segunda-feira, julho 30, 2007

Que viva o Iraque!!!

A vitória da selecção de futebol do Iraque na final da Taça da Ásia por 1-0 sobre a da Arábia Saudita constitui um feito histórico. O jogo decorreu em Jacarta, capital da Indonésia, perante 50 mil espectadores que, segundo rezam as crónicas, torceram na sua maioria pela equipa iraquiana.

A selecção do Iraque não faz jogos oficiais no seu país vai para 17 anos por imposição da FIFA, uma medida que se compreende já que, por exemplo, na sequência da vitória na meia-final desta Taça da Ásia sobre a Coreia do Sul, quando a população de Bagdad festejava nas ruas, houve 50 mortos em atentados bombistas. O nojo do costume. Os terroristas são verdadeiros animais irracionais no comportamento mas friamente racionais na preparação dos seus crimes.

Younis Mahmoud, o autor do golo, provocou uma explosão de alegria colectiva no seu país. Naquele momento a vida terá parecido quase "normal" em todo o Iraque. As fotos mostram pessoas eufóricas como acontece mundo fora quando se vive a alegria de um golo.

Esta vitória é considerada muito importante pelos actuais dirigentes iraquianos já que a equipa é constituída por sunitas, xiitas e curdos, numa raríssima união nacional em torno de objectivos comuns. Descortinam aqui uma oportunidade propagandística que poderá trazer alguns momentos de orgulho nacionalista. Mas é como pôr um penso rápido numa perna decepada. O próprio Younis Mahmoud afirmou que não quer voltar ao Iraque por temer retaliações por ter sido o autor do golo da vitória; "Não quero que os iraquianos se zanguem comigo, mas se regressar com a equipa, alguém pode matar-me ou tentar ferir-me".

Terá o golo de Younis Mahmoud o dom mágico de unir os iraquianos? Será possível que se venha a cumprir uma espécie de conto de fadas num país onde a realidade se assemelha mais a um conto de terror? Estou em crer que não. Tudo isto será rapidamente esquecido e afogado no mar de sangue que por ali cresce a cada dia. Mas acredito que muitos milhares de iraquianos sonharam com isso: um país onde o tétrico rebentamento das bombas desse lugar a explosões de alegria provocadas pelos golos de todos os Younis Mahmoud que nos dias que correm não podem brilhar nos estádios e se escondem com medo dos assassinos.
Que viva o Iraque!

8 comentários:

C Valente disse...

O futebol arrasta multidões, pode mudar muita coisa, os politicos quando interferem neste desporto é quase sempre pelas piores razões
O fanatismo leva o terrorismo e assim por ai afora.
Saudações amigas

Olaio disse...

"Os terroristas são verdadeiros animais irracionais no comportamento mas friamente racionais na preparação dos seus crimes."
Julgo que estarás a referir-te às centenas de milhar de tropas dos EUA, Reino Unido, mercenários e grupos de vários países que já tiveram a amável participação de umas centenas de GNRs.
E acima de tudo aquele magnifico quarteto dos Açores.
Quanto à equipa de futebol do Iraque... de que Iraque falamos?
Quando o que se está a fazer com a complacência das Nações Unidas é dividir aquela terra entre Curdos, Sunitas e Chiitas.
Dividir para reinar é uma máxima antiga dos conquistadores.

Silvares disse...

Valente, neste caso talvez pudesse estar na base de uma campanha propagandística mas, no actual Iraque, não há lugar para campanhas mediáticas.

Olaio, é evidente que me estou a referir aos terroristas que matam a torto e a direito os próprios compatriotas. Não estás certamente a justificar a carnificina do povo iraquiano pelos seus compatriotas com a invasão americana. Ou estás? O Iraque de que falamos, neste momento, é o Iraque que (ainda) existe. O assassinato puro e simples levado a cabo pelos bombistas, sejam eles quem forem e sejam quais forem as suas motivações, não tem a mínima justificação. É crime e são criminosos. O ódio que se possa ter a Bush não pode ser pretexto para acarinhar gajos que bebem sangue ao pequeno-almoço.

fonte disse...

chama-se guerra civil e geralmente costuma de dar uma vez por outra na história dos grandes paises. alguns exemplos: portugal, espanha, inglaterra, eua, frança, etc. a ex união sovietica foi resultado de uma. a de angola acabou há relativamente pouco tempo e a do "futuro" estado palestiniano está em banho maria. as gurras civis acontecem ggeralmente quando um sociedade se encontra muito dividida em relação ao seu futuro, não tendo de todo nada a ver com odio e etc., ou como diria o sr. clausowitz, a gurra é simplesmente a continuação da diplomacia por outros meios...
abraço

Silvares disse...

Tens razão Fonte, mas os atentados com carros-bomeba em tudo quanto é sítio, desde mercados a simples ruas mais movimentadas, é uma muito estranha forma de fazer guerra. É uma inovação que ainda não está totalmente interiorizada pelos outros "diplomatas" em confronto... numa coisa tendo a concordar com o Olaio: o Iraque dificilmente manterá o aspecto actual depois de toda carnificina estar estabilizada. Vai quebrar-se por certo.
Abraço.

Olaio disse...

(Desculpa lá estas "postas de bacalhau":-))
Antes da invasão do Iraque pela coligação Anglo-Americana não havia notícias de atentados bombistas nesse país. Havia problemas provocados pelo isolamento forçada (por americanos e ingleses), a que o Iraque estava sujeito, nomeadamente a morte de milhares de crianças por falta de coisas, tais como medicamentos, mas isso pelos vistos não é considerado terrorismo.
Portanto parece que o terrorismo no Iraque é uma consequência da invasão.

No final de 2005, surgiu uma notícia estranha nos meios de “informação”; Tropas britânicas tinham assaltado e destruído com bulldozers uma prisão em Bassorá, para libertar dois britânicos que tinham sido capturados pelo exército iraquiano quando, disfarçados de árabes, conduziam um carro carregado de armas e explosivos.
Na altura a resistência iraquiana, que já vinha acusando as forças de ocupação de serem as responsáveis pela violência sectária, afirmaram que este caso era uma prova da participação, nomeadamente dos serviços secretos britânicos, na actividade terrorista que se registava no País. O objectivo, segundo a resistência, era mesmo dividir para reinar.
È claro que as tropas de sua majestade nunca esclareceram o assunto.

Em 2004 John Negroponte foi nomeado embaixador dos EUA no Iraque, era à altura embaixador na ONU. Durante os debates no Congresso Americano, para a sua nomeação para a ONU, os Democratas puseram em causa o seu perfil, dado o papel desempenhado por ele enquanto embaixador nas Honduras nos anos 80, durante o consulado de Reagan. Foi o tempo do caso Irão-contras e da “operação condor”, que tinha como objectivo combater a influência da esquerda em vários países da América Latina.
O método utilizado foi a criação de ESQUADRÕES DA MORTE, que segundo consta, foram responsáveis pela morte de 300 mil pessoas em toda a América Central. Até pouco tempo, este método ainda era (é?) utilizado na Colômbia pelos grupos paramilitares.
Este processo de eliminar adversários já antes tinha sido utilizado no Vietnam, onde se calcula que tenha sido a causa de 50 mil assassinatos.
A Resistência Iraquiana acusa Negroponte de ter ido para o Iraque para montar uma operação do mesmo género.
Actualmente John Negroponte é director Nacional dos Serviços de Inteligência dos EUA, que controla 15 agências – civis e militares – de espionagem.

Depois acho que é necessário não confundir a violência sectária e terrorista com a Resistência Iraquiana, responsável pelos contínuos ataques às tropas de ocupação, mercenários, empresas estrangeiras, exército e polícia iraquiana. Esses ataques são às dezenas por dia.
Por fim Não se pode falar de terrorismo e esquecer os milhares de civis que continuam a ser mortos por americanos e demais tropas da NATO, tanto no Iraque como no Afeganistão e que são dos crimes mais nojentos que actualmente se praticam impunemente.

Silvares disse...

Acredito que tenhas razão em muitas das coisas que afirmas. Um gajo chamado Negroponte não pode ser boa rês. Acredito que haja muita contra informação. Tudo bem. Mas, repara que quando falei em terrorismo referi-me aos ataques nos mercados e nas ruas movimentadas, não falei em ataques a quartéis ou colunas militares. Soldados na guerra são alvos a abater. Lógica guerreira. Mas esses atentados contra civis, venham de onde vierem são crimes nojentos e também se praticam impunemente. Estão bem uns para os outros e quem se lixa é quem não tem nada a ver com o assunto e tinha mais uns bons anos pela frente se não estivesse no local errado à hora errada.
No futuro, quando tudo isto tiver acabado, talvez saibamos melhor o que acontece nos dias de hoje.
Até lá muitos inocentes vão bater a bota sem saber como nem porquê.

Olaio disse...

A ignomínia e o cinismo não têm limites. Depois de terem destruído o estado iraquiano, provocando a morte de centenas de milhar de pessoas, tudo com base em mentiras; suposta existência de armas de destruição maciça e ligação de Saddam à Al Qaeda, agora a administração Bush afirma que não pode deixar o Iraque, por causa do terrorismo e da violência sectária. É o cúmulo da desfaçatez!

Foi por achar necessário tornar claro o papel dos EUA (Imperialistas) neste negócio sujo que comentei o teu post, no fundo é de negócio e mais concretamente de petróleo que se trata.

Já agora, hoje vinha no Público esta notícia:
”Um número indeterminado de civis morreu e dezenas ficaram feridos no Afeganistão num raide aéreo das forças da coligação contra uma reunião de chefes taliban em Baghran, esta quinta-feira, disse a AFP.
Uma testemunha, Abudllah Jan, disse a esta agência que mais de 100 civis terão sido atingidos...”
“Público” - 04.08.2007
Era bom não esquecer que tropas portuguesas fazem parte dessas ditas “forças da coligação” o que nos torna cúmplices nestes actos de terrorismo de estado.