quinta-feira, maio 31, 2007

Notas mais ou menos soltas

A informação circula pelo mundo a uma velocidade estonteante. Num momento estamos ligados ao outro lado do planeta. Abrimos uma página de um jornal de Hong Kong com a mesma facilidade que podemos ler a imprensa chilena. As questões são imensas, variadas, repletas de dramatismo ou bom humor. O mundo nunca foi tão complexo, apesar de sempre o ter sido.

No meio de tal catadupa informativa tentamos descobrir uma linha narrativa, algo que faça sentido para a nossa capacidade de compreensão. Construimos um ponto de vista pessoal de acordo com as nossas perspectivas. Escolher essa linha (ou descobri-la) é tarefa árdua e depende mais de nós, enquanto indivíduos, do que própriamente da "verdade" que nos é oferecida pelos meios de comunicação de massas. Nós próprios construímos o nosso modelo particular da realidade que nos envolve.

O mais complicado para muitos de nós é a capacidade de aceitarmos que aquilo em que acreditamos não é, necessariamente, a Verdade, mesmo que tenhamos provas irrefutáveis de que as coisas "são mesmo assim". A validade do nosso ponto de vista depende, na maior parte das ocasiões, da nossa capacidade de os expormos e defendermos perante as dúvidas que sobre ele se levantem. Quantas vezes uma pessoa cheia de razão acaba por perdê-la ao não conseguir passar eficazmente a mensagem aos outros?

Olhamos o mundo dentro de écrans, como se estivessemos a observar um aquário. A rua, o bairro, a cidade em que habitamos parecem-nos fastidiosas e desinteressantes, andamos enamorados de um mundo virtual. Mas, se repararmos bem, ali na rua, aqui no bairro, dentro desta cidade, está um mundo maior e mais real, repleto de pessoas de carne e osso, um mundo que tendemos a desprezar.

Preferimos construir a "verdade" a partir dos sinais da "realidade" que nos são fornecidos pelas agências noticiosas internacionais. Tentamos compreender o imenso "mundo exterior" para depois podermos enquadrar o mundo mais pequeno em que nos deslocamos quotidianamente. Fará isso sentido? De que modo a questão dos refugiados palestinianos no norte do Líbano pode afectar a minha existência? A Globalização é assim tão radical? Ou não?

Vou para a escola. Vou dar aulas a dois grupos de crianças que preferem ser consideradas pré-adolescentes. Têm entre 12 e 13 anos. Têm o mundo todo à sua frente. Espero ajudá-las a encontrar a sua narrativa particular na selva visual em que nos movemos. É para isso que trabalhamos só que a maior parte dessas crianças ainda não percebeu bem o nosso objectivo. Vou tentar explicar-lhes tudo, mais uma vez. Oxalá um dia compreendam.

7 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Ótimo texto. Elas um dia compreenderão. E agradecerão o professor que tiveram. Abçs

Silvares disse...

Eduardo, a Esperança é a última coisa a morrer. O problema é que também ela é mortal.
:-)

cartolas disse...

Eles não compreendem? Eles têm outra verdade? Talvez do verbo intuir?

E a realidade só existe porque acreditamos nela!?!

Vale a pena descobrir todo o mundo que já têm dentro, porque não são vazias de nada....muito menos de particulares narrativas.
Bjs

Lord Broken Pottery disse...

Silvares,
Não tenho a mesma certeza que o Eduardo quanto ao fato de se compreenderão, um dia. Serão gratos, porém.
Abraço

Silvares disse...

Sara, se acreditarmos em alguma coisa é meio caminho andado para essa coisa existir. Quanto mais não seja existirá através de nós!

Silvares disse...

Lord, se conseguir fazer com que os meus alunos desenvolvam um espírito crítico activo fico satisfeito. Tarefa complicada pois a escola, de um modo geral, não trabalha nesse sentido.

Anónimo disse...

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