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quinta-feira, dezembro 17, 2015

Uma estranha figura

Era um gajo com a pele muito em cima dos ossos, magro, com uma cor amarelada, parecia talhado em cêra. Tinha o cabelo encrespado, puxado para trás, como se um vento maligno lhe soprasse incessantemente na testa. Os olhos muito abertos, como os de um pássaro acabado de sair do ovo, saltavam de jornal em jornal, no escaparate da tabacaria, junto ao cais de embarque.
Que estranha figura, pendurada num esqueleto alto e recurvado. Balançava o corpo perigosamente, podia desabar a qualquer momento. Que estranha figura!

quinta-feira, novembro 06, 2014

Ver habilitações

Diz o povo que "quem vê caras não vê corações" mas não diz que "quem vê caras não vê habilitações".

Há certas personagens que pelo seu simples aspecto parecem trazer estampado no rosto um carimbo de competência profissional em determinada área. Vem isto a propósito de Teodora Cardoso, essa aparente luminária das finanças nacionais.

O "boneco" desta senhora parece confirmar tudo aquilo que se poderia esperar da caricatura de alguém que, sendo mulher, tenha dedicado a sua vida ao estudo da obscura arte negra das finanças. Ela até pode ser uma nulidade, ter algum parafuso desapertado, alguma porca mal rodada mas que tem pinta de entendida na matéria, isso ninguém pode negar.

Teodora (até o nome tem um ressonância que impõe respeito mesmo num corredor de mármore, iluminado por janelas abertas sobre um jardim bem tratado por um jardineiro profissional) é a nossa presidenta: preside ao Conselho das Finanças Públicas e, olhando para ela, ficamos de imediato sossegados; acreditamos que uma mulher assim seja uma trabalhadora incansável que guarda apenas para os números todo o espaço que haja vago lá nas circunvoluções do seu cérebro cinzento.

O povo bem poderia dizer, em honra de Dona Teodora, que "quem vê caras vê habilitações".

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Uma pessoa

Pelo olhar percebia-se logo que era uma pessoa muito grande enfiada num corpo pequenino. Ainda por cima era um corpo mal acabado, como se a Natureza estivesse apressada ou bêbeda no dia em que aquela pessoa extraordinária viu pela primeira vez a luz que ilumina este mundo.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Santa Carolina


Carolina Salgado em pose de santinha barroca exibindo as marcas de uma alegada agressão por parte de Pinto da Costa e dois ajudantes assim narrada em notícia do Record de 7 de Abril de 2006: “O Afonso tentou esganar-me e a minha irmã (Ana), grávida de 3 meses e meio, veio socorrer-me e ainda levou um pontapé na barriga do Nuno Santos. Depois, ainda se virou para mim e mandou-me duas vezes ao chão. Como se não bastasse, e depois de olhar em volta a ver se estava a ser observado, o Jorge Nuno também me deu dois estalos.”

Como se previa o livro "Eu, Carolina" é já um best-seller com a 1ª edição à beira do esgotamento.
A ex-mulher do presidente mais célebre de todos os presidentes portugueses (é mais certo que o cidadão comum se lembre com maior rapidez do nome do presidente do FCP que do presidente da república!) veio botar a boca no trombone fazendo revelações bombásticas que deixam Pinto da Costa nos piores lençóis em que jamais se encontrou.
Se metade das histórias narradas pela pena leve de Carolina forem verídicas Jorge Nuno estará frito, cozido e grelhado, caso a coisa venha a ser esmiuçada pela Polícia Judiciária.
O que irá acontecer? Melhor que qualquer novela, brasileira, portuguesa ou mesmo venezuelana, o enredo deste caso de amores desavindos irá alimentar toneladas de papel coberto por rios da mais negra tinta. Basta ver o destaque dado à coisa no Público de hoje, onde mereceu foto a cores na capa e as duas primeiras páginas deste diário, considerado um jornal de referência. Se foi assim no principezinho dos diários portugueses como irá o assunto ser tratado no pouco lavado Correio da Manhã ou no ranhosito 24 Horas?
Até poderia ser divertido não fosse a gravidade de certas acusações, capazes de fazer corar um cadáver. A mais tenebrosa de todas prende-se com a agressão a um vereador da Câmara de Gondomar por ter feito acusações que estiveram na base do lançamento do já meio estafado Apito Dourado que, com uma sopradela deste calibre, irá decerto regressar em forma e em força.
Carolina assume mesmo o papel de contacto entre o malvado Pinto da Costa e os arruaceiros que desancaram o dito vereador tendo mesmo efectuado o alegado pagamento do prémio por um serviço bem feito (o vereador foi parar ao hospital). Chiça penico, a coisa ferve!
Tudo isto vem mostrar como o arrependimento compensa já que o vereador agredido perdoou a Carolina a sua suposta participação no alegado espancamento, ele quer mesmo é entalar o Presidente... mas, em tribunal, não sei se a agora Santa Carolina se safará sem castigo caso venha a ser provado que as coisas se passaram conforme ela as conta. Seria grotesco mas, na verdade, por enquanto tudo isto existe apenas em forma de livro, no limbo da ficção e a precisar de provas substanciais que dêm crédito a tanta coisa bombástica.
É que uma mulher capaz de fazer coisas como aquela pode muito bem estar a mentir com quantos dentes tem na boca... ou não!
Aguardam-se os próximos episódios desta novela que já está no coração dos portugueses.
Apaixonante!!!