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sexta-feira, maio 17, 2013

A Senhora

Cavaco e a sua Maria

Corria o ano de 2002 d.C. Nesses tempos longínquos em que alguns animais ainda falavam, era Paulo Portas ministro de Estado e da Defesa. Um petroleiro de nome "Prestige", sofreu um grave acidente provocando uma temível maré negra ao largo da costa portuguesa lá mais para as bandas do Norte. Durante alguns dias andámos com o credo na boca, se o crude desse à costa em território português... mas o petróleo derramado acabou por ir infernizar a vida aos nossos pobres irmãos galegos. As imagens que então nos chegaram eram dramáticas.

Paulo Portas acabou por confessar que acreditava que a salvação da costa portuguesa se devera a uma milagrosa intervenção de Nossa Senhora (recordar aqui). Esta perspectiva do nosso crónico governante mostrava a quem quisesse ver que Nossa Senhora, quando é preciso, tem tomates para lixar os galegos em benefício deste povo dócil que nós somos. É uma mulher de barba rija!

Veio-me esta fábula à memória quando vi na TV (confesso que com cara de parvo) o actual presidente de república em Portugal, o inefável Cavaco Silva, atribuir à mesmíssima Virgem o resultado favorável da 7ª avaliação da Troika às intenções dos nossos governantes actuais (ver e ouvir aqui).

Percebo agora que em situações de crise, com os governantes que o nosso povo elege, a solução que nos resta é encomendar a alma ao Criador ou a quem O represente, nem que seja por procuração. Valha-nos Nosso Senhor.

terça-feira, junho 26, 2012

Monstros

Cristo à conversa com Nessie durante um passeio sobre as águas, lá para o fim da tarde

O fanatismo é uma doença. Manifesta-se das mais variadas formas e não é fácil encontrar processos de cura para tão arrasadora maleita.

Um fanático é como um vírus instalado no tecido social. Muitos fanáticos podem provocar convulsões sociais que detrioram o aspecto das comunidades que parasitam.

Atente-se nesta notícia sobre a forma como os alunos que frequentam as escolas cristãs do ensino privado no sul do estado da Louisiana estão a aprender a história do mundo em que vivemos.


À falta de dados históricos que corroborem os textos bíblicos, a solução encontrada para encaixar os mitos cristãos naquilo que chamamos de realidade, é retorcer os factos até tudo ficar de acordo com a crença e a fé dos professores.


Ok, eu sei que há quem conteste a Teoria da Evolução e olhe para Darwin com o nariz torcido. Tudo bem, o universo científico é feito de discussão e comparação de dados numa eterna tentativa de escrever uma história que faça sentido e seja sustentada por dados o mais objectivos possível. A comunidade científica não envia ninguém para o inferno só por discordar ou pôr em causa este ou aquele postulado.


Os fundamentalistas cristãos, aqueles que seguem a Bíblia como os seus émulos islâmicos seguem o Corão, não admitem outra perspectiva do universo que não seja a deles que, por ser tão hermética e autoritária, resulta frágil como uma erva daninha.


Esta história dos dinossauros e do monstro do Lago Ness tem o seu quê de anedótico, é quase infantil. Ou melhor, seria anedótica e infantil se não tivesse aquele ferrete fanático a incomodar o pessoal. 
Atenção aos monstros, sejam reais ou imaginários.

domingo, setembro 24, 2006

Liberdade de expressão

Em toda a converseta gerada à volta da polémica intervenção do Papa que deixou a "rua islâmica" em polvorosa há um ponto que não tem sido devidamente explorado.

O facto de encararmos Ratzinger como sendo vítima de um mal-entendido por parte de um punhado de radicais inimigos da liberdade de expressão não faz dele um campeão dos livres pensadores. Nem um pouco mais ou menos!

Apesar de pretender fomentar um debate centrado na reflexão sobre a relação entre a Fé e a Razão, a verdade é que Ratzinger está muito longe de ser um defensor da liberdade de expressão. Nem poderia ser de outro modo uma vez que se trata do sum-pontifíce de um religião muito pouco dada ao contraditório. A própria suposta infalibilidade do Papa (posta em causa neste episódio de forma muito nítida) não permitirá grandes polémicas em torno das suas afirmações.

Basta lembrar a sua posição perante uma situação tão básica como a da recente "crise dos cartoons" e a forma como afirmou ser intolerável que se ponham em causa certos dogmas característicos das religiões do Livro. Por aí não merecerá grande (ou nenhuma) solidariedade.

Serviria este episódio para iluminar Ratzinger com alguma humildade caso não se tratasse de uma personagem convicta da superioridade inquestionável da sua fé e respectivos pontos de vista, se assim lhes posso chamar uma vez que pretendem ser verdades inquestionáveis.

"Quem com ferros mata, com ferros morre". Pois é. É lixado!

segunda-feira, setembro 18, 2006

Santidade alienígena


O Guia Supremo da Revolução Islâmica iraniana, o "ayatollah" Ali Khamenei, fustigou hoje as recentes declarações de Bento XVI sobre fé muçulmana, argumentando que o discurso proferido pelo Papa na Alemanha é "o último elo" da cruzada lançada pela América contra o Islão.

O delírio é um estado de alma perigoso quando aquele que delira tem responsabilidades perante a opinião pública. Ali Khamenei deve tomar alguma droga demasiado poderosa para os seus frágeis neurónios e o resultado está bem à vista.
Interessado na inflamação até ao rebentamento da pústula, este líder espiritual do povo iraniano está a brincar com o fogo. O que quererá este gajo queimar? Quem quererá ele atirar para as profundezas do inferno?
"Quem brinca com o fogo queima-se" diz o adágio popular.
Queima-se Ratzinger, por ter ido buscar um imperador bizantino que não era para aqui chamado e queima-se Khamenei por ser tão hipócrita no aproveitamneto da soberba papal.
Se Deus existe há-de estar apenas a engendrar a melhor forma de cozer, escalfar, depenar e esfolar estes e outros assassinos da inteligência humana. Mais este que o outro mas, enfim, numa situação tão estupidamente explosiva como esta, venha... Deus e escolha!

sábado, setembro 02, 2006

Valha-nos Deus!

Que o "americano médio" é potencialmente um dos animais mais estúpidos do mundo já era de suspeitar. Afinal de contas são governados por George W. Bush, um exemplar digno de figurar em qualquer tenda de feira de enormidades que se preze.
Eu sei que o facto de termos Cavaco Silva na presidência da República não abona grande coisa em favor do "português médio". No entanto (não sei qual é exactamente a posição de Cavaco ou se está preparado para emitir uma opinião fundamnetada sobre o assunto) andamos longe de declarar o Criacionismo parte do mistério da vida ou mesmo a grande verdade universal. Já os EUA parecem andar mais perto disso que de outra coisa qualquer.
O fundamentalismo religioso é um dos pecados mais mortais que sou capaz de imaginar. É a coisa mais desprezível que um ser humano pode fazer a si próprio. É o suicídio mais abjecto que podemos praticar. O fundamentalismo religioso é a mais fértil das fontes de ódio que nos levam a perder o sentido da vida até ao ponto de sermos capazes de imaginar que outro ser humano pode não ter alma e nós sim, apenas porque dão outro nome a Deus que, só por si, é uma treta. Mas pronto, um gajo até pode estar disposto a aceitar que haja quem seja suficientemente ingénuo para engolir a história de Adão e Eva, do Deus que tudo vê e outras patranhas na mesma onda. Já não é de todo aceitável que um papalvo capaz de engolir semelhantes histórias da carochinha pegue numa arma e empunhe um livreco na outra, dizendo que é sagrado, e pretenda obrigar todos os outros a comerem da sua gamela.
Temos de agradecer aos chefões da igreja católica o facto de terem perdoado recentemente Galileu pela sua blasfémia quando afirmou que a Terra girava em volta do Sol e não o contrário. Finalmente pudemos aceitar esse facto sem corrermos o risco de ser excomungados por isso. Espero que não venham a declarar blasfemos todos aqueles que puserem em causa ser o Universo obra de Deus em seis dias ou quem duvidar que a mulher foi feita a partir de uma costela de Adão.
Aguardemos serenamente. O mundo não acaba amanhã.

quarta-feira, agosto 30, 2006

O debate


Um debate televisivo entre Bush e Ahmadinejad? Caramba, que grande ideia!

Estaríamos decerto perante o maior espectáculo do mundo (sem querer estar a desmerecer o circo). De um lado o líder do mundo livre (estou a rir-me). Do outro um tipo equivalente que quer, cada vez mais, surgir como líder do... mundo não-livre? Do eixo do mal? Bom, Presidente da República Islâmica do Irão (designar-se-à assim?) ele é, de resto não sei.

Seja como for um frente-a-frente televisivo entre duas pintas deste calibre haveria de bater recordes de audiência em todas as partes do mundo com lucros astronómicos para as estações que garantissem a emissão. Nos intervalos a publicidade apareceria aos interessados a preços de roer as unhas na hesitação de investir as somas exigidas pelas estações de TV. Seria curioso ver quais seriam as empresas e os produtos a preencher esses espaços publicitários nas diferentes partes do mundo. "Compre mísseis Patriot e defenda-se da fúria islâmica!".

Repare-se que tem sido Ahmadinejad a tentar estabelecer o contacto com os americanos a desviarem-se constantemente. Na hierarquização habitual do nosso raciocínio político se Bush aceitasse responder uma vez que fosse ao iraniano isso equivaleria a reconhecê-lo enquanto interlocutor válido, coisa que nem passa pela cabeça do américas (se é que passa alguma coisa). Assim assistimos a uma coisa parva que é Ahmadinejad dirigir-se a Bush e a resposta vir na boca de algum assessor de imprensa. Para Bush é como se o outro não existisse.

O Irão tem alguma razão em temer os EUA. Por um lado estão no eixo-do-mal juntamente com a Coreia do Norte. Mas como Il-Sung tem armamento atómico os américas lá o vão deixando em paz mesmo quando caem míseis experimentais a algumas centenas de quilómetros do Japão, como foi caso recente. O Iraque foi invadido com as consequências que (ainda não) se vêem. As tropas do grande satã americano estão demasiado próximas e ameaçadoras para que o louco de Teerão possa ignorá-las. Daí que seja perfeitamente compreensível o desejo iraniano de possuir armamento que ponha em sentido tão imprevisíveis adversários como os EUA e Israel.

Para mim os iranianos bem podem ir dar uma curva e dormirei (ainda) mais descansado se eles não possuirem armas nucleares. Mas, se estivesse no lugar deles, também andaria a suar as estopinhas na tentativa de conseguir essas armas, quanto mais não fosse para espantar as ratazanas.

Por estas e por outras, o debate entre os dois tolos de serviço na condução dos destinos do planeta seria um momento para a História e uma oportunidade para todo o mundo perceber os fanáticos religiosos que pretendem orientar-nos nos caminhos da salvação.