segunda-feira, novembro 19, 2007

Democracias

Foto de Hashim Thaci, ex guerrilheiro e actual líder do Partido Democrático do Kosovo

A Democracia há muito que deixou de ser coisa grega. Quando os Iluministas do século XVIII elegeram a Razão como princípio orientador da espécie humana e a Felicidade se tornou um fim a atingir neste mundo (e não no outro), assistimos ao início de um novo modo de interpretar a Democracia que haveria de nos oferecer as sementes dos actuais sistemas políticos ocidentais. As grandes revoluções (a americana, a francesa e, antes delas, a Gloriosa Revolução nas Ilhas Britânicas) travaram em definitivo o Antigo Regime e o Liberalismo haveria de derrubar, paulatinamente, os regimes Absolutistas. Começava a Era Contemporânea com todo o esplendor e miséria que hoje conhecemos.
Hoje as diferentes Democracias que se espalham pelos 4 cantos do mundo funcionam como espelhos dos povos. A nossa é tristonha e cinzenta. A venezuelana é colorida e folclórica. Na China interpretam-se os princípios capitalistas numa estranha mistura com resquícios do sistema comunista. Cada povo vai encontrando a sua forma de expressão política em função da sua História e das características específicas do seu tempo e do seu espaço.
Na História da Arte aprendemos que os diferentes estilos, alinhados na cronologia da evolução das formas artísticas, se adaptam e geram imagens semelhantes mas com características diferenciadas. Num mesmo tempo, em espaços geográficos diferentes, as formas de expressão artística raramente são iguais. Quando muito são equivalentes.
A Política é uma espécie de forma de expressão de um povo, a arte suprema: a arte da organização social. Enquanto cidadãos temos o direito e o dever de contribuir, com a nossa acção quotidiana, para a caracterização dessa forma de expressão colectiva. Enquanto seres civilizados não temos o direito, nem o dever, de impor a nossa forma de expressão a quem a não quiser partilhar.
A Liberdade é a expressão máxima da Beleza. Sejamos livres. Permitamos a Liberdade alheia.

3 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Silvares,

gostei tanto que levei seu texto para o Drops!

Abçs

david santos disse...

Por favor!
Ajuda a que se faça Justiça a Flávia. Se és um ser com sentimentos, ajuda!
Eu jamais invadirei teu blogue, garanto! Mas ajuda.
Repara bem: eu, tu, seja quem for, tem nosso pai, nossa mãe, nosso irmão ou irmã, ao longo de 10 anos em coma, que vida será a nossa?
Se não tivermos a solidariedade de alguém com sentimentos, que será de nós?

TEMPO SEM VENTO

Ah, maldito! Tempo,
Que me vais matando,
Com o tempo.
A mim, que não me vendi.
Se fosses como o vento,
Que vai passando,
Mas vendo,
Mostrava-te o que já vi.

Mas tu não queres ver,
Eu sei!
Contudo, vais ferindo
E remoendo,
Como quem sabe morder,
Mas ainda não acabei
Nem de ti estou fugindo,
Atrás dos que vão correndo.

Se é isso que tu queres,
Ir matando,
Escondendo e abafando,
Não fazendo como o vento:
Poder fazer e não veres
Aqueles que vais levando,
Mas a mim? Nem com o tempo!

David Santos

Silvares disse...

Eduardo, dispõe sempre que entenderes.
David, esse drama é complicado, sem dúvida.