Tal como a esmagadora maioria dos mortais também eu fiquei de queixo caído com a notícia da renúncia de Bento XVI ao cargo que Deus lhe confiara. Deus, decerto, terá sido o 1º a saber (Terá Ele sabido ainda antes do próprio Ratzinger? Estou em crer que assim foi.)
Bento XVI coloca uma nova questão: entre a dimensão humana e a divina fica o quê? Sim, porque João Paulo II mostrou à humanidade que o corpo humano não tem capacidade para conter a divindade.
O Papa Wojtyla penou a bom penar nos últimos tempos em que desempenhou o papel de representante de Deus na Terra. Torto de doença, decrépito e extenuado, carregou a cruz da sua suposta divindade até ir desta para melhor.
Imediatamente elevado à categoria duvidosa de Santo após bater a caçoleta, João Paulo II foi a imagem inequívoca da fragilidade dos mitos. Ratzinger veio colocar um ponto final a este exagero de forma. Ao renunciar, o Papa confessa-se humano e poupa-nos à desumanidade da mitologia católica apostólica romana.
Finalmente, no momento da despedida, Bento XVI ganha alguma da pouca admiração que o meu preconceito lhe poderia jamais dispensar. "Adeus ó vai-t'embora" como diz o povoléu. Que a vida te seja, finalmente, leve, ó Papa.
