segunda-feira, julho 16, 2007

Ler e escrever


O alarme soou: os resultados nos exames de Matemática no 9º ano terão sido prejudicados pelas fracas competências dos estudantes no que respeita a leitura e interpretação das questões colocadas.
Se repararmos nos (aparentemente) excelentes resultados dos mesmos alunos na prova de Língua Portuguesa podemos ficar confusos. A análise das causas para a fraca prestação em Matemática não coincidem com a leitura "directa" dos resultados em Português. Em que é que ficamos?
Das duas uma; ou os graus de exigência das provas não foram semelhantes (o exame de Português do 9º ano foi nitidamente muito... acessível e o de Matemática nem tanto) ou então os alunos não se sentiram motivados de igual forma na maneira como encararam as provas realizadas.
Lá no fundo quer-me parecer que anda por aqui muita "engenharia" educativa. Tapa-se o peito destapam-se os pés, tapam-se os pés fica o peito a apanhar frio.
Resumindo e concluindo: os resultados dos exames não servem para grande coisa quando são analisados sem contextualizar os processos de ensino/aprendizagem. O que está errado talvez seja o currículo global do Ensino Básico com as suas 14 disciplinas apinhadas em horários semanais dignos de um operário do século XIX. Mas ir por aí dá demasiado trabalho. É mais fácil continuar a acusar os professores de incompetência e as escolas de má organização.
Lá no Ministério a rainha má não deve ter espelhos que lhe façam a justiça desejada. O costume.

5 comentários:

kermit disse...

O ensino da matemática em Portugal, chega aos alunos sem qualquer noção da sua utilidade. São conceitos e fórmulas que eles julgam nunca mais precisar. Um aluno adolescente ou pré adolecente, por mais medíocre que seja, não tem a noção sequer que a sua capacidade de raciocínio pode evoluir com os mecanismos de que a matemática é composta. Mas não são os professores os principais culpados dessa incapacidade. São os pais que já no seu tempo fugiam da matemática.

Silvares disse...

Mea culpa (na questão da fuga) não mea culpa (no pormenor do incentivo actual). Dizem que somos um país de poetas e, por isso, temos dificuldades com a Mat. É tanga pois há muitos poetas mas grande parte são poetas de fugir!!!

Eduardo P.L. disse...

Espelhos para o Ministério...

Lord Broken Pottery disse...

Silvares,
Não sei como é por aí. Por aqui os últimos a serem ouvidos são sempre os estudantes, se é que chegam a serem ouvidos.
Abração

Silvares disse...

Por aqui só há surdos onde deveria haver quem ouvisse. É como esperar que um cego conduza o "ônibus" com eficácia. Só se retirarem todas as paredes do caminho...