domingo, janeiro 17, 2010

Histórias de terror para embalar


Ontem comprei uma edição portuguesa de As Aventuras de Pinóquio (história de um boneco) de Carlo Collodi com 4 pinturas de Paula Rego à laia de ilustrações. A personagem daquele boneco sempre me fascinou, apesar de não conhecer o texto original (que comecei agora a "namorar"). O potencial imagético das aventuras de Pinóquio entusiasma-me e por cada página que leio são muitas as imagens que me assaltam o espírito.

Não deixa de ser irónico que Pinóquio tenha ganho uma projecção espantosa com a versão dos estúdios de Walt Disney em desenhos animados. Se olharmos bem para essa versão notamos que a narrativa é de cortar à faca. O herói desloca-se constantemente sobre o fio da navalha apesar de todo o açúcar que a Disney lhe pôs em cima. Tem cenas dilacerantes como a dos meninos a transfomarem-se em burros que deixava sempre a minha filha com uma lágrimazita ao canto do olho. Mas a história contada por Collodi é absolutamente cruel, com cenas de uma violência impossível nos contos infantis dos tempos que correm.

Hoje as crianças assistem impassíveis ao horror real que passa nos noticiários enquanto comem a papinha mas não podem confrontar-se com as atrocidades maravilhosas dos velhos contos, dedicados aos seus bisavós, quando eram meninos de colo.

5 comentários:

Eduardo P.L disse...

Rui,

livro preferido da minha infância! Nossa mãe lia para nós três, irmãos mais velhos!
A capa é da Paula Rego?

Silvares disse...

Esta edição tem uma capa rija sem ilustração e uma capinha de papel com parte de uma imagem da Paula Rego ilustrando a cena dos meninos-burros. Quando eu era miúdo não me lembro de que me lessem histórias. As que me contavam não vinham de livros.

Olaio disse...

É curioso como eram crueis as histórias q os nossos avós nos contavam... se calhar tão crueis como as q nós contamos...

Lina Faria disse...

Concordo que as clássicas história infantis são carregadas de esteriótipos de arrepiar.
Inveja, vingança, preconceito e outros horrores.

Silvares disse...

Olaio, quer-me parecer que a questão da crueldade tem a ver com a dose de realidade que se lhe põe em cima. O Pinóquio é uma história encantada, aquela crueldade tem um sentido meramente narrativo. Não me parece que seja traumática.

Lina, as histórias devem servir para exemplificar certas situações. As crianças precisam de se preparar para o tempo que têm pela frente.