segunda-feira, fevereiro 24, 2020

A guerra

Anda o mundo agitado pela angústia causada por um novo vírus. Pergunto-me se será razão para tão grande alarme.

Se este vírus tivesse surgido há uns 100 anos atrás decerto não iria desassossegar do mesmo modo os nossos antepassados. Por um lado não teria à disposição a extraordinária ribalta que é o aparato mediático contemporâneo, capaz de transformar qualquer peido num autêntico mar de merda; por outro não haveria esta capacidade de espalhar por toda a superfície planetária uma maleita manhosa como esta pois a indústria do turismo voador ininterrupto não existia. Era uma coisa muito intermitente, incapaz de colocar pessoas infectadas em cada canto do mundo com uma rapidez estonteante.

Vivemos na Aldeia Global, estamos a comportar-nos como aldeões?

Esta história fez-me lembrar um conto de Leopoldo Lugones intitulado Os cavalos de Abdera no qual... talvez possas ler o conto, amigo leitor, e depois me dirás se há alguma sombra de lógica nesta minha comparação. Passando adiante: é como se os vírus tivessem algum tipo de inteligência e fossem capazes de definir estratégias guerreiras.

É a guerra.

domingo, fevereiro 09, 2020

Paz de espírito

O desconhecido pode provocar em nós angústias injustificadas. Só poderemos ter consciência dessa injustificação caso o desconhecido seja revelado. Se, por acaso, essa revelação nunca acontecer poderemos viver numa ignorância constante, em permanente equilíbrio sobre o fio da navalha mas sempre com um plácido sorriso nos lábios e uma pena de pintainho no lugar do coração.

quarta-feira, fevereiro 05, 2020

Morbidez cósmica

Um dia todo o meu corpo será esquecimento.
Até as estrelas morrem, caraças!

sábado, fevereiro 01, 2020

Say see you

E pronto, it's done, o Reino Unido cortou amarras da União e voga agora, alone, nos mares da Globalização. Sou pouco versado em política internacional mas isto, assim às primeiras, parece uma bad idea. Mas posso estar enganado.

Não sei bem o que irá mudar. Antes mesmo de Portugal ter entrado para a União já a Great Britain preenchia o meu imaginário muito por via da Pop Culture e não estou a ver que isso possa mudar significativamente com o Brexit. Como não sou um business man talvez não sinta a coisa no pêlo.

A sensação incómoda é a de que há um mundo inteiro a fazer pressão no sentido de esvaziar a União Europeia do seu significado. Russos, chineses, árabes e agora até mesmo os Estados Unidos da América, todos nos olham com desdém, como se devolvessem uma certa arrogância civilizacional que nos caracteriza.

Sem o Reino Unido ficamos mais pequenos, mais frágeis, reduzidos. Não há como ignorar isso. Mas pronto, cumpriu-se a vontade da maioria dos votantes lá da ilha. Resta dizer see you later e pouco mais. Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas. Assim será amanhã e depois, e depois, e depois, ...

quarta-feira, janeiro 29, 2020

Lengalenga

Compra; poupa; aproveita; oferece; ganha! Sê feliz. Eles estão atentos às tuas necessidades, querem que te sintas bem, que não te falte nada. Encomenda; telefona; faz online; vive a vida sem limites; nada se te compara: o espectáculo és tu! 

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Viver a vida

Encontrar motivação para viver mais um dia é algo em que raramente pensamos. Limitamo-nos a viver, é tão simples! Afinal de contas somos animais. Será que a doninha sofre de depressão e o leão-marinho pensa na família quando sai para caçar? Até que ponto estamos em pé de igualdade com um pombo correio?

Hoje, mesmo antes de ligar o interruptor, quando o quarto estava escuro e o dia ainda não nascera, hoje pensei como será o despertar de um animal como eu que tenha acordado numa zona de guerra (partindo do princípio que se consegue dormir quando a nossa casa pode ser atingida a qualquer momento por um míssil assassino). Qual a motivação para o dia que segue quando nos falta tudo, principalmente a certeza de que é um mundo pacífico aquele que está do lado de lá da porta?

Haverá distinção entre viver e sobreviver?

sexta-feira, janeiro 24, 2020

Desinformar

A manipulação das nossas cabecinhas é implacável. A nossa opinião pessoal é um saco de boxe onde alguns filhos-da-puta treinam diariamente, horas a fio, martelando-nos insistentemente com notícias do mais variado teor, com tendência preferencial para as que são fabricadas à medida dos interesses que lhes enchem a peida. Pof, tumba, catrapumba, pof, pof; os socos chovem sobre a nossa mente desprotegida, indefesa, a precisar de pomada e compressas nos hematomas.

Há assuntos e notícias que se estendem no tempo, em campanhas de longa duração; outros são de consumo rápido, bastam uns poucos dias, pouquinhos mesmo, e dá-se por encerrado o assunto, está tudo resolvido. A campanha avança à uma em jornais impressos, canais de "informação" televisivos, rádio, redes sociais e internet de um modo geral: é uma avalanche, um tsunami, uma força incontrolável que leva à frente a verdade, a mentira e o pouco mais ou menos. Não fica nada.

Se fores vítima de uma campanha destas não te adianta nada seres inocente caso alguém insinue que és culpado. Talvez te safes no Juízo Final. Pode ser que Deus não se deixe iludir por estas manigâncias mas não convém confiar demasiado nas Suas capacidades.