sábado, maio 05, 2007

Incómodo

Anda no ar uma estranha sensação. Será do calor que chegou em força e já nos vai empurrando para as sombras projectadas dos prédios sobre a calçada, será do stress característico após mais uma semana de trabalho? Não consigo explicar exactamente o que me incomoda. Mas que há algo a remexer-me as tripas, ai isso há!

Talvez seja algo relacionado com notícias insistentes e diárias que nos vão atravancando o sótão com centenas, milhares de macaquinhos. Notícias que falam de corrupção em tudo quanto é gabinete e cargo público, notícias que explicam o desrespeito continuado das leis por aqueles que as criam e aprovam (para os outros cumprirem, ao que parece!), notícias que me deixam a balançar entre a tristeza e a revolta, impotente, seja como for.

A Democracia começa a perder-se neste labirinto de vigaristas e oportunistas que vasculham o lixo dos poderosos em busca do seu quinhão, da sua migalha, desesperados por encontrarem restos que lhes aproveitem. Nem serão tanto os ministros. Quem os apoia, quem lhes preenche a sombra? As máquinas partidárias (o texto de Pacheco Pereira no Público de hoje é muuuuito interessante) são o cimento do sistema e os partidos políticos os alicerces da nossa Democracia? Temo que isso deite tudo a perder.

Penso ser daqui que vem a tal estranha sensação, o incómodo. Há qualquer coisa mas não consigo perceber exactamente os seus contornos. É um mostrengo, uma angústia, uma coisa ruim, não sei. É uma coisa pútrida mas cheia de vitalidade, um coisa que deixa um rasto de pus quando se move e que muda de lugar com toda a facilidade. Uma coisa que está a minar a nossa sociedade. Um parasita tremendo que nos suga o sono e nos devora os sonhos.

O que fazer?


4 comentários:

sara disse...

Sonhar ainda mais!

dora disse...

a lua cheia como resposta!
( duas, este mês )

Lord Broken Pottery disse...

Silvares,
Denunciar, gritar, escrever ralamando com fazes. Essa coisa estranha está no mundo todo.
Abraço

Silvares disse...

Obrigado pelas palavras de incentivo mas, na verdade, a coisa está a ficar um pouco difícil. O que pode ser mais animador é pensar que hão-de vir dias melhores. Até lá... "aguentar e cara alegre" como me diziam quando era miúdo. Estou a sorrir :-)