No último mês dediquei grande parte do meu tempo à execução de 5 pinturas em superficíes quadrangulares de 1 metro de lado. Se tudo correr conforme o previsto irei expor estes trabalhos num bar/oficina de bicicletas que fica em Cacilhas, o Mundofixie. O título da coisa será 5m2; óbvio. A organização do evento tem o selo do Cidadão Exemplar.
Aqui ficam imagens dos trabalhos a apresentar nessa exposição que ainda não tem data marcada.
De cima para baixo: "Escravos do Dever"; "Marilyn"; "Nightmare in Escola Primária Street"; "O Mundo Morreu na Guerra" e "Canção de Embalar".
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sexta-feira, setembro 05, 2014
domingo, dezembro 29, 2013
Ver
Três magníficas obras em Veneza
Ontem vi pinturas de Tintoretto na Galleria dell'academia em Veneza. Vi outras obras de grandes artistas mas foram as pinturas de Tintoretto que me preencheram. A pintura deste gajo parece mentira, parece milagre, parece extraterrestre. É deslumbrante.
Esta figura flutua, literalmente, sobre o altar da capela
Hoje estou em Roma e fui à capela Sistina. Se esquecer o facto de me ter sentido como sardinha em lata ou ovelha num rebanho pastoreado por gajos maus (no photo, no video, go the left e sei lá que mais) posso dizer que vi outro milagre.
Diz o ditado católico que "ver é pecar", é mas é o caraças! Ver é uma dádiva divina quando se vêem coisas como as que vi ontem e vi hoje. A viagem já valeu a pena, mas isso já eu suspeitava.
segunda-feira, junho 04, 2007
Imagem alucinante
Neste sítio http://haltadefinizione.deagostini.it/ pode-se encontrar uma alucinante visão de um fresco da Renascença italiana. A possibilidade de ampliação da imagem permite ao observador compreender melhor alguns "truques" da pintura mostrando até que ponto a reprodução fotográfica através da qual contactamos as obras pode induzir-nos em certos e determinados erros de apreciação.
sábado, outubro 21, 2006
É a pintura artesanato?
http://www.sfmoma.org/images/ma/exhib_detail/bill_viola3.jpg
Estará a pintura a reduzir-se? A princesinha das belas-artes (não há que temer o kitsch, já não faz sentido, ahahahah) estará a ser traída pelos seus próprios guardiões? Nos dias que correm o vídeo tem vindo a chegar o rabiosque ao trono e já há quem lhe preste vassalagem com maior devoção que à pintura. Ai, ai, atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir. Então que venham!
Lá vai o tempo da escultura. Os grandes escultores clássicos, gregos, renascentistas, o imortal Bernini (http://www.artchive.com/artchive/B/bernini.html) talvez o maior de todos os tempos, foram postos a um canto pela versatilidade dos pintores do século XIX/XX que puseram a sua arte no centro da reflexão estética. Pensar a arte era fazer pintura. A escultura parecia coisa demasiado pesada, demasiado objectual para poder ilustrar conceitos puros acerca da arte. Bons tempos para os artistas pintores. Mesmo o grande Duchamp se dividiu entre pensar, pintar, fazer, inventar um novo sentido para a criação artística. Ah, o Grande Vidro (http://www.beatmuseum.org/duchamp/bride.html)! O espaço envolvente sugado pelo objecto plástico, a revolução total no ser artista, fazer arte a partir do nada. Caramba, deve ter sido demais!
Reinventar uma linguagem milenar, criar novas fronteiras no espaço sideral do pensamento humano, os pintores incharam como o sapo que fuma, convencidos que na pintura estava tudo o que poderia interessar ao discurso estético, como se a pintura fosse "a" arte (a tal princesinha). E, tal como o sapo, PUM! Rebentaram (rebentámos) deixando um jacto de fumo que estabiliza em nuvem passageira e começa já a sturar-se na paisagem.
Depois da composição "Branco sobre Branco" de Malevitch (http://www.a-r-t-asso.org/ully/malevitch_blanc/presentation.htm) não restou mais nada para inventar. A pintura tornou-se um infindável processo de citação. As pinturas mais agressivas que já vi em dias de vida foram deste russo maluco numa exposição intitulada Malevitch e o Cinema, no CCB, que visitei com o Fernando Ribeiro já nem sei quando.
É estranho como a pintura à medida que vai anulando o objecto da sua superfície gera mais e mais ideias, palavras, textos e reflexão. Quanto menos referências ao mundo circundante mais falatório, maior necessidade de dizer aquilo que não está lá e que, em boa verdade, a maioria dos mortais não vê se ninguém lhe contar a história daquilo que vê e deve pensar. A pintura é então substituída pela crítica e morre um pouco. Deixa de ser o que é suposto ser para se transformar em reflexão pura, conceito.
Já Cézanne (http://www.expo-cezanne.com/2.cfm) advogava a ideia de que o pintor deveria evitar a literatura no seu trabalho para se dedicar a uma arte baseada nos elementos básicos da linguagem visual. Sinceramente, as pinturas deste mestre parecem-me sempre demasiado presas e pouco estimulantes. O seu valor é, a meu ver e tal como Malevitch, mais conceptual do que objectual. Qualquer obra de Ingres é bem mais espectacular!
Resumindo: de tanto reflectir sobre si própria, a pintura acabou por sugerir um certo esgotamento vendo-se, nos dias que correm, ultrapassada pelo vídeo nas preferências dos novos artistas. Pintar é quase como fazer artesanato. É um trabalho sujo, difícil, um trabalho que exige demasiado do artista. Num tempo em que tudo tende a ser normalizado, embalado e pronto a consumir, o tempo de aprendizagem e de realização exigido pelas técnicas pictóricas parece, cada vez mais, um arcaísmo. O tempo, agora, é muito mais rápido.
A vida não está fácil para a pintura que se chega ao campo do artesanato por oposição às novas tecnologias da imagem luminosa e em movimento.
Será tanto assim, ou estarei a exagerar?
Estará a pintura a reduzir-se? A princesinha das belas-artes (não há que temer o kitsch, já não faz sentido, ahahahah) estará a ser traída pelos seus próprios guardiões? Nos dias que correm o vídeo tem vindo a chegar o rabiosque ao trono e já há quem lhe preste vassalagem com maior devoção que à pintura. Ai, ai, atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir. Então que venham!
Lá vai o tempo da escultura. Os grandes escultores clássicos, gregos, renascentistas, o imortal Bernini (http://www.artchive.com/artchive/B/bernini.html) talvez o maior de todos os tempos, foram postos a um canto pela versatilidade dos pintores do século XIX/XX que puseram a sua arte no centro da reflexão estética. Pensar a arte era fazer pintura. A escultura parecia coisa demasiado pesada, demasiado objectual para poder ilustrar conceitos puros acerca da arte. Bons tempos para os artistas pintores. Mesmo o grande Duchamp se dividiu entre pensar, pintar, fazer, inventar um novo sentido para a criação artística. Ah, o Grande Vidro (http://www.beatmuseum.org/duchamp/bride.html)! O espaço envolvente sugado pelo objecto plástico, a revolução total no ser artista, fazer arte a partir do nada. Caramba, deve ter sido demais!
Reinventar uma linguagem milenar, criar novas fronteiras no espaço sideral do pensamento humano, os pintores incharam como o sapo que fuma, convencidos que na pintura estava tudo o que poderia interessar ao discurso estético, como se a pintura fosse "a" arte (a tal princesinha). E, tal como o sapo, PUM! Rebentaram (rebentámos) deixando um jacto de fumo que estabiliza em nuvem passageira e começa já a sturar-se na paisagem.
Depois da composição "Branco sobre Branco" de Malevitch (http://www.a-r-t-asso.org/ully/malevitch_blanc/presentation.htm) não restou mais nada para inventar. A pintura tornou-se um infindável processo de citação. As pinturas mais agressivas que já vi em dias de vida foram deste russo maluco numa exposição intitulada Malevitch e o Cinema, no CCB, que visitei com o Fernando Ribeiro já nem sei quando.
É estranho como a pintura à medida que vai anulando o objecto da sua superfície gera mais e mais ideias, palavras, textos e reflexão. Quanto menos referências ao mundo circundante mais falatório, maior necessidade de dizer aquilo que não está lá e que, em boa verdade, a maioria dos mortais não vê se ninguém lhe contar a história daquilo que vê e deve pensar. A pintura é então substituída pela crítica e morre um pouco. Deixa de ser o que é suposto ser para se transformar em reflexão pura, conceito.
Já Cézanne (http://www.expo-cezanne.com/2.cfm) advogava a ideia de que o pintor deveria evitar a literatura no seu trabalho para se dedicar a uma arte baseada nos elementos básicos da linguagem visual. Sinceramente, as pinturas deste mestre parecem-me sempre demasiado presas e pouco estimulantes. O seu valor é, a meu ver e tal como Malevitch, mais conceptual do que objectual. Qualquer obra de Ingres é bem mais espectacular!
Resumindo: de tanto reflectir sobre si própria, a pintura acabou por sugerir um certo esgotamento vendo-se, nos dias que correm, ultrapassada pelo vídeo nas preferências dos novos artistas. Pintar é quase como fazer artesanato. É um trabalho sujo, difícil, um trabalho que exige demasiado do artista. Num tempo em que tudo tende a ser normalizado, embalado e pronto a consumir, o tempo de aprendizagem e de realização exigido pelas técnicas pictóricas parece, cada vez mais, um arcaísmo. O tempo, agora, é muito mais rápido.
A vida não está fácil para a pintura que se chega ao campo do artesanato por oposição às novas tecnologias da imagem luminosa e em movimento.
Será tanto assim, ou estarei a exagerar?
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