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domingo, julho 15, 2018

Massacre

Dêem-se as voltas que se queiram dar, olhe-se o nosso tecido social do direito ou do avesso, o resultado da observação é sempre o mesmo: subalternização e esmagamento dos mais fracos perante as instituições, estatais ou privadas, tanto faz. A nossa sociedade é desigual, é injusta e não protege os mais desfavorecidos, como seria de esperar de uma sociedade que se afirma democrática.

A cada dia que passa vai crescendo o fosso em volta do castelo da riqueza, vão-se multiplicando os crocodilos que o povoam e que protegem os felizes locatários. A distribuição da riqueza produzida é cada vez mais assimétrica: os ricos muito mais ricos, os pobres muito mais tristes. Não nos venham com tretas, a luta de classes só não existe porque não é de uma luta que se trata, é um puro e simples massacre.

Vão distraindo o povo com papas e bolos, fingem ser prejudicados por políticas que lhes cerceiam a liberdade de enriquecer... mas que mais querem os ricos e poderosos? Quando saciarão a sua gula por riquezas e poder? Será necessário que tudo morra, que tudo desabe e impluda para que algo mude sem que fique tudo na mesma?

sábado, março 24, 2007

Ressuscitar um fantasma


Peguei num post que tinha deixado por aqui há uns dias e escrevi esta carta ao Director do Público que já é quase um amigo, tantas são as que lhe escrevo!


Ressuscitar um fantasma


Saiu no Público no dia 15 de Março (página 11) uma noticiazinha assinada por Isabel Leiria com o sugestivo título: Estudos e ocupação dos pais determinam acesso ao superior. Ao longo de duas singelas colunas a jornalista cita um estudo de duas investigadoras que se deram ao trabalho de evidenciar uma evidente evidência: o acesso da juventude portuguesa ao ensino superior continua relacionado com as habilitações académicas, o rendimento e a ocupação (profissional ou outra) dos pais.Só mesmo quem tenha passado uma temporada valente a viajar pelo espaço exterior em busca de vida inteligente para lá da Colunas de Hércules poderia imaginar que a democratização, encetada após a revolução de Abril de 1974, havia esbatido em definitivo o fosso que separa o castelo dos mais ricos da rua mal calcetada dos mais pobres. Nem em sonhos.Não só temos vindo a assistir a um alargamento daquele fosso como parece estar cada vez mais profundo. A pobreza manifesta-se das mais variadas formas e a de espírito também entra nestas contas. Note-se que a simples condição económica não se traduz em elevada capacidade académica. É necessário juntar-lhe uma capacidade cultural ligeiramente superior à média (pelo menos) que entre nós nem sequer é particularmente elevada.Sendo assim, as classes dominantes continuam a dominar e as dominadas debatem-se com a ferocidade possível para saírem do buraco onde tendem a afundar-se. Se a via académica rebentar, podem sempre tentar a via mediática através de um Big Brother qualquer e aparecer nas capas das revistas chunga, mas isso é tão efémero como um peido de cão.
A sociedade que estamos a ajudar a construir não tende para o equilíbrio nem é esse o objectivo da coisa. Talvez a maioria dos cidadãos acredite na possibilidade de encontrar uma fórmula mágica que nos permita reduzir o tal fosso entre a riqueza ostentatória e a indigência vegetativa, mas, por muito que se consiga reduzir, será sempre um fosso imenso e aparentemente injusto. Anda por aí uma minoria silenciosa que vai acautelando de forma sistemática os seus interesses e mantendo a segurança dos palácios que habita.
A Educação constitui uma via possível para encurtar tais distâncias. Os socialistas utópicos do século XIX viram na generalização do ensino público uma ferramenta decisiva para a promoção da mobilidade social e a aposta dos sistemas democráticos nesse sentido é mais que uma obrigação, é quase uma fatalidade! A utopia social democrática esbarra violentamente no muro intransponível que o capitalismo selvagem constrói em volta dos seus interesses desumanos. Ao permitirmos que a Economia fosse elevada à categoria de divindade suprema perdemos o controlo das causas sociais. É tudo calculado em função dos cifrões e dos milhares de milhões que se investem aqui e ali, como se as pessoas não contassem para nada e o dinheiro, por si só e de forma completamente autónoma, pudesse resolver os problemas que nos vão sendo colocados na vida quotidiana.
De cada vez que se fala de Educação lá vêm à baila os milhões e as percentagens e os salários e todo o habitual relambório de números para isto e para aquilo que tudo justificam e clarificam para que, no fim de contas, tudo fique na mesma ou até um pouco pior. Enquanto não assumirmos que a equidade educativa não passa de uma miragem (por muito que nos custe admitir tal monstruosidade) não conseguiremos ultrapassar o limiar da mediocridade em que nos encontramos, estáticos como avestruzes de cabeça enterrada a procurar não sabemos o quê, perdido nas profundezas da areia. Há quem consiga ultrapassar todas as barreiras e ascender na inclinada pirâmide social. O actual Presidente da República Portuguesa é um bom exemplo disso, apesar de tudo.
Talvez esteja na altura de ir ao baú buscar velhos conceitos que estão mesmo a pedir novas reflexões paradigmáticas, sem dogmas nem ressentimentos demasiado azedos. A luta de classes é um bom exemplo de um fantasma a ressuscitar. Sem armas na mão nem guilhotinas na praça pública. Só para tentarmos abrir um pouco melhor os olhos.

quinta-feira, março 15, 2007

Lutar para quê?

Continuando a reflectir um pouco sobre a questão: A luta de classes existe? fico um pouco embaraçado por não ser capaz de pensar a direito, muito menos pensar com clareza. Não é vergonha que dure muito ou faça corar, antes uma espécie de embaraço.
Verdade, verdadinha, tenho alguma dificuldade em identificar o operariado ou deslindar por onde andam os camponeses de hoje em dia. A impressão que fica é que se trata de espécies em extinção no nosso país, mais ameaçadas que o bacalhau da Noruega!
Terá sido isso que fez imaginar o pessoalzinho que a luta de classes acabou? Quero dizer, a diluição das classes trabalhadoras numa mistela sem forma nem conteúdo, uma espécie de massa aspirante à felicidade que só o dinheiro pode dar? Os capitalistas (ena pá, há quanto tempo não escrevia esta palavra!) descobriram o ovo de Colombo: "Se não os podes vencer, transforma-os em ti próprio!" Nada pior para as classes trabalhadoras poderem sonhar com virem a passar-se para a classe patronal. O sonho comanda a vida, dizia a cançoneta. Então não comanda! Quem percebeu isso melhor foram as classes dominantes que facilmente manipularam os sonhos de quem pouco ou nada tem envenenando-lhes os sonhos com os seus próprios pesadelos, até transformar o inimigo em falso amigo e vice-versa. Confuso? Também acho.
Lá no fundo, bem fundinho, uma questão vai ganhando forma e conteúdo. Se eu (trabalhador) aspiro a ser patrão ou, pelo menos, ter um modo de vida semelhante ao do meu patrão, porque hei-de lutar contra aquilo que sonho vir a ser? Não faz qualquer sentido. O Capital descobriu a forma ideal de domar as massas trabalhadoras. Permitindo-lhes o acesso a pequenas maravilhas que a tecnologia transforma em produtos baratos vai mantendo a ilusão de que todos poderão garantir um lugarzinho no paraíso do capital. Assim se vão entretendo os tolos, já não com papas e bolos mas com telemóveis e écrãs planos, calças Levis e camisas de marca. Coisas facilmente comercializadas ao preço da uva mijona, para gáudio da populaça.
Domina-se o monstro transformando-o em cordeiro, mesmo que o pêlo seja sempre de fraca qualidade e o seu balido soe eternamente como uma corneta de plástico.
A luta de classes não acabou. Apenas estamos confusos ao ponto de não percebermos a que classe pertencemos. Andamos anestesiados.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Maquinação

Posso estar a ficar paranóico, pode ser mera alucinação, mas tenho uma suspeita a bater-me na cabeça como um tambor à maneira dos Sex Pistols: estão a lixar a Escola Pública... de propósito!!!
Rais parta se não está tudo a convergir para que esta ideia meio destrambelhada ganhe sentido a cada dia que passa. Aliás, não será apenas a Escola que está a perder terreno, são demasiados sectores que vêem a ratazana do estado a fugir antes que as barcaças se afundem. Ele é a saúde, ele é a agricultura, as pescas, até a soldadesca se agita reclamando do Orçamento de Estado. Mas que raio de merda é esta? O que se passa?

No sector do ensino a tramóia já vem de longe. Desde há demasiado tempo a esta parte que os ministros que sentam o cú nesta pasta têm desinvestido forte e feio. A actual ministra então, abusa, como todos podemos ver. Menos dinheiro, anuncia o Ministro das Finanças e do Ensino nem um pio. Silêncio canino, obediente. Asneiras inacreditáveis cometidas a um ritmo alucinante e sem consequências de maior para tantos assassinos da escola pública, a impunidade é total. Ainda têm direito a louvores e carreira política. Cheira mal.

O caos está instalado. O cerco aperta sobre os professores, sobre os bons, sobre os maus, sobre os mais ou menos, levam todos pela medida grossa. Até parece que querem fazer-nos desistir da profissão. Quantos menos melhor. Mais se poupa em ordenados, piores são as condições nas salas de aula, a abarrotarem de criaturinhas com mochilas do tamanho de tanques de guerra. O ambiente está cada vez mais pesado. Dentro de meia dúzia de anos será insuportável.

De vez em quando há umas vozes habilitadas a reclamar o direito de os encarregados de educação poderem escolher livremente as escolas onde vão matricular os rebentos. Privadas incluídas. É claro que os filhos das classes médias também têm o direito de frequentar esses oásis de disciplina (tanga!) e com uma qualidade de ensino superior. É aí que se fala nos célebres cheques-ensino e ninguém treme. O Estado desinveste nas escolas mas investe no subsídio para engordar os lucros das privadas. Lindo! Os pobres terão de se contentar com escolas próximas da dissolução, com livros caríssimos, instalações decrépitas e professores desmotivados. O Destino está traçado.

Os filhos das classes mais favorecidas cumprirão o seu fado. Com um enquadramento familiar favorável e ambiente de trabalho muito superior, lá se vão preparando para ocuparem os cargos de direcção e governação, perpetuando a voracidade da sua condição social.
Cá para baixo, na base da pirâmide, acotovelam-se os mongas, destinados à servidão, ao trabalho precário e a uma existência baseada num desejo impossível de cumprir.

Têm razão os que garantem que não faz sentido falar em luta de classes. Não é uma luta, na verdade é mais uma guerra que aí vem.