terça-feira, maio 08, 2007

Projecto Educativo

Ao que parece começamos a chegar à conclusão que "progresso" não é só crescimento económico e auto-estradas a cortarem o horizonte às postas.
Quando digo "nós", estou a referir-me aos cidadãos comuns, aqueles cuja capacidade de intervenção nos destinos da república se limitam ao voto, quando a isso são chamados ou então a dizerem alto e bom som aquilo que pensam uma vez que a liberdade de expressão é um bem adquirido que ainda ninguém conseguiu limitar, embora haja quem tente fazê-lo.
Quando verificamos que nos programas escolares a Filosofia perde terreno para as chamadas "ciências exactas" e a Literatura perde o pé na piscina das "novas tecnologias" percebemos que nos corredores do poder o "progresso" continua a ser medido em gráficos de barras e balanças comerciais mal amanhadas.
Para os nossos dirigentes um cidadão é, cada vez mais, uma peça da máquina. Não precisa de pensar mas sim de produzir eficazmente. Não lhe faz falta capacidade de abstracção poética, antes lhe será necessária capacidade de abstracção vazia de conteúdo, para poder concentrar-se melhor nas suas tarefas mecânicas do dia-a-dia. Nada de distracções ou evasões sonhadoras que isso só prejudica a paz de espírito necessária aos actores na comédia que é esta marcha do "progresso".
Com mais Matemática e menos Literatura teremos uma sociedade mais plástica, por assim dizer, mais moldável de acordo com os grandes desígnios da Economia. Um cidadão exclusivamente preocupado com a sua conta bancária tende a ignorar as questões sociais. Um cidadão consumidor será menos solidário. As escolas e os agentes educativos de base, professores e encarregados de educação, terão de abrir os olhos e decidir enquanto é tempo. É necessário definir um Projecto Educativo Global de acordo com um ideal de Sociedade assumido e não apenas dissimulado nas entrelinhas dos programas escolares impostos pela tutela.
É uma reflexão urgente que todos temos de fazer!



5 comentários:

Olaio disse...

Olá meu caro 100 cabeças.
Concordo em absoluto com este teu post, embora haja um “pequeno” pormenor com o qual não concordo, dizes tu:
“(…)uma vez que a liberdade de expressão é um bem adquirido que ainda ninguém conseguiu limitar, embora haja quem tente fazê-lo.”
Dizes que ninguém ainda conseguiu limitar a liberdade de expressão, como encaras pois o facto de cada vez mais a comunicação estar na mão de 3 ou 4 grupos económicos, que embora sendo diferentes e defendendo interesses empresariais diferentes, todos eles defendam interesses políticos iguais, actualmente o neo-liberalismo económico e social.
Por sua vez o governo, este e os anteriores, também alinha pelo mesmo diapasão, ou seja; há uma presença esmagadora de uma “informação” e opinião que defende um mesmo tipo de sociedade, chama-se a isso “o pensamento único” a que nos querem submeter.
Perante isto será que se pode dizer que ainda há verdadeira liberdade de expressão?
Como dizia um vídeo que passou por ai numa mensagem; “pior que não ter informação é estar mal informado”.
Ontem, dia 7 de Maio no programa “Prós e Contras”, houve um “debate” sob o tema “choque de valores”, que se anunciava como um debate entre a esquerda e a direita acerca de alguns temas da actualidade como sejam as eleições em França, na Madeira e na Câmara de Lisboa. Dizia a boa da Fátima que não era um debate de partidos mas sim com pessoas, só que curiosamente, um era ligado ao PS, outro ao PSD, outro ao CDS e outro ao BE, não havia ninguém ligado ao PC, 3ª força politica! Não será isto censura, pintada com as doces cores dos “critérios jornalísticos”?

Olaio disse...

Esta de concordar em absoluto e depis haver uma coisa com a qual não concordo, também é um bocado parva

Silvares disse...

Tens razão naquilo que dizes mas, quando falo em liberdade expressão estou a pensar na "nossa" liberdade de expressão. Podemos dizer o que pensamos onde quer que seja sem temer represálias. Pelo menos represálias como a prisão ou outra coisa do género. Quanto à concentração dos meios de informação social nas patorras de certos grupos com interesses muito específicos e particulares... isso é resultado do sistema político em que vivemos. A prova de que não há um pensamento único é precisamente esse debate (que não vi) apesar de o PC ficar de fora. Injusto, sem dúvida, ainda por cima na televisão pública!

Sara disse...

Urgente parece-me ser que cada mãe, cada pai,cada professor e todos estes na representação dos seus outros papeis humanos/sociais pensem pelas próprias tolas, não se conformem e actuem de acordo com a verdade em que acreditam,de preferência em conjunto.

Silvares disse...

Sim, também me parece que será necessário que todos nós entremos na dança. O "problema" é que muitos de nós estão de acordo com a perspectiva economicista e muitos outros não estão. Daí que haja uma espécie de guerra embora seja uma guerra sem mortos nem feridos. Apenas pessoas diferentes umas das outras...