quem acredita que se meteram nisto para ganhar pouco dinheiro?

Fidelidade e Tranquilidade... poderia haver maior sonsice do que esta?

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Carta de agradecimento

“A realidade acaba sempre por derrotar a governação ideológica”; finalmente Cavaco conseguiu produzir uma ideia com alguma substância. Como é costume, vou tentar perceber o que quer ele dizer com isto.

Parece-me evidente que Cavaco Silva pretende dizer-nos que a realidade é constituída em partes iguais por economia e finança, sistema bancário e sistema monetário. Esta fórmula da realidade esmaga qualquer tentativa de fazer com que a ideologia, seja ela qual for, possa sair da sua Caixa de Pandora e venha desorientar as opções de vida das pessoas. Cavaco explica-nos algo que ele já interiorizou há muito, muito tempo: a realidade materializa-se em números e tabelas, fórmulas de cálculo e gráficos com setinhas. Tudo o mais são contos infantis, como disse um dia Pedro Passos Coelho.

Cavaco e Passos conhecem bem a realidade. Graças a eles a economia e a finança, o sistema bancário e o orçamento de estado têm sido, no nosso país, protegidos dos ataques descabelados da ideologia, mantendo-se ancorados na firmeza do mundo verdadeiro. Graças a eles a realidade é o que todos, agora, sabemos.

“A realidade acaba sempre por derrotar a governação ideológica” pode muito bem constituir um precioso legado que Cavaco nos deixa antes de se retirar da vida política; ele que sempre desprezou os políticos e amou, apenas, os economistas, os empresários corajosos e os gestores bancários; acima destes apenas Deus, Nosso Senhor. Não esqueçamos este ensinamento luminoso vindo de um homem presciente que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava, um homem que não se importa de ser o Sr. Silva, este estadista visionário, modesto e imbuído de um abnegado espírito de missão que o levou a oferecer os melhores anos da sua vida à causa pública.

Termino esta carta agradecendo a Cavaco tudo que ele fez por nós: a boa governação, a honestidade acima de tudo, a sua extraordinária capacidade para entender a realidade, que tantos dissabores poupou ao bom povo português, que, com um fervor quase religioso, repetidamente lhe pôs nas mãos a bússola e o leme da Nação.


Obrigado Cavaco. Bom Natal. Depois podes ir-te embora de vez. Não precisas de voltar.

quarta-feira, julho 09, 2014

Da ganância

Um fato, uma gravata e uma cara de pau que até medo. Ou então um sorriso fácil e uma simpatia sem fronteiras; estes são tão perigosos como os outros. São os banqueiros, senhores do dinheiro, guardiões dos nossos sonhos, conhecedores dos nossos desejos, eles regulam o mundo.

Os dias passam, a crise permanece. Compreendemos melhor o significado de insignificância e a rapidez da nossa cavalgada pela vida quando percebemos o tempo de recuperação que uma coisa destas necessita. Dizem-nos que a economia levará 20 anos a recuperar, 30 anos a recuperar, tempo demais, na minha humilde mas particular perspectiva. Quando a crise passar e regressarem os tempos do vinho e das rosas, o mais provável é eu já ter batido as botas.

Antes de mim haverão de patinar os mais velhos destes tais banqueiros que, no entanto, agem como se fossem viver eternamente. A sua ganância é lendária, a sua capacidade de amontoar dinheiro e distribuir miséria parece coisa divina. De todos os bichos, o bicho Homem é o que tem maior capacidade para amealhar aquilo de que não tem necessidade.

Sinceramente não compreendo estes seres vivos, estes banqueiros. Não compreendo para que querem mais dinheiro, mais poder, mais miséria. Isto vai muito para lá da minha capacidade de compreensão. Mas as coisas são assim mesmo. Também não compreendo Deus. A única diferença entre os banqueiros e Deus é que os banqueiros existem de facto, sem margem para dúvidas.

domingo, outubro 06, 2013

Os infelizes

Segundo Passos Coelho Rui Machete foi “infeliz” nas afirmações que produziu quando andou a lamber botas na Rádio Nacional de Angola. Quer-me parecer que, mais do que infeliz, foi espertalhão, daquele jeito que o são todos os “chico-espertos” com cartão de militante dos partidos do “arco do poder”. Na verdade, todos os espertalhões que nos governam são infelizes. São uns tristes porque não têm escrúpulos nem cultura suficiente para compreender a grandeza dos valores éticos que deveriam orientar as suas acções enquanto responsáveis pela coisa pública. Ignorância?

Foi infeliz Paulo Portas, foi infeliz Miguel Relvas, foi infeliz Miguel Macedo, infeliz foi Aguiar Branco e é infeliz Maria Luís Albuquerque. Muito infeliz é Nuno Crato. Infelicíssimo foi Miguel Gaspar. No meio de todos estes infelizes escapa Assunção Cristas graças aos deslumbramentos da maternidade. Infeliz se mostrou Cavaco Silva quando confundiu Thomas Mann com Thomas More ou quando comeu bolo-rei de boca aberta perante uma nação estupefacta com tal falta de educação. Infeliz é o povo que elege esta gente para o representar e governar. Assim se compreende que nem Machete se demita nem Passos veja razões para o demitir.

Somos nós os responsáveis por tanta infelicidade. A nossa infelicidade é colectiva como o revelam certos estudos internacionais que tentam compreender o sentir das nações do mundo. Há mesmo quem nos designe por “latinos tristes”. Pois é, somos uns tristes. E Machete é ministro dos negócios estrangeiros mas quer-me parecer que os negócios pelos quais ele vela serão de natureza a rondar o inconfessável, natureza idêntica aos de Miguel Relvas ou de Dias Loureiro, para citar apenas dois homens de bem (como nos assegurava Cavaco em relação ao seu fiel conselheiro) que entretanto se diluíram na imensidão da sua infelicidade, desaparecendo dos radares da opinião pública e se aconchegam agora nos lençóis de seda do mais doce esquecimento. 

Isto é uma gente que não lembraria ao diabo mas que anda por aí e o povo, a querer dormir descansado, não compreende porque tem tantos pesadelos a assombrar-lhe o quotidiano. Portugal, apesar de tanto fato e gravata, é um país com muito mau aspecto.