domingo, abril 22, 2007

Repulsa

A notícia é inquietante. A Yahoo terá cedido dados sobre um utilizador chinês, Wang Xiaoning de seu nome, engenheiro de profissão, que permitiram às autoridades chinesas prendê-lo em 2002, julgá-lo e condená-lo a 10 anos de prisão (pena que está actualmente a cumprir).
Os dados fornecidos pela empresa terão sido a base da acusação contra Xiaoning pelo "crime" de escrever textos críticos contra a actuação do governo chinês que publicava, sob anonimato, na Web.
Wang Xiaoning fiou-se na Virgem e acabou entalado. A Yahoo traíu-o sem apelo nem agravo e agora a esposa do recluso vem tentar colocar a empresa em tribunal, reclamando uma indemnização.
Tudo isto seria de bradar aos céus se outras grandes empresas não pactuassem com o despotismo selvagem do poder chinês. A Microsoft censura expressões supostamente ofensivas no seu serviço de blogues, o Google filtra a pesquisa no seu motor de busca limitando de forma inaceitável a liberdade dos cibernautas chineses e a Cisco vende às autoridades chinesas o materal necessário para a manutenção da chamada "Grande Cibermuralha" de forma a permitir o controle da comunicação via Internet com países estrangeiros.
É caso para dizer que vivemos em pleno e absoluto "Triunfo dos Porcos" nos mundo virtual. Os Cibernautas são todos iguais só que uns são mais iguais que outros. E pagam com a liberdade essa "igualdade".
Pelos vistos, neste mundo virtual em que nos encontramos, o respeito pela liberdade e o direito à privacidade dos indivíduos é ainda mais virtual, dependendo da "bondade" daqueles que controlam o sistema.
Não sou suficientemente versado nos segredos da informática para compreender os métodos nem as tecnologias que temos à disposição, a única coisa que sou capaz de retirar desta história tristemente exemplar é que, também neste mundo sem rostos nem objectos contundentes, valemos o que valemos em função do que pensamos e do que dizemos. Quase como "lá fora", quase...

1 comentário:

Eduardo P.L. disse...

Silvares, muito bem colocado. Estou de pleno acordo.
Abçs, e boa semana!