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sábado, outubro 29, 2016

Apetite por papel

Pode a designada "arte urbana" ("street art" soa mais fino) ir parar dentro de uma galeria ou de um museu? Perderá fulgor a obra do activista urbano quando exposta num espaço domesticado pelo comércio? 

Bom, se um retábulo de Vasco Fernandes (Grão Vasco para os amigos) pode ser reconstituído no interior de um museu com o nome do mestre, perdendo toda a envolvência mística do local para o qual foi criado e onde foi exposto originalmente, não vislumbro qual o problema de enfiar arte de rua dentro de um edifício. Marcel Duchamp fez-nos entender que estas coisas são muito mais terra-a-terra do que gostaríamos de acreditar. 

A transcendência do objecto artístico está muito perdida nos labirintos das nossas alminhas. Haja saúde que o resto interessa pouco (como diz a minha vizinha do rés-do-chão).

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Homenagem





A arte contemporânea não se cansa de tentar morder a própria cauda, reflectindo sobre si própria num jogo de espelhos infinito e tantas vezes monótono. Deslumbram-se alguns com a sua capacidade de síntese, outros com a complexidade intelectual do artista. 

Com frequência somos conduzidos para espaços imensos, sem referência espacial perceptível nem narrativa que nos permita fingir que olhar para aquilo faz algum sentido. É a velha (e estafada) história do boi e do palácio tantas vezes já contada e utilizada neste blogue.


Vem esta revisitação a propósito da genialidade revelada pela criação de algumas obras de arte de rua, . A síntese sugestiva de muitas delas é absolutamente extraordinária. A forma directa e eloquente como atingem os seus propósitos comunicacionais colocam estes objectos ao nível das maiores criações do génio humano.


Muitas considerações poderia aqui explanar (talvez em próximos posts) mas não pretendo alongar-me. Quero apenas prestar homenagem a tantos artistas geniais, muitos dos quais nem o nome conheço, que muito admiro e muito me fazem pensar.






sexta-feira, novembro 01, 2013

Artista (mais ou menos) imortal

Terminou ontem a residência artística de Banksy nas ruas de Nova Iorque. Os trabalhos realizados foram sendo expostos aos olhos do resto do mundo neste site (clica aqui).

Banksy já se tornou o maior fenómeno da chamada street art e é conhecido um pouco por todo o lado onde houver meios de comunicação de massas que ultrapassem as notícias sobre a lingerie sexy de artistas pimba e os pensamentos profundos de dirigentes e jogadores de futebol. A cada dia que passa Banksy vai-se transformando numa autêntica lenda urbana.

O facto de manter uma identidade secreta faz dele uma espécie de super-herói de banda desenhada. Tal como o Batman ou o Homem-aranha, Banksy está a ser colocado num pedestal  na sala do museu da cultura Pop. Ele é um dos primeiros artistas a garantir que o seu nome fará parte da História da Arte do século XXI. Isto partindo do princípio que haverá alguém para virar a página do calendário para o século XXII.

Banksy já é um artista mais ou menos imortal (como todos os outros). O problema é que a imortalidade já não tem condições de garantir aos que dela gozam o triunfo definitivo sobre a morte. Só um bocadinho.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Ladroagem

Quem diria que ainda havíamos de assistir ao roubo de graffitis? Uma das muitas pinturas murais de Banksy foi roubada em Londres e depois posta à venda num leilão em Miami! (ler aqui)

Enquanto continuamos a discutir se as pinturas nas paredes das cidades são ou não são obras de arte, já vai havendo quem não esteja interessado nas conclusões do debate e faça negócio (ou tente fazê-lo) roubando pinturas das ruas a que pertencem.

Banksy é um fenómeno a todos os níveis.

domingo, março 04, 2012

Arte improvável

As formas de manifestação artística são tão variadas quanto a nossa capacidade de as aceitar e, quem sabe, de as compreender. Muitos de nós continuam a ver arte apenas quando ela está pendurada nas paredes ou assente nos soalhos de locais certificados pela Academia ou pela crítica. Mesmo aí, muitas obras causam polémica e provocam sorrisos trocistas e expressões, no mínimo, jocosas. A Arte Contemporânea não é fácil de "engolir".

Vem esta introdução a propósito de uma notícia publicada no P3 sobre um tal Ben Wilson que, entre outras coisas, anda há sete anos a pintar... chicletes esmagadas no chão de várias cidades por esse mundo fora.
Segundo o The Telegraph, Ben terá produzido mais de 10.000 (sim, dez mil!!!) exemplares desta sua bizarra forma de expressão plástica.

Ao contrário do que acontece com outras estranhas formas de arte, perante esta pintura sobre chicletes poucos dirão a frase do costume: "Isso também eu fazia."

as hiperligações conduzem-te a lugares onde podes admirar alguns exemplares da espantosa pintura de Ben Wilson

domingo, maio 15, 2011

Contemplação

 

Nos últimos dias tenho caminhado. Vou andando por ruas ensolaradas como se isso fizesse sentido mesmo que, aparentemente, não faça qualquer sentido. Apercebi-me que este mundo, o mundo urbano, é cada vez menos contemplado. É uma paisagem para se percorrer em trajectos viciados com o objectivo de ligar pontos mais ou menos distantes, não parece haver uma intenção específica de criar lugares para descansar o espírito ou o olhar que o alimenta. Ou, então, há quem tenha essa intenção mas ela parece não ser apreendida pela maioria dos que percorrem as ruas.

A pé ou de carro ou de autocarro (os que vão em meios de transporte subterrâneos representam o paradigma da situação que tento aqui expor) os olhares parecem não ser capazes de se fixar na paisagem urbana. As pessoas atiram os olhos para o fundo de telemóveis (ou aparelhos desse género) buscando constantemente imagens que não estão ali, à sua volta, como se o objectivo das suas vidas fosse, simplesmente, consumir imagens artificiais que lhes chegam constantemente, produzidas por outras pessoas.

É uma espécie de magia trecnológica que nos coloca em espaços virtuais alternativos e nos rouba ao lugar onde nos encontramos. É como na canção de António Variações  que diz: "eu só estou bem, aonde não estou e eu só quero ir aonde não vou...", fugimos sempre do "aqui e agora" sem nos apercebermos que assim poderemos estar a fugir daquilo que somos, de quem somos. Qual é o problema? Também não sei bem.

É aqui que entra aquilo que chamamos de "street art". Os gajos que pintam as paredes das ruas criam momentos específicos na monotonia da paisagem urbana, roubam-nos a atenção para fora de nós próprios, devolvem-nos o olhar particular e individual que nos caracteriza e distingue uns dos outros e dos bichos que connosco convivem nos esgotos. Tornam possível o acto de contemplar o mundo artificial em que nos movemos como autómatos. "Sujam-no", fazem dele um espaço imperfeito e, como tal, humanizam esse espaço.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Apelo às armas

"PAREDES BRANCAS, POVO MUDO!"
Rua do Arsenal, Lisboa

quarta-feira, fevereiro 28, 2007