domingo, abril 22, 2007

Fascismo higiénico?

A expressão ganha cada vez mais sentido. A cruzada fundamentalista anti-tabágica reveste-se de contornos, por vezes, caricatos mas vai de tal modo lançada que nada parece ser capaz de a travar. Nem o mais elementar bom senso. Será uma forma de fanatismo? Os fumadores serão criminosos ou, talvez, ovelhas tresmalhadas do rebanho branquinho que imaginamos saudável e desejável?
Não é preciso ser muito radical para considerar a proibição de fumar como (mais) uma intromissão na esfera individual dos cidadãos viciados. Um gajo pode ser viciado em muitas coisas desde que não empeste o ambiente. Pode ser viciado em pornografia, pode ser viciado em açúcar ou até mesmo em estupidez profunda. Não há leis que impeçam estes vícios talvez porque, sendo do foro íntimo mais recôndito, eles podem manter-se pacíficamente escondidos. Já fumar...
Como os argumentos e apelos ao bom senso dos viciados em tabaco não pegam a solução encontrada é a repressão. Legisla-se a torto e a direito, as ameaças ganham forma palpável. Multas e mais multas, ameaças e promessas do inferno em vida.
Eu, que sou fumador, sinto-me insultado. Não preciso que me ponham um bófia a olhar para mim com cara de poucos amigos. Sei bem quando devo e não devo puxar do cigarrito. Não preciso das exibições de força bruta e moral que os anjos anti-fumo vão desenvolvendo com os semblantes iluminados dos profetas.
O fascismo higiénico não passa de mais uma forma de intromissão perfeitamente dispensável praticada por um estado que se mostra incapaz de regular e reprimir os verdadeiros prevaricadores em tantos aspectos bem mais preocupantes que o dos fumadores activos.
Andamos a brincar às leis. E somos obrigados a isso mesmo que não queiramos brincar.

4 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Fascismo higienico é uma bela expressão. Fui fumante na juventude, Parei, trocando o maço de cigarro por um charuto diário, que me divertiu mais de 20 anos. Fui obrigado a parar esse delicioso hábito pelo patrulhamento de mesas vizinhas em restaurantes e lugares públicos, tudo isso antes das proibições atuais. Hoje sou passivo, pois minha mulher fuma desesperadamente!
Abçs.

Silvares disse...

A expressão não é de minha autoria. Anda por aí, nas bocas do povão. Mas é muito bem apanhada, sem dúvida. Olha, vou fumar um cigarrito!

Eduardo P.L. disse...

Silvares, não sei se játentou ou alguma vez quis parar, mas essa tenica de subistituir por um charuto ao dia é tira e queda. Isso querdizer ou você para o cigarro ou continua com os dois, pois eles são muito bons! É como vinho. É só experimentar...

Silvares disse...

Já parei e voltei a fumar. Agora fumo demais. Quando se fuma é sempre demais, não é?