quinta-feira, abril 19, 2007

Uma história


"Hoje lembro-me de uma velha história em que um personagem - de Jerusalém, está claro, de que outro sítio poderia ser? - está sentado num café em frente de um velho com quem entabula conversa. Ora, o velho é Deus em pessoa. Bem, o personagem não acredita logo, mas após alguns sinais inconfundíveis, convence-se de que quem se senta do outro lado da mesa é Deus. E tem uma pergunta a fazer-Lhe, uma pergunta crucial, sem dúvida. «Querido Deus, por favor, diz-me de uma vez por todas: Qual é a fé verdadeira? A católica romana, a protestante, talvez a judaica, acaso a muçulmana? Qual é a fé verdadeira?» E, nesta história, Deus responde: «Para te dizer a verdade, meu filho, não sou religioso, nunca o fui, nem sequer estou interessado em religião.»"

Esta história relatada por Amos Oz no tal livrinho "Contra o fanatismo" (ver dois posts mais abaixo) põe um sorriso nos lábios. Para Oz o humor é um dos principais meios de combate contra o fanatismo. Há outros instrumentos com a possibilidade de nos ajudarem a combater o fanatismo de forma eficaz (ou pelo menos capazes de nos ajudar a debelá-lo no nosso íntimo) mas a capacidade de rirmos, até de nós próprios, revela-se um bom remédio.

2 comentários:

pandoracomplexa disse...

Olá Silvares ainda não te tinhamos dito o quanto a pandora ficou corada com a tua distinção, muito obrigado...vamos ter que agora tentar não quebrar a dita corrente...

Eduardo P.L. disse...

Silvares, esperando que a PANDORA não quebre a corrente, estou aqui paradizer que gostei da história do Amos Oz. Eu acredito nisso, Deus não é religioso...Abraços, e VIVA seu blog.