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segunda-feira, julho 04, 2016

Fronteiras

As fronteiras recomeçam a ganhar forma no interior da Europa. Cada dia que passa amanhece com certas fronteiras até aqui adormecidas que voltam a acordar para a vida de forma inquietante.

Nos limites físicos da União erguem-se muros e regressa o arame farpado. Dentro da própria União surgem nacionalismos revigorados que começam a marcar certas fronteiras, primeiro ideológicas que, mais tarde, tenderão a tomar formas mais palpáveis e agressivas.

Parece-me que vão ganhando nitidez certas diferenças entre os países do centro da Europa, principalmente os que faziam parte da Europa de Leste antes da queda do Muro de Berlim, e os países que estavam deste lado dessa terrível fronteira.

Olhando para a Polónia, a Eslováquia, a República Checa e a Hungria, para citar os casos que me parecem mais evidentes, assistimos a um nítido crescimento da influência política de forças da extrema direita, forças revolucionárias nestas áreas geográficas. Para um cidadão português ou espanhol, isto parece terrível. Ainda mais quando em França  ou na Áustria também forças com este pendor extremista ameaçam ganhar o poder.

A União terá de reflectir sobre qual é o caminho comum que pretende propor aos cidadãos dos, agora, 27 países membros. Há algum plano, algum objectivo, alguma ideiazinha, por pequena que seja, que vá para lá das questões económicas, alguma proposta civilizacional que estejamos dispostos a transformar em bandeira comum?

Enquanto andamos para aqui, feitos baratas tontas, a patinhar de um lado para o outro no meio do lixo ético e ideológico, as fronteiras vão ganhando nitidez, vão-se levantando, regressam em todo o seu tenebroso esplendor.

domingo, outubro 01, 2006

In God we trust

Construção do muro de Berlim

"Depois de a Câmara dos Representantes ter dado o seu aval, o Senado norte-americano aprovou sexta-feira a construção de um muro duplo com uma extensão superior a 1100 quilómetros na fronteira com o México, de forma a evitar a entrada de imigrantes ilegais no país. A decisão final está agora nas mãos do Presidente George W. Bush."

Entre Agosto de 1961 e Novembro de 1989, o muro de Berlim foi um símbolo terrível na velha Europa. Os Estados Unidos preparam-se para construir outro muro. Tal como em Israel.

A terra da Liberdade fecha-se à imigração clandestina da pior forma. Fecha-se da forma mais estúpida e, decerto, ineficaz, construindo um símbolo da sua incapacidade de confrontar a questão da pobreza com medidas mais humanas que possam, eventualmente, constituir resposta à altura do problema e da própria imagem que os EUA (ainda) reflectem no imaginário de tantos milhões de cidadãos do mundo por esse mundo fora.
Um novo muro da Vergonha.

Que fazer no Sul da Europa? Na impossibilidade de erguermos um muro no Mar e outro no Oceano como iremos tentar dar uma resposta à altura da situação criada pelas vagas de imigrantes que nos chegam vindos de África?

A estátua da Liberdade vai continuar tal como está? Não é ela um sinal de boas-vindas a todos os que procuram a terra prometida do norte da América? Pois, os mexicanos entram por outra porta. A maior parte deles nem nunca chega a pôr os olhos nessa estátua. Dá-se por feliz em ter um postal à cabeceira da cama. Se tiver a sorte de ter uma.

Pelos vistos já nem em Deus os americanos confiam. Já não confiam em nada nem em ninguém.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Ondas do mar

As vagas sucessivas de imigrantes clandestinos oriundos de África que vêm bater nas praias espanholas colocam algumas questões que nem sempre são consideradas. Já se sabe que vêm em condições sub-humanas, que são enganados pelos traficantes, que arriscam tudo e a própria vida nestas viagens aventurosas mas o que esperam encontrar estes homens e mulheres vindos não sabemos bem de onde?

Quando os regimes totalitários de inspiração comunista se dissolveram após a queda do Muro de Berlim houve um episódio estranho que, na época, deixou o "lado de cá" de queixos caídos. Estou a referir-me a um navio que chegou à costa italiana a abarrotar de albaneses. Não me recordo do nome do navio mas lembro-me que a imagem daquela autêntica "nave dos loucos" foi utilizada pela Bennetton numa das suas características campanhas mediáticas. A imagem que os passageiros do navio tinham construído baseava-se em imagens televisivas. Que significado poderiam ter numa Albânia fechada sobre si própria os anúncios publicitários ou as séries televisivas que ali chegavam, ainda por cima faladas em línguas impenetráveis e incompreensíveis?

Lembro-me também de um documentário que entretanto passou na TV sobre a realidade albanesa (ou sobre o julgamento que fazíamos dela). Um amigo meu brincava dizendo que, segundo as estatísticas, havia na Albânia um sapato por habitante e aquilo que se nos revelava não andava muito longe dessa macabra visão. Numa entrevista a um "chefe de aldeia" o repórter perguntava como era viver num país tão pobre, onde tudo faltava e sem liberdade de expressão. A resposta que aquele homem magro, vestido num miserável fato e camisa branca meio desalinhada, deu nunca mais a esqueci. Disse ele que uma pessoa apenas sente a falta daquilo que já teve ou imagina que possa vir a ter. Assim sendo, tudo o que a nossa sociedade consumista oferecia (e oferece) era de tal modo inimaginável para o albanês comum que ele, simplesmente, não podia sentir a falta de nada disso! A lógica arrasadora deste pensamento assalta-me sempre que vejo notícias sobre as vagas de imigrantes da África sub-sariana.

O que imaginam estes candidatos a habitantes da Europa que virão aqui encontrar? Como concebem eles a vida, seja nos países de origem ou nos de acolhimento? Há magia envolvida, divindades protectoras, demónios inimigos ou baseia-se tudo num sistema de pensamento lógico onde a melhoria das condições de vida é objectivo bem claro e definido? Se eles soubessem (será que não sabem?) aquilo que os espera viriam na mesma?

Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

Sei bem que a realidade é, quase sempre, uma questão de perspectiva individual. A minha realidade não admite, por não a compreender, a realidade dos habitantes do Darfur, para dar um exemplo. Ao ouvir "Darfur" não imagino nada de concreto. Sou assaltado por uma mão-cheia de imagens e ideias tão confusas quanto abstractas que não chegam a constituir uma realidade por não fazerem grande sentido. O que podem imaginar os habitantes daquela zona do Sudão quando ouvem falar da Europa?

Um dia talvez as fronteiras caiam todas, talvez as nacionalidades, a cor da pele, os credos religiosos e outras fronteiras menos perceptíveis sejam também irradiadas para sempre. Entretanto vivemos na mais completa ignorância em relação ao "outro", ao que vem à nossa procura sem sabermos o que espera ele de nós. Decerto que o "outro" também não terá grandes certezas sobre aquilo que nós esperamos dele. E volta tudo ao ponto de partida.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Never Ending Story!


Depois de Londres uma semana na Serra do Gerês. Nada melhor para fugir a ataques terroristas e outras modernices do género. Hoje já estou em Viseu a fazer uma visitinha aos meus pais e pouco mais. Quase me tinha esquecido do que é um computador!
Quando regressar a casa estarei apto a contar histórias e trocar impressões sobre os contrastes entre London Town e a Serra do Gerês. Isto de andar em Cyber Cafés ou lá como se chamam estas casas é um bocado secante.
Por exemplo: o gajo que está sentado ao meu lado talvez pudesse ter tomado uma banhoca. Não se perdia nada. Ainda por cima sua abundantemente e mal chega com o peito ao tampo da mesa onde repousa o teclado. Um espécime perfeito do Homem Das Beiras, um género de troglodita que constitui o elo perdido da humanidade. Não desfazendo, uma vez que também eu faço parte desta espécie maravilhosa.
Nesta foto (que fui buscar a um Blog qualquer) vê-se uma escultura que está na "fronteira" da Portela do Homem, num topo do Parque Natural da Peneda Gerês, no local que marca a passagem do Minho para a Galiza por aquelas bandas. Nas placas, que agora não fazem qualquer sentido, há coisas curiosas. Vindos do lado do Minho, onde diz "Espanha" alguém escreveu a spray negro "Galiza do Norte". Do lado de lá, perto da tal estátua, na placa que diz "Portugal" escreveu-se "Galiza Livre". Curioso não? É Galiza dali ao Algarve, numa faixa que se estica preguiçosamente ao lado de Espanha de norte a sul da península.
Um mimo dos muitos mimos que pude observar ao longo destes dias sem fim.
Sinceramente já me sinto um pouco fatigado.
As férias acabam por ser mais cansativas que os dias de trabalho.