sexta-feira, junho 29, 2007

Pessoas

Honoré Daumier, Third Class Carriage 1862

As pessoas têm uma necessidade de comunicação impossível de explicar. Sentadas em volta de uma mesa jogam palavras, olhares, gestos, sempre à procura de reconhecimento, esperando um pouco de amor. Mesmo quando não há laços particularmente fortes e a situação que as reune é algo formal, a conversa deambula em busca de pequenas portas, frestas de entendimento mútuo, possibilidades de comunhão. Se, por acaso, a oportunidade se oferece e as coisas ganham uma limpidez inesperada é ver as barreiras ruirem, os preconceitos a derreter no calor das palavras, o mundo a reogarnizar-se num sentido completo, como as raízes de uma árvore que encontram o lugar exacto que garante a vida e o crescimento do tronco, dos ramos, a encontrar a forma de dar vida às folhas e às flores da próxima Primavera.
Estou a falar de pessoas simples, como é a maioria das pessoas, sem falsidades escondidas no fundo dos bolsos nem espertezas saloias no risco do penteado. Hoje estou em maré de acreditar que é possível ser-se humano sem mais nada, só assim, coração nas mãos e vontade de gritar uma canção no final de cada frase. Gostava mesmo de saber cantar.

11 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Muito humano.

cartolas disse...

:O)

Anónimo disse...

Caanta, caanta, amigo cantaa...
bjs
alice r.

guida disse...

rui ri redobrados risos, redondos ramos de rosas e rainunculos rodopiando rapido rente a reais rob�s reformados mas risonhos, risos de ritmos regionais, risos de rios e raios sem restri�es, risos ricos de recorda�es e recheados de rostos ridentes! Ri, rui, ri!... Resta o riso!Ri!

Gepetto disse...

Muito bom ,e profundo este blog.
Voltarei.

Olaio disse...

Depois de ver este vídeo;
http://www.youtube.com/watch?v=LU8DDYz68kM&eurl=
Como não acreditar no ser humano.
Bom post!

Lord Broken Pottery disse...

Silvares,
E quem disse que você não sabe. O que acabs de escrever soou como música aos meus ouvidos.
Grande abraço

Silvares disse...

Eduardo, falar com pessoas que não conhecemos bem é um exercício que pode revelar-nos outros mundos.

Sara, vai um sorrisinho :0}

Bem preciso de cantar Alice.

Guida, até tenho duas rugas bem profundas de tanto rir (ou pelo menos sorrir :-)

Gepetto, obrigado pela observação.

Olaio, impressionante aquele exemplo de amor de búfalo!!!

Lord, uma musiquinha um pouco triste, esta, mas há esperança numa batida mais alegre!

saenima disse...

belíssimo o texto, na simplicidade, na falta de artimanhas, quase me faz acreditar na humanidade possível :)

abraço

Anónimo disse...

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