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domingo, setembro 21, 2014

A pele e os sapatos

Em Portugal (não sei se a expressão é válida noutros países lusófonos) quando pretendemos compreender ou explicar sensações ou atitudes de outra pessoa dizemos: "não lhe queria estar na pele" ou "é preciso estar na pele dele"; "estar na pele" é uma expressão muito forte.

Tentamos expressar a dificuldade extrema de compreender o que vai na alma alheia, assumindo que a única forma de podermos ter uma ideia aproximada do que é o outro seria estar-lhe na pele, habitar o seu próprio corpo.

Os ingleses têm uma expressão vagamente equivalente. Trocam a pele pelos sapatos do outro. "To be in someone's shoes" será, para quem fala esta língua, o suficiente para trocar de lugar com outra pessoa. Quererá isto dizer a mesma coisa?

Convenhamos que as expressões idiomáticas são pistas tortuosas mas significativas daquilo que nos vai na alma... e debaixo da pele.

terça-feira, março 20, 2012

Gramática

Recebi um e-mail com a seguinte lição: 
Curso Rápido de Gramática: 
- Filho da puta é adjunto adnominal, quando a frase for: ''Conheci um político filho da puta". 
- Se a frase for: "O político é um filho da puta", é predicativo. 
- Se a frase for: "Esse filho da puta é um político", é sujeito. 
- Porém, se apontares uma arma à testa do político e disseres: "Agora nega o roubo, filho da puta!" - é vocativo. 
- Finalmente, se a frase for: "O ex-ministro, aquele filho da puta, arruinou o país e não só" - é aposto. 
Que língua a nossa! 
Vejamos a seguinte frase: 
"Saiu de ministro e foi viver para França e ainda se acha o salvador da Nação." 
O "filho da puta" aqui é sujeito oculto...

Assim se aprende gramática.








terça-feira, março 27, 2007

A Personagem

Personagem, s. f. (fr. personnage). Pessoa considerável, ilustre: uma alta personagem. Pessoa que toma parte na acção de uma obra literária. Figura dramática: as personagens de Shakespeare.

É assim que vem no Dicionário Prático Ilustrado que costumo consultar. "Personagem" é um substantivo feminino! Ouço dizer tantas vezes "o" personagem que até me salta a tampa! Ainda hoje em entrevista televisiva, a propósito da peça que estreou no Maria Matos em Dia Mundial do Teatro, Diogo Infante, uma personagem do meio teatral que muito prezo e admiro, falou "do" personagem que interpreta, um sacerdote. E anda a passar uma série de programas em que Diogo coloca questões relacionadas com a arte de bem falar português...
Estará a escapar-me alguma coisa? Personagem poderá dizer-se no masculino? Não me consta. Quer-me mais parecer uma daquelas situações em que a asneira é tantas vezes repetida que acaba por tornar-se quase a forma correcta. Há personagens masculinas e personagens femininas mas são todas personagens. Mesmo numa cena com 500 camionistas barbudos teremos que referir as 500 personagens, ponto final.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Coisa estranha (ou nem por isso?)


"O Ministério da Educação promete tomar uma "decisão final e definitiva" sobre o futuro da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS) quando terminar o actual ano lectivo, não excluindo para já "qualquer cenário", desde a generalização dos novos termos gramaticais ao seu abandono ou reconversão total."


DN digital


Mais uma vez o que impressiona não é a excelência científica do projecto mas o autismo de quem o tenta implementar. Não discuto a qualidade do trabalho dos linguistas que nos querem fazer reviver os prazeres das universidades medievais, quando a gramática era considerada uma arte. Não discuto a necessidade de ensinar e aprender essa antiga arte nas escolas de hoje. Nada disso está em causa.

O que arrepia é imaginar um professor de Português do ensino básico a ter de ensinar a TLEBS a uma turma de 28 alunos dos quais 14 sabem ler e os restantes são capazes, apenas, de escrever. Os currículos do Ensino Básico são de uma megalomania babilónica mesmo sem terem a TLEBS no topo, a enfeitar o bolo.

O que arrepia é perceber que as decisões são tomadas por personagens de ficção e não há ninguém, no mundo real, que lhes ponha travão.