sábado, maio 19, 2007

Estranho é pouco!

Finalmente vi o filme de Borat. Conhecia Sacha Baron Cohen, o protagonista, da série televisiva Da Ali G. Show (penso ser essa a designação exacta) o que criou em mim alguma expectativa relativamente a este Borat, Aprender Cultura da América para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão.
Durante o filme foram mais as ocasiões em que sorri enojado ou estupefacto do que por achar graça às situações. Quando digo "graça" estou a referir-me ao riso ou sorriso que cresce em nós de forma espontânea, sem favores nem concessões.
No geral pareceu-me um filme que recorre a um tipo de humor para o qual eu não estava devidamente preparado. Um espécie de humor "gore", onde o sangue a jorrar característico das situações "gore" normais, é substituído por uma grosseria descontrolada que pode acabar da pior maneira ou da forma mais hilariante (embora a hilariedade não me tenha visitado neste caso, admito que muitos milhares por esse mundo fora tenham rido até ficarem com dores barriga).
Borat coloca-se em risco ao longo do filme. Risco físico em várias situações. Por vezes fiquei na dúvida se as pessoas que contracenavam com Baron Cohen estavam cientes da situação. Na maioria das vezes fiquei absolutamente convencido que não. Não faziam a mais pequena ideia da alarvidade em que se haviam metido (como as senhoras da imagem que ilustra este post, uma cena deveras estranha para um filme!) e essa será, talvez, a maior qualidade da "película".
Enfim, poderemos estar perante algo inovador. Um objecto humorístico de uma rispidez por vezes incomodativa num registo de documentário ficcionado, um pouco à imagem dos de Michael Moore, em que resulta a estranheza e acaba por falhar, demasiadas vezes, o humor. Neste aspecto fez-me lembrar os filmes do Irmãos Marx e das estranhas sensações que me percorriam quando os via nas matinées televisivas da minha infância. Mas, convenhamos, não será fácil exercitar o humor em situações como aquela em que Borat entrevista 3 feministas. Os comentários em off tentam ajudar à festa, sublinhando a perspectiva muito particular que o "2º maior repórter do Cazaquistão" tem do mundo que o rodeia mas nem sempre evitam um certo odor a mau gosto que se instala no espectador. Nem isso, nem o contrário.

3 comentários:

Lord Broken Pottery disse...

Silvares,
Vi o trailler do filme. Fiquei com um pé atrás. Depois, por tudo o que li e ouvi à respeito, coloquei mais um pé, ficando com os dois. Posso afirmar, agora, que não vi e não gostei do filme. Humor para mim, fundamentalmente, precisa de bom gosto.
Abração

Eduardo P.L. disse...

Estou, mais uma vez, com o amigo Lord. Estou fora. O Silvares me tirou da dúvida! Humor tem que ser FINO, para ser um bom humor. Grosseria é palhaçada, e lugar de palhaço é no circo, não no cinema!

Silvares disse...

Sim, o filme é mesmo... "complicado", digamos. Mas há ali qualquer coisa, não sei bem o quê, que poderá vir a transformar-se em algo mais interessante. O Da Ali G. Show, o tal programa de TV do mesmo autor, tem entrevistas absolutamente fora da normalidade com chefes de polícia ou presidentes de câmara, personagens assim, às quais Ali G. coloca questões que mais ninguém se atreve a colocar. Há momentos muito curiosos. Já em Borat, o filme, a coisa não resulta a 100% mas tem algumas cenas com potencialidades.
Não digo que seja um filme a não perder, mas se por acaso se oferecer a oportunidade... é um acto de liberdade de opinião. Ver aquilo...
:-)