domingo, janeiro 13, 2008

Foge!


Há questões que não precisam de uma resposta concreta. Há questões para as quais não convém encontrar uma resposta. São questões que nos fazem pensar e nos levam a debater os assuntos que encerram. Se por azar algum de nós encontra a resposta de uma dessas questões corremos o risco de se dar o assunto por encerrado. Ponto final. Um assunto encerrado tende a ser esquecido, etiquetado, engavetado, desprezado por haver perdido o mistério que lhe dava algum glamour.

Numa viagem o mais interessante não é o momento da chegada como o não foi o da partida. O interesse da viagem residirá no tempo que levamos a percorrer o espaço que divide esses dois momentos e naquilo que nos acontece entretanto. A nós e ao espaço e ao tempo.

Verdade, verdadinha é que o velho Sócrates (estou a referir-me ao verdadeiro e não ao gajo que ocupa o lugar de 1º ministro em Portugal e que muito desmerece o seu nome) ajudou muito à festa com aquela célebre tirada do "só sei que nada sei". Raios, perante semelhante aforismo nada mais há a fazer a não ser debater, discutir, pensar. E fugir das respostas absolutas como o Diabo foge da Cruz.

14 comentários:

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Não há respostas para nada!
Pois não é apenas virtual o que vemos na telinha de nosso computador.
Tudo o que vemos pela jenelinha que são nossos olhos é virtual, visto serem imagens de uma paisagem exterior, da qual só tomamos conhecimento por meio dos nossos cinco sentidos!
Então qual é a resposta?
Nenhuma! Tudo são imagens e sons que se embaralham em nossa mente, dando-nos a sensação de que a realidade é o exterior, quando a unica realidade são nossas emoções!

Anónimo disse...

Concordo com o Luiz, mas acrescento que tomamos conhecimento pelos "Seis sentidos e o Sentido do Pecado" :)
Beijos
A.Rolo

MoiMêMê disse...

Parabéns a Você, tra lá, lá, lá lá

Olaio disse...

Pois é luiz santilli e A.Rolo, pessoas como vocês não existem (para mim, é claro!), mas já agora tenham cuidado quando tiverem a "sensação" de estar a atravessar um estrada, não vá a "coisa?" produtora de sensações resolver finar-se.

Ele há com cada solipsista!

Já agora aproveito para lembrar que este ano se comemoram os 100 anos do livro de Lenine "Materialismo e empirocriticismo", que se debruça precisamente sobre esta questão do ser e da consciência

Só- Poesias e outros itens disse...

Gosto de leituras que me fazem pensar, como esta: onde nada é absoluto, e o caminho para se conhecer as coisas é o que interessa, não o fim, mas o chegar a elas. Odeio pessoas que acham que possuem "verdades", são as primeiras a não ouvir o próximo.

bjs.

Ju gioli

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Pelo visto Descartes também não existe!!!

Eduardo P.L. disse...

Silvares,

o debate esta animado.
Todos tem lá suas razões. De Sócrates até a Jugioli todos acrescentaram algo ao tema. Bravo, por provoca-lo.

Silvares disse...

Luiz, pessoalmente creio que cada resposta conduz a uma nova questão. Existem respostas mas são apenas peças do grande puzzle que formam em conjunto com as respostas;

Alice,Nos "Seis Sentidos..." andávamos à procura de uma coisa que ainda não foi encontrada mas talvez exista. Ou seriam várias coisas?
:-)
Por vezes sinto saudades do teatro.

Célia, obrigado.

Olaio, camarada, amigo, etc. e tal, Lenine não me diz grande coisa e,aqui para nós, o comunismo também me parece algo solipista. Em termos das suas tentativas de aplicação prática deu resultados bem questionáveis. Já no plano puramente teórico e idealista parece bem mais atraente.

Ju, quando a verdade se pretende escrever com "V" maiúsculo estamos em apuros. Os detentores dessa "V"erdade não só tendem a não ouvir o próximo como sentem inclinação para o oprimir. Em nome da "V"erdade, é claro.

Luiz, permita-me uma brincadeira: é evidente que Descartes não existe. Ele existiu!

Eduardo, se há coisa de que eu gosto é uma boa discussão.Uma discussão é boa quando há ideias e argumentos para debater... com convicção. No espaço virtual é sempre bom discutir pois cada um tem de "falar" na sua vez e não pode interromper o outro.

Olaio disse...

Luiz eu não tenho duvidas em afirmar que Descartes existiu, quem afirma que:
"Tudo são imagens e sons que se embaralham em nossa mente, dando-nos a sensação de que a realidade é o exterior, quando a única realidade são nossas emoções!", è que pode ter dúvidas quanto à existência dos outros. Pois se parto do princípio, que a única realidade são as nossas emoções, os "outros", a "realidade" não passa da construção de uma "coisa???" que "em mim???" produz sensações e portanto como tu dizes, não há realidade exterior, só as minhas sensações, só as minhas emoções.

Inevitavelmente que tal linha de pensamento nos conduz ao solipsismo e, se desenvolver-mos mais ainda essa linha de raciocínio, nem "eu" existo, a única realidade será, por ventura, uma entidade a que muitos chamam deus e "nós" apenas seremos construções ideais da sua vontade.

É claro que a máxima pela qual Descartes ficou conhecida "eu penso logo existo" é redutora e contribuiu para este tipo de raciocínios, pois coloca como condição de existência o pensamento. As pedras existem e ao que se saiba até agora, não foi notada nelas qualquer tipo de elaboração mental.

Camarada e amigo Silvares, Lenine não é só politica é também filosofia (embora se possa dizer que tudo é…) e esta obra é um trabalho extraordinário sobre este tipo de raciocínios "empirocriticistas", ou seja a realidade não existe, é produto das minhas emoções e constrói-se à medida que por elas vou passando, pensamento que no final do século XIX, principio dos XX tinha muitos adeptos e diversas correntes que ele (nessa obra), pretende demonstrar, se resumem a uma única.

Quanto ao comunismo e às suas tentativas de aplicação prática que "deram resultados bem questionáveis", tenho-te a dizer uma coisa:
Se sempre que o homem quisesse construir algo de novo, mudar a sua vida, inventar, criar, descobrir, transformar o mundo, se limitasse na análise às suas intenções, aos primeiros resultados obtidos, ainda hoje muito provavelmente não tínhamos inventado a roda e pouca diferença existiria entre nós e os restantes animais.

Silvares disse...

Olaio, quanto à aplicação prática dos ideais comunistas tenho a fazer-te notar que o seu (aparente) fracasso se prende, precisamente, com o facto de nós termos uma existência bem concreta! O problema com a classe trabalhadora parece ser o seu desejo de se aproximar da classe opressora. Eu explico, o poder corrompe e o sabor do bife corrompe duplamente. Já para não falar das bolinhas do champanhe!
Abraço grande, camarada.

Olaio disse...

Quanto à questão do poder, concordo contigo Silvares, não há duvida de que foi um dos factores que contribuiu para o falhanço das primeiras experiências do socialismo (que foram e são diversas e não uma única), mas o futuro não é construído por quem não erra, esses são normalmente os que nada fazem, o futuro constrói-se por quem sabe tirar as devidas conclusões dos erros que comete, “nada mais há a fazer a não ser debater, discutir, pensar. E fugir das respostas absolutas como o Diabo foge da Cruz.”
E não há duvida que “ o interesse da viagem residirá no tempo que levamos a percorrer o espaço que divide esses dois momentos e naquilo que nos acontece entretanto”.
Excelente post!

jo-zéi f. disse...

já-mé-mé ou mé-mé-já! A coisa(política) neye país está confusa demais.E nós no meio desta ovelhada toda.

Silvares disse...

Pois é Olaio, é preciso saber reconhecer os erros, algo de que nem toda a gente se poderá gabar!

Mé, mé, Jo-Zei, façamos mé e talvez possamos compreender o mundo que nos rodeia.

jo-zéi f. disse...

duvido muito, parece-me que só com mé-mé não vamos lá.(??????).