Mostrar mensagens com a etiqueta poluição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poluição. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, junho 03, 2015

Porcaria nas ruas

As ruas estão a ficar com um ambiente mais poluído. A porcaria sai dos tubos de escape de carros, motos e autocarros. Os detritos característicos de uma sociedade de consumo atapetam os passeios e enfeitam as bermas das ruas alcatroadas. Papéis das mais variadas proveniências, restos de coisas mais ou menos identificáveis; lixo, porcaria, ruído e mau cheiro. Ok, nada de extraordinário - tudo normal!

Mas as ruas estão a ficar mais poluídas. Há um novo tipo de lixo a incomodar os transeuntes e a emporcalhar os passeios. São os missionários evangélicos, ansiosos por espalhar a palavra do Senhor.

Homens e mulheres de aspecto mais ou menos limpo, mais ou menos arranjado, mas sempre com aquele olhar de falcão disfarçado de pinto, que vão proliferando pelas ruas e avenidas deste subúrbio a que chamo casa.

Olhando bem, vendo a forma como se aprumam ao lado dos expositores que colocam à vista dos transeuntes, brochura na mão, a forma como conversam uns com os outros, como tentam passar uma imagem de bonomia e felicidade, olhando bem, noto que tudo aquilo não é mais que fachada.

Tal como todos os outros (os pecadores) estes seres iluminados pela centelha divina pretendem apenas alguém que os ouça, alguém que lhes dê atenção; tal como todos os outros pretendem ser amados e, se possível, suprema felicidade, ser admirados! Isso sim, caraças... aleluia para isso!!!

A admiração é um bálsamo infalível para as feridas da alma.

O meu problema com estas personagens é que elas não acreditam na liberdade, não são boas pessoas, estão sempre dispostas a apontar o dedo e acender as chamas do inferno para grelhar quem não acredita nas patranhas que elas fingem ser reais.

Esta malta actua como actuariam os vampiros: uma vez mordida, a vítima transforma-se num deles, sem apelo nem agravo, para toda a Eternidade. Que porcaria.

sexta-feira, janeiro 18, 2013

Este reino

A China deixa muitos economistas a babarem-se quando olham os gráficos que indicam o seu forte crescimento económico. Já não bastava à China ser uma espécie de outro mundo dentro deste mundo, ainda tinha que ameaçar destronar os EUA do topo da lista dos países mais ricos do mundo.

Fala-se em milagre económico quando se fala da China? Que os EUA não são milagre nenhum toda a gente já percebeu. Aliás, por alguma razão os Polícias do Mundo, os Paladinos da Democracia, e etc, e tal sempre se recusaram ratificar os acordos climáticos internacionais. Era necessário proteger a indústria, ao que parece. Na China está a passar-se algo (muito) vagamente semelhante, é preciso apostar na indústria e no desenvolvimento económico...

Estas apostas implicam o desdém pela qualidade ambiental. É assim mesmo, não há meio termo. Portugal vai ser processado pro Bruxelas por incumprimento das normas europeias relativas à poluição atmosférica e, no entanto, tem uma indústria moribunda, quase patética. Como pode competir comercialmente com países onde não há regras a este nível? Como pode a Europa competir com a China e os EUA? Não pode.

Ficamos a saber que, neste reino de Deus, os que tentam manter o planeta em condições um pouco menos infernais, estão condenados ao desastre económico. Caso tivéssemos dúvidas ficamos a saber que a economia devora o planeta. O bem-estar da espécie é, afinal, o quê? Consumir? Parece que sim, até à destruição total.

Estamos fritos (ou talvez estejamos cozidos, não sei bem).

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Estranha beleza

Nesta vida tudo se paga, nada nos é oferecido. Os americanos dizem que "não há almoços grátis", os  portugueses afirmam que "quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga", cada povo reza as suas sentenças o que mostra muito da forma como vê o mundo que o rodeia.

A notícia de que Pequim está encerrada numa colossal nuvem de poluição não deverá surpreender ninguém (ver aqui). A degradação das condições de vida é o preço a pagar pelo extraordinário crescimento económico. A China não pode tornar-se a maior economia do mundo sem pagar bem paga tal façanha. É este o modelo civilizacional a que aspiram as grandes nações do nosso mundo?

Vejamos a coisa pelo lado das oportunidades; um empresário com visão de futuro e olho para o negócio poderá investir na criação, produção e comercialização de uma linha de máscaras de oxigénio. É um produto com muito futuro nos mercados asiáticos hoje e, amanhã, no resto do mundo! A economia é uma ciência autónoma e tem a sua estranha beleza.

domingo, maio 30, 2010

Lixo


Os graffiters que emporcalham as paredes com tags têm razão quando perguntam porque ficam tão indignados os demais cidadãos perante o resultado dos seus devaneios individualistas.

A publicidade nas ruas é outro tipo de emporcalhamento visual mas não parece incomodar tanto o povinho. Placards, cartazes, panfletos, lixo!

Lembro-me vagamente de ser uma criança e de não compreender muito bem o significado da palavra poluição. Naquele tempo a sociedade de consumo era ainda uma miragem e Portugal um país demasiado pobre para produzir os milhões de toneladas de lixo que agora produz alegremente.

O significado da palavra poluição ganhou sentido quando, consultando um livro de Educação Visual, deparei com uma imagem (não recordo qual) que explicava o conceito de poluição visual. Assim era fácil de perceber.

A foto que ilustra este post foi tirada perto de minha casa. As árvores ainda disfarçam um pouco mas o lixo tudo conquista de forma triunfal. Vivemos envoltos numa pesada nuvem de poluição visual que nos intoxica o pensamento e nos deixa a alma maltratada.

Nem sempre nos apercebemos disso, mas a intoxicação é um facto.