Todos sabemos quem é Edward Snowden. Perseguido pelo longo (mas torto) braço da justiça norte-americana, Snowden acabou por encontrar na Rússia um buraquito onde se esconder, pelo menos, durante um ano (ver aqui, por exemplo).
Como na Rússia nada se faz sem o consentimento de Putin, fica a sensação de que o desfecho deste episódio resulta da sua vontade de irritar um pouco o amigo americano. Quem vir no gesto deste ditador democrático (eu sei que isto é uma contradição) a concretização de uma qualquer visão altruísta provocada pelo amor à liberdade de expressão só pode estar a precisar de uma operação aos olhos e à mioleira. Com urgência.
A notícia de que o pintor russo Konstantin Altunin fugiu da Rússia a sete pés após ter exposto uma obra em que Putin e o seu alter ego Medved surgem em lingerie (ver aqui em português), lança uma luz clara sobre o buraco onde se esconde Snowden.
Com Putin não se brinca. Só ele pode brincar, os outros, quando muito, têm apenas direito a sorrir sorrisos bem amarelos. A obra de Altunin pode ter desrespeitado várias leis russas que defendem a imagem dos governantes e reprimem a apologia da homossexualidade. Por via das dúvidas o pintor achou que o melhor era mesmo por-se ao fresco.
sexta-feira, agosto 30, 2013
quinta-feira, agosto 29, 2013
A máquina do mundo
Lendo as notícias que nos informam da iminência de mais uma guerra
entre as forças ocidentais e um governante caído em desgraça não posso deixar
de lembrar a tristemente célebre Cimeira das Lajes. A guerra rebentou e deu no
que se sabe. O “nosso” lado estava tão certo das suas razões, alardeava uma tão
grande autoridade moral… não havia dúvidas quanto à necessidade e justiça da
invasão que levaria à queda e posterior execução (assassinato?) de Saddam Hussein.
Personagens então emergentes como Durão Barroso e Paulo Portas lá se puseram em bicos de pés e assinaram de cruz todas as pretensões de Bush e Companhia. Durão haveria de tornar-se Presidente da Comissão Europeia e Portas, além de uma condecoração entretanto recebida das mãos do inqualificável Rumsfeld, continua a ser o estadista de opiniões moralmente impolutas e decisões tão irrevogáveis quanto uma dentição de leite.
Personagens então emergentes como Durão Barroso e Paulo Portas lá se puseram em bicos de pés e assinaram de cruz todas as pretensões de Bush e Companhia. Durão haveria de tornar-se Presidente da Comissão Europeia e Portas, além de uma condecoração entretanto recebida das mãos do inqualificável Rumsfeld, continua a ser o estadista de opiniões moralmente impolutas e decisões tão irrevogáveis quanto uma dentição de leite.
Em 2003 tínhamos Bush, que queria fazer a guerra, agora temos Obama que
não quer fazê-la. Mas, ao que parece, querer e não querer a guerra leva-nos a
idêntica conclusão. A guerra do Iraque não nos ensinou nada, talvez não
houvesse nada para aprender. Estamos prestes a abrir nova caixa de Pandora. Fica
a sensação de que a máquina do mundo serve, principalmente, para produzir
guerra, miséria e morte.
segunda-feira, agosto 26, 2013
Redesign
Aqui há dias fui ao cinema com a minha filha. Estávamos em Viseu, a oferta cinematográfica não é mais entusiasmante. Insisti no filme "O Mascarilha". Um pouco contrariada a rapariga lá acedeu. Afinal de contas, férias são férias e não custa nada fazer a vontade ao velho.
A personagem preencheu parte do meu imaginário juvenil através dos livros de quadradinhos. Apesar de não ter grandes expectativas em relação ao filme penso que queria matar saudades da minha infância. Lá fomos.
O filme é desopilante. As cenas de acção têm momentos de grande espectáculo e divertimento. As personagens surpreendem com atitudes inesperadas e há pormenores de uma violência cruel que, no contexto, provocam o riso apesar de tudo. Ao contrário do que eu esperava, a narrativa não era tão linear quanto seria de esperar numa coisa deste género. Talvez por isso o filme tenha sido um fracasso de bilheteira nos Estados Unidos (ver aqui).
É de salientar o "redesign" da personagem de Tonto, o índio, interpretada por Johnny Depp. Os maus são muito maus e os bons... nem por isso. À saída vínhamos com um sorriso estampado no rosto. Afinal valera a pena.
A personagem preencheu parte do meu imaginário juvenil através dos livros de quadradinhos. Apesar de não ter grandes expectativas em relação ao filme penso que queria matar saudades da minha infância. Lá fomos.
O filme é desopilante. As cenas de acção têm momentos de grande espectáculo e divertimento. As personagens surpreendem com atitudes inesperadas e há pormenores de uma violência cruel que, no contexto, provocam o riso apesar de tudo. Ao contrário do que eu esperava, a narrativa não era tão linear quanto seria de esperar numa coisa deste género. Talvez por isso o filme tenha sido um fracasso de bilheteira nos Estados Unidos (ver aqui).
É de salientar o "redesign" da personagem de Tonto, o índio, interpretada por Johnny Depp. Os maus são muito maus e os bons... nem por isso. À saída vínhamos com um sorriso estampado no rosto. Afinal valera a pena.
terça-feira, agosto 20, 2013
Filosofia de Tasca (outra vez)
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filosofia de tasca
sexta-feira, agosto 16, 2013
Distopia
Hoje fui ao cinema (há muito tempo que não ia ver um filme na sala de cinema) ver Elysium, o mais recente filme do realizador sul-africano, Neil Blomkamp. Quando me sentei sabia muito pouco acerca do filme. Tinha visto ontem à noite uma entrevista com Matt Damon, que interpreta a personagem central desta distopia (wiki) de Ficção Científica. A coisa pareceu-me bem, fui ver.
A sinopse de entrada e os planos iniciais de uma cidade futurista que parece feita de lixo amontoado fizeram-me pensar imediatamente nos contos de Phillip K. Dick. Mais um ou dois minutos de filme e não me saía da cabeça como tudo aquilo era semelhante a Distrito 9. Tudo agradável para um espectador como eu.
No intervalo abri o jornal e procurei a crítica ao filme. Lá estava, Elysium é do mesmo realizador que Distrito 9 e Jorge Mourinha, o autor daquelas linhas, referia também o universo de Phillip K. Dick (falar apenas de Blade Runner é limitativo mas compreende-se quando se fala de cinema). Ok, as minhas referências funcionavam na perfeição, fiquei contentinho comigo próprio. Estas pequenas vaidades...
Ao chegar aqui, defronte do teclado onde matraqueio estas palavras, procurei no Dicionário do Aurélio online a palavra "distopia". Para minha surpresa não consta no referido dicionário. Um salto à inevitável Wikipédia forneceu-me dados interessantes quanto à origem da expressão que desconhecia por completo (ver link mais acima que tem uma curiosa lista de exemplos de distopias cinematográficas).
Procurei noutros dicionários de português e encontrei esta descrição em "antiutopia" que pode servir de sinopse a Elysium: "representação ou descrição de uma sociedade futura caracterizada por condições de vida alienantes ou extremas, que tem como objetivo criticar tendências da sociedade atual, ou alertar para os perigos de determinadas utopias
antiutopia In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-08-16].
Disponível na www: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/antiutopia>."
O filme, não tendo nada de extraordinário nem sendo particularmente inovador, é, no entanto, suficientemente cativante e merece uma ida à sala para ser visto.
A sinopse de entrada e os planos iniciais de uma cidade futurista que parece feita de lixo amontoado fizeram-me pensar imediatamente nos contos de Phillip K. Dick. Mais um ou dois minutos de filme e não me saía da cabeça como tudo aquilo era semelhante a Distrito 9. Tudo agradável para um espectador como eu.
No intervalo abri o jornal e procurei a crítica ao filme. Lá estava, Elysium é do mesmo realizador que Distrito 9 e Jorge Mourinha, o autor daquelas linhas, referia também o universo de Phillip K. Dick (falar apenas de Blade Runner é limitativo mas compreende-se quando se fala de cinema). Ok, as minhas referências funcionavam na perfeição, fiquei contentinho comigo próprio. Estas pequenas vaidades...
Ao chegar aqui, defronte do teclado onde matraqueio estas palavras, procurei no Dicionário do Aurélio online a palavra "distopia". Para minha surpresa não consta no referido dicionário. Um salto à inevitável Wikipédia forneceu-me dados interessantes quanto à origem da expressão que desconhecia por completo (ver link mais acima que tem uma curiosa lista de exemplos de distopias cinematográficas).
Procurei noutros dicionários de português e encontrei esta descrição em "antiutopia" que pode servir de sinopse a Elysium: "representação ou descrição de uma sociedade futura caracterizada por condições de vida alienantes ou extremas, que tem como objetivo criticar tendências da sociedade atual, ou alertar para os perigos de determinadas utopias
antiutopia In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-08-16].
O filme, não tendo nada de extraordinário nem sendo particularmente inovador, é, no entanto, suficientemente cativante e merece uma ida à sala para ser visto.
quarta-feira, agosto 14, 2013
Verão leituras
O Verão traz sempre consigo uns quantos livros que se lêem debaixo do guarda-sol, à beira do mar ou nalguma esplanada mais recatada com boa cerveja fresca, de preferência.
Nos últimos tempos tenho dado primazia a autores portugueses e foi de Afonso Cruz a minha última destas leituras estivais. Li O Pintor Debaixo do Lava-louças(ou loiças) que confirmou as boas impressões que me haviam deixado Jesus Cristo bebia cerveja e A boneca de Kokoschka, também deste autor.
Para quem nunca leu Afonso Cruz deixo a recomendação de que o faça. O rapaz é um artista!
Entretanto li também O relatório de Brodie, um livrinho de contos de Jorge Luís Borges editado pela Quetzal que é um primor. Desde a textura da capa à magnificência da escrita, é um livro que dá prazer ter nas mãos.
Mas, com tanto tempo livre, o Verão permite isto e muito mais. De Pedro Gamboa li Almas a saque, uma história de paixão com final pouco feliz que me revelou um autor que desconhecia (mas que conheço pessoalmente).
Entretanto fui ontem à Biblioteca Municipal de Almada levantar outros dois livros de contos. Depois de os ler talvez diga alguma coisa.
Boas leituras. É Verão.
Nos últimos tempos tenho dado primazia a autores portugueses e foi de Afonso Cruz a minha última destas leituras estivais. Li O Pintor Debaixo do Lava-louças(ou loiças) que confirmou as boas impressões que me haviam deixado Jesus Cristo bebia cerveja e A boneca de Kokoschka, também deste autor.
Para quem nunca leu Afonso Cruz deixo a recomendação de que o faça. O rapaz é um artista!
Entretanto li também O relatório de Brodie, um livrinho de contos de Jorge Luís Borges editado pela Quetzal que é um primor. Desde a textura da capa à magnificência da escrita, é um livro que dá prazer ter nas mãos.
Mas, com tanto tempo livre, o Verão permite isto e muito mais. De Pedro Gamboa li Almas a saque, uma história de paixão com final pouco feliz que me revelou um autor que desconhecia (mas que conheço pessoalmente).
Entretanto fui ontem à Biblioteca Municipal de Almada levantar outros dois livros de contos. Depois de os ler talvez diga alguma coisa.
Boas leituras. É Verão.
segunda-feira, agosto 12, 2013
Pensamento à beira-mar
Tantas certezas sobre como as coisas são e não são, podem plantar no teu peito sementes de amarga angústia. Não lhes desejes as flores, muito menos lhes queiras provar os reluzentes frutos.
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quarta-feira, julho 31, 2013
3 clics
Onde vamos nós desencantar motivos de alegria e sossego? De súbito tudo se encaixa suavemente, as peças perfeitas na adaptação das suas às formas das outras. Clic, clic, clic, fazem elas baixinho e depois... silêncio, sempre que encontram a posição absoluta, o seu lugar na perfeição do mundo.
Clic, clic, clic, fazem as peças a encaixarem-se umas nas outras, ajudando o Universo a ser um pouco menos absolutamente caótico, as peças atenuando o caos nos seus clics delicados.
Como dei eu com esta visão reconfortante? Como cheguei a este momento adocicado, lamechas, mesmo? Eu sei como foi. Isto aconteceu-me hoje o dia inteiro. Encontrei este lugar que não é físico, uma perfeita conjugação de factores, como se vivesse a glória súbita de ter descoberto uma fórmula matemática habitável. Mas isso... fui eu que encontrei.
Onde irás tu desencantar os teus motivos de alegria e sossego, caro leitor? Problema teu. Poderia levantar um pouco o véu sobre o local e a companhia que compõem este meu momento paradisíaco mas nada garante que funcionasse contigo da mesma forma.
Sei que cada um de nós vive permanentemente às portas do inferno. Disse um filósofo que "o inferno são os outros" mas, sempre te vou dizendo: os outros também poderão ser o paraíso.
Clic, clic, clic, fazem as peças a encaixarem-se umas nas outras, ajudando o Universo a ser um pouco menos absolutamente caótico, as peças atenuando o caos nos seus clics delicados.
Como dei eu com esta visão reconfortante? Como cheguei a este momento adocicado, lamechas, mesmo? Eu sei como foi. Isto aconteceu-me hoje o dia inteiro. Encontrei este lugar que não é físico, uma perfeita conjugação de factores, como se vivesse a glória súbita de ter descoberto uma fórmula matemática habitável. Mas isso... fui eu que encontrei.
Onde irás tu desencantar os teus motivos de alegria e sossego, caro leitor? Problema teu. Poderia levantar um pouco o véu sobre o local e a companhia que compõem este meu momento paradisíaco mas nada garante que funcionasse contigo da mesma forma.
Sei que cada um de nós vive permanentemente às portas do inferno. Disse um filósofo que "o inferno são os outros" mas, sempre te vou dizendo: os outros também poderão ser o paraíso.
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segunda-feira, julho 29, 2013
Ir à guerra
Estava a ler uma banda desenhada com o Super Homem a desancar uns mauzões vindos de outro planeta numa batalha sem quartel nas ruas de Metropolis. A coisa metia sopapo de meia noite, figurões a trambulhar de encontro aos prédios que abriam fendas nas paredes e automóveis a levar piparotes que os deixavam de rodas para o ar.
A luta era brava e o Super Homem, como sempre, acabou por vencer e os mauzões ficaram cobertos de nódoas negras e orgulho ferido. Tudo está bem quando acaba bem. Mas...
Dei por mim a pensar naqueles cidadãos que, apanhados no calor da refrega, ficaram com as paredes do apartamento de buraco aberto sobre a rua, os outros que seguiam dentro dos tais automóveis, amassados e bons para a sucata. Ninguém se feriu? Quem paga os estragos? O Super Homem salva a cidade, a nação, salva o planeta, mas isso tem efeitos colaterais que os argumentistas desprezam.
Eu sei que o Super Homem é bom e quando parte tudo em volta é porque não tem alternativa.
Quem escreve as histórias do Super Homem nem sempre dá grande atenção aos cidadãos anónimos. Os figurantes deviam ter direito a uma atençãozinha particular. Quando não, estão ali apenas para justificar os grandes feitos dos heróis e motivar as acções dos vilões. Quanto ao resto: que se lixem! Ou talvez nem tanto... enfim...
A luta era brava e o Super Homem, como sempre, acabou por vencer e os mauzões ficaram cobertos de nódoas negras e orgulho ferido. Tudo está bem quando acaba bem. Mas...
Dei por mim a pensar naqueles cidadãos que, apanhados no calor da refrega, ficaram com as paredes do apartamento de buraco aberto sobre a rua, os outros que seguiam dentro dos tais automóveis, amassados e bons para a sucata. Ninguém se feriu? Quem paga os estragos? O Super Homem salva a cidade, a nação, salva o planeta, mas isso tem efeitos colaterais que os argumentistas desprezam.
Eu sei que o Super Homem é bom e quando parte tudo em volta é porque não tem alternativa.
Quem escreve as histórias do Super Homem nem sempre dá grande atenção aos cidadãos anónimos. Os figurantes deviam ter direito a uma atençãozinha particular. Quando não, estão ali apenas para justificar os grandes feitos dos heróis e motivar as acções dos vilões. Quanto ao resto: que se lixem! Ou talvez nem tanto... enfim...
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quinta-feira, julho 25, 2013
Mundo de aventuras
Os "outdoors" publicitários não mentem: o mundo é para as pessoas bonitas, as pessoas perfeitas. O cabelo sedoso, a pele limpa, os dentes correctamente alinhados em fileiras a fazerem lembrar uma parada militar de soldadinhos brancos, puros, brilhantes como as estrelas no céu.
Na TV os apresentadores sorriem sempre, rebentam de felicidade e oferecem coisas aos telespectadores que telefonam. O ritmo a que falam deixa sem respiração os mais resistentes: tomem lá dinheiro, tomem lá prémios, tomem lá felicidade! Tudo parece bem, tudo parece a caminho da perfeição.
A artificialidade tornou-se mais real que a substância. Quero aqueles "jeans", quero aquele perfume, quero aquele corpo!
Envelhecer é uma doença. Ser velho não está na moda. Compre o creme milagroso, acabe com as rugas. Faça o implante de cabelo, engane a calvície. O mundo oferece-lhe o milagre do rejuvenescimento, só tem que ter dinheiro disponível.
Longe vão os tempos dos aventureiros que arriscavam a vida em busca da Fonte da Eterna Juventude nas profundezas de selvas impossíveis. Agora, para beber da água dessa Fonte, só precisa de um computador ou de um telemóvel de última geração. E uma conta bancária recheada.
sexta-feira, julho 19, 2013
Um cadáver esquisito
A polémica em torno do Acordo Ortográfico não morreu, antes pelo
contrário. As vozes discordantes têm-se feito ouvir continuamente, nunca
desistindo de apontar as incontáveis incongruências do Acordo.
Fazendo valer o ditado que diz que “água mole em pedra dura tanto bate
até que fura, uma petição,“Pela desvinculação de Portugal ao ‘Acordo Ortográfico da LínguaPortuguesa’ de 1990”, vai se discutida na Assembleia da República.
Durante algum tempo não tive uma opinião muito concreta acerca desta coisa. Tentei adaptar-me mas, na verdade, nunca cheguei a escrever segundo as normas do Acordo. Há demasiados pormenores que não compreendo, regras que me escapam.
O Acordo gerou polémica em todo o lado e não me consta que tenha sido adoptado por nenhum outro país além do nosso. Portugal orgulhosamente só, mais uma vez. Que triste.
Uniformizar a ortografia não me parece de grande utilidade. Os povos de língua portuguesa continuarão sempre a utilizar os seus vocabulários específicos; telemóvel é celular, autocarro é ônibus e um fato completo continuará a ser terno por terras brasileiras.
Nos dias que correm estou, decididamente, do lado dos que dizem que se lixe o Acordo Ortográfico. Concluo com outro ditado popular "o que torto nasce tarde ou nunca se endireita". O Acordo que se lixe.
Durante algum tempo não tive uma opinião muito concreta acerca desta coisa. Tentei adaptar-me mas, na verdade, nunca cheguei a escrever segundo as normas do Acordo. Há demasiados pormenores que não compreendo, regras que me escapam.
O Acordo gerou polémica em todo o lado e não me consta que tenha sido adoptado por nenhum outro país além do nosso. Portugal orgulhosamente só, mais uma vez. Que triste.
Uniformizar a ortografia não me parece de grande utilidade. Os povos de língua portuguesa continuarão sempre a utilizar os seus vocabulários específicos; telemóvel é celular, autocarro é ônibus e um fato completo continuará a ser terno por terras brasileiras.
Nos dias que correm estou, decididamente, do lado dos que dizem que se lixe o Acordo Ortográfico. Concluo com outro ditado popular "o que torto nasce tarde ou nunca se endireita". O Acordo que se lixe.
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acordo ortográfico
quarta-feira, julho 17, 2013
Café (com pouco açúcar)
Há quem sofra por isso, há quem nem dê pelo engano. Há quem seja feliz assim. Há quem se aperceba da troca de papéis mas não diga nada, não faça nada, continuando a representar aquele papel. Do mal o menos.
Trocar de personagem a meio da vida requer coragem e lucidez. Rasgar a alma e esperar que outra nova nos cresça é doloroso e não tem resultados garantidos. As personagens que representamos não trazem instruções nem têm garantia ou prazo de validade.
A vida é um risco. O problema é que só vivemos uma.
Só vivemos uma vida de cada vez.
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quarta-feira, julho 10, 2013
Confissão
Shark, shark night
colagem, 2013
Quiseram os deuses do acaso que, em tempos recentes, eu conhecesse pessoalmente várias pessoas com quem vou convivendo no espaço virtual, principalmente aqui, na zumbisfera dos blogues. A impressão com que fiquei de todos os zumbisféricos que contactei (de TODOS sem excepção) foi extremamente agradável. Pessoas simpáticas, afáveis, de trato fácil, as conversas fluiram sem rumo certo nem constrangimentos. A materialização da zumbisfera proporcionou-me, até agora, óptimos momentos de grande descontracção.
Quiseram os deuses do acaso que, em tempos recentes, eu conhecesse pessoalmente várias pessoas com quem vou convivendo no espaço virtual, principalmente aqui, na zumbisfera dos blogues. A impressão com que fiquei de todos os zumbisféricos que contactei (de TODOS sem excepção) foi extremamente agradável. Pessoas simpáticas, afáveis, de trato fácil, as conversas fluiram sem rumo certo nem constrangimentos. A materialização da zumbisfera proporcionou-me, até agora, óptimos momentos de grande descontracção.
A minha maior surpresa, no entanto, é a imagem que essas pessoas têm de mim, antes de nos conhecermos ao vivo. Nunca tinha pensado nisso mas, de uma forma geral, em comentários aqui na zumbisfera ou mesmo em conversa directa, apercebi-me que a minha pessoa virtual é algo desconfortável. No trato directo, valha-me isso, os meus amigos virtuais (agora reais) relaxaram ao perceber que não sou tão sombrio, azedo e violento como imaginavam. Ou, pelo menos, ao vivo não pareço sombrio, azedo nem violento.
Já o meu mestre Jorge Pinheiro, professor de pintura no meu último ano da ESBAL, me havia dito, há coisa de uns vinte e tal anos, que olhando os meus trabalhos ninguém imaginaria a minha pessoa. Não sei se é caso para me orgulhar se para me preocupar. O melhor é não pensar muito nisso, nem uma coisa nem outra. Mesmo a minha mãe, que não é pessoa muito interessada no fenómeno artístico (a menos que eu esteja ligado) me perguntou um dia, com algum cuidado, se havia algum trauma na minha infância que me levasse a produzir obra tão negra. O problema da minha mãe era saber se tanta monstruosidade poderia estar, de algum modo, relacionada com ela. Não, mãezinha, pode estar descansada, se alguma coisa eu pintasse por influência sua pintaria flores e passarinhos.
Não, isto é coisa pessoal, é entre mim e o mundo, uma velha luta, uma narrativa épica dentro da minha cabeça. "I'm the star of my own movie", como na canção dos Talking Heads. Não vale a pena tentar explicar o que explicado está na sua própria natureza.
Relendo o que atrás fica escrito tenho a sensação de estar ajoelhado no confessionário a bichanar os meus pecados ao ouvido preguiçoso do padre que eu não sou gajo de psiquiatrias nem coisas desse calibre. A verdade, verdadinha é que há muitos anos que dispenso os padres e falo directamente com o Big Boss. A maior parte das vezes falo com Ele quando desenho, quando escrevo e quando pinto. Talvez seja por isso que as coisas que faço ganham os contornos que têm: são orações ao Divino. Oxalá Ele exista e possa compreender-me.
Eu sei que este texto vai longo e não ajuda nada a desanuviar a minha tal imagem zumbisférica mas as coisas são o que são. Não há volta a dar-lhe. Mas prometo, caro leitor, que se nos encontrarmos um dia face a face serei o que costumo ser, no mundo real. Nem outra coisa seria de esperar.
(sorriso)
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segunda-feira, julho 08, 2013
Rejeição abjeccionista
A bosta mole em que se transformou a vida (!?) política portuguesa nos dias mais recentes é coisa para nausear os estômagos mais calejados. Como sobreviver a tamanha sucessão de vilezas e putices, é algo que vou ter de treinar.
Perdi definitivamente qualquer réstea de respeito que pudesse obrigar-me a inventar em relação aos patetas que nos governam. Sinto a mais profunda abjecção em relação a esta gentalha enfatuada. Estes papa-hóstias, estes sabujos, cães-de-colo perfumados que lambem o cú e os tomates, como qualquer outro cão, como um cão vadio, estes mentirosos compulsivos, falsos, dissimulados, estes imbecis estão a destruir o que resta da frágil imagem da Democracia. Estes seres vivos são a ruína da Democracia, são os sacerdotes da democracia, com "d", a coisa nojenta em que sobrevivem.
A partir de hoje nunca mais irei referir-me a Portas, nem a Passos Coelho, nem ao palhaço-mor (já nem me dou ao trabalho de nomear o palhaço-mor). A partir de hoje estes insectos deixam de merecer o que quer que seja além de uma pisadela que os espalme no soalho e os reduza à sua dimensão rastejante e infecciosa.
Morram todos, morram, pim.
Perdi definitivamente qualquer réstea de respeito que pudesse obrigar-me a inventar em relação aos patetas que nos governam. Sinto a mais profunda abjecção em relação a esta gentalha enfatuada. Estes papa-hóstias, estes sabujos, cães-de-colo perfumados que lambem o cú e os tomates, como qualquer outro cão, como um cão vadio, estes mentirosos compulsivos, falsos, dissimulados, estes imbecis estão a destruir o que resta da frágil imagem da Democracia. Estes seres vivos são a ruína da Democracia, são os sacerdotes da democracia, com "d", a coisa nojenta em que sobrevivem.
A partir de hoje nunca mais irei referir-me a Portas, nem a Passos Coelho, nem ao palhaço-mor (já nem me dou ao trabalho de nomear o palhaço-mor). A partir de hoje estes insectos deixam de merecer o que quer que seja além de uma pisadela que os espalme no soalho e os reduza à sua dimensão rastejante e infecciosa.
Morram todos, morram, pim.
sábado, julho 06, 2013
quinta-feira, julho 04, 2013
Calor
Deve ser do calor. O mundo parece estar a arder mas deve ser impressão minha causada pelas temperaturas mefistofélicas que vão cozinhando o país e o resto, em volta.
Hoje estive toda a tarde sentado defronte a esta coisa. A enviar e-mails, a receber e-mails, a ler documentos chatos, a preencher tabelas com númerozinhos que representam coisas que nunca pensei poderem ser representadas por números. Suei a camisa a trabalhar sentado, que é uma coisa digna de ser notada.
As notícias vão gotejando a um ritmo preguiçoso. Há homenzinhos enfatuados que rodopiam de uma cadeira almofadada para outra em busca de coisas estranhas, coisas que talvez sejam mágicas, não compreendo bem. Na verdade não compreendo nada. As coisas mágicas parecem-me estúpidas, mesquinhas, talvez sejam mágicas por isso mesmo: por serem estupidamente mesquinhas.
Os homenzinhos enfatuados são aprendizes de feiticeiros que experimentam soluções estranhas para problemas enormes que não parecem compreender. Mas tudo isto deve ser por causa do calor. O mundo transpira notícias. O calor que está a cozer o mundo em lume brando com Portugal lá dentro.
Hoje estive toda a tarde sentado defronte a esta coisa. A enviar e-mails, a receber e-mails, a ler documentos chatos, a preencher tabelas com númerozinhos que representam coisas que nunca pensei poderem ser representadas por números. Suei a camisa a trabalhar sentado, que é uma coisa digna de ser notada.
As notícias vão gotejando a um ritmo preguiçoso. Há homenzinhos enfatuados que rodopiam de uma cadeira almofadada para outra em busca de coisas estranhas, coisas que talvez sejam mágicas, não compreendo bem. Na verdade não compreendo nada. As coisas mágicas parecem-me estúpidas, mesquinhas, talvez sejam mágicas por isso mesmo: por serem estupidamente mesquinhas.
Os homenzinhos enfatuados são aprendizes de feiticeiros que experimentam soluções estranhas para problemas enormes que não parecem compreender. Mas tudo isto deve ser por causa do calor. O mundo transpira notícias. O calor que está a cozer o mundo em lume brando com Portugal lá dentro.
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terça-feira, julho 02, 2013
Rataria
O que se está a passar com o governo de Portugal? Os ministros ensandeceram definitivamente? Deu-lhes a maluca? de um dia para o outro é vê-los a saltar borda fora como ratazanas a abandonar um navio que mete água por todos os lados.
Umas ratazanas vão assustadas, outras convictas de que regressarão ao barco quando os buracos forem remendados. Outras talvez estejam a mergulhar apenas para ver se lavam a merda que teima em lhes estar agarrada ao pêlo. Que espectáculo grotesco.
Oxalá se afoguem.
Umas ratazanas vão assustadas, outras convictas de que regressarão ao barco quando os buracos forem remendados. Outras talvez estejam a mergulhar apenas para ver se lavam a merda que teima em lhes estar agarrada ao pêlo. Que espectáculo grotesco.
Oxalá se afoguem.
domingo, junho 30, 2013
Momento subterrâneo
Aquele olhar profundamente azul era tudo o que tinha para oferecer. A consciência da sua extrema beleza retirava-lhe humanidade. A forma como se movia, suave, um estilo exótico... embrulho adorável para um conteúdo de merda.
quinta-feira, junho 27, 2013
Uma questão de Fé?
Vi-a hoje pela manhã. Estava numa loja de telemóveis, aguardando pacientemente a minha vez de ser atendido. Ela estava lá. Velhinha, meio curvada, bem vestida, bem calçada, bem arranjada, óculos escuros redondos. Segurava na mão esquerda uma revista. Não reparei logo mas segurava a revista com um guardanapo de papel a proteger os dedos.
O tempo continuou a passar daquele jeito que passa nesses lugares de atendimento ao público. Muito devagar, um toque sonoro a marcar um novo número. Uma coisa tediosa. A senhora continuava sentada, segurando a revista mais ou menos à altura da face. Tirara os óculos escuros e olhava a página aberta à sua frente. Murmurava qualquer coisa... ou seria impressão minha?
Passado algum tempo voltei a reparar na mulher. Estava encostada ao balcão e trocava algumas palavras pouco amigáveis com o rapaz que a atendia. Ele falava de modo ríspido, parecia alterado. A mulher não olhava para ele, continuava concentrada na revista como se esperasse que do seu olhar pudesse resultar alguma coisa de especial. Era estranho.
Voltei a distrair-me com outra coisa qualquer. Até que a senhora se afastou do balcão e começou a falar alto. Agora estava próxima de mim e pude ver que a revista estava aberta numa página que exibia uma foto do Papa João Paulo II, o santo. Era essa fotografia que a mulher fitava insistentemente. Apercebi-me de que nunca virava a página. Quase pude sentir a presença do defunto Papa.
Todas as pessoas dentro da loja tentavam ignorar a mulher e a sua santa companhia. Ela saiu para a rua. Pude vê-la através da vitrina. Estava especada no passeio a conversar com a fotografia. Passados alguns minutos regressou. Voltou a dizer qualquer coisa (as minhas dificuldades auditivas não me permitiam compreender o que ela dizia por estar um pouco distante). Dirigiu-se à máquina que distribui as senhas de atendimento e retirou uma. Voltava à carga.
Reparei que os empregados da loja não estavam particularmente preocupados nem lhe davam muita atenção. O que estava mais próximo de mim, ao notar que eu olhava a velhinha, ofereceu-me um sorriso muito suave, como quem diz "não faz mal". Compreendi que se tratava de um episódio frequente. Ao sair olhei a mulher uma última vez. Conversava com a fotografia de João Paulo II. Dizia algo e esperava uma resposta em silêncio reverencial.
Vim embora a pensar em questões de Fé. Questões de Fé e de loucura.
O tempo continuou a passar daquele jeito que passa nesses lugares de atendimento ao público. Muito devagar, um toque sonoro a marcar um novo número. Uma coisa tediosa. A senhora continuava sentada, segurando a revista mais ou menos à altura da face. Tirara os óculos escuros e olhava a página aberta à sua frente. Murmurava qualquer coisa... ou seria impressão minha?
Passado algum tempo voltei a reparar na mulher. Estava encostada ao balcão e trocava algumas palavras pouco amigáveis com o rapaz que a atendia. Ele falava de modo ríspido, parecia alterado. A mulher não olhava para ele, continuava concentrada na revista como se esperasse que do seu olhar pudesse resultar alguma coisa de especial. Era estranho.
Voltei a distrair-me com outra coisa qualquer. Até que a senhora se afastou do balcão e começou a falar alto. Agora estava próxima de mim e pude ver que a revista estava aberta numa página que exibia uma foto do Papa João Paulo II, o santo. Era essa fotografia que a mulher fitava insistentemente. Apercebi-me de que nunca virava a página. Quase pude sentir a presença do defunto Papa.
Todas as pessoas dentro da loja tentavam ignorar a mulher e a sua santa companhia. Ela saiu para a rua. Pude vê-la através da vitrina. Estava especada no passeio a conversar com a fotografia. Passados alguns minutos regressou. Voltou a dizer qualquer coisa (as minhas dificuldades auditivas não me permitiam compreender o que ela dizia por estar um pouco distante). Dirigiu-se à máquina que distribui as senhas de atendimento e retirou uma. Voltava à carga.
Reparei que os empregados da loja não estavam particularmente preocupados nem lhe davam muita atenção. O que estava mais próximo de mim, ao notar que eu olhava a velhinha, ofereceu-me um sorriso muito suave, como quem diz "não faz mal". Compreendi que se tratava de um episódio frequente. Ao sair olhei a mulher uma última vez. Conversava com a fotografia de João Paulo II. Dizia algo e esperava uma resposta em silêncio reverencial.
Vim embora a pensar em questões de Fé. Questões de Fé e de loucura.
domingo, junho 23, 2013
Hipocrisia
A Igreja Católica lidera a contestação à adopção de crianças por casais homossexuais. Os que vêm nesta possibilidade uma aberração absoluta argumentam com tradições culturais e leis naturais. A falta que faz uma figura paternal, o contra-senso que é ter duas mães ou dois pais.
No entanto, as notícias sobre abusos sexuais de menores praticados por membros da Igreja Católica que deviam, à partida, garantir o seu bem-estar material e espiritual, continuam a sair nos meios de comunicação social a um ritmo estonteante. Os órfãos à guarda de padres em instituições de solidariedade social não estão a salvo dos horrores deste mundo. Encontram crueldade predatória onde lhes prometeram amor.
Não ouço as vozes indignadas dos tais guardiões da moral e dos bons costumes, que tanto receiam ver homossexuais a cuidar de crianças, pedir o fecho dessas instituições e a condenação à prisão dos padres pedófilos. Estou em crer que muitas dessas crianças estariam bem melhor entregues a casais anti-naturais do que a homens que são impedidos, por regra religiosa, de o serem.
Sei que estou a misturar "alhos com bugalhos", homossexualidade nada tem a ver com pedofilia. Quero apenas sublinhar a hipocrisia da Igreja Católica que parece mais preocupada com as aparências do que com a essência de certas questões. Não me parece que seja o bem-estar da criançada que move os padres.
No entanto, as notícias sobre abusos sexuais de menores praticados por membros da Igreja Católica que deviam, à partida, garantir o seu bem-estar material e espiritual, continuam a sair nos meios de comunicação social a um ritmo estonteante. Os órfãos à guarda de padres em instituições de solidariedade social não estão a salvo dos horrores deste mundo. Encontram crueldade predatória onde lhes prometeram amor.
Não ouço as vozes indignadas dos tais guardiões da moral e dos bons costumes, que tanto receiam ver homossexuais a cuidar de crianças, pedir o fecho dessas instituições e a condenação à prisão dos padres pedófilos. Estou em crer que muitas dessas crianças estariam bem melhor entregues a casais anti-naturais do que a homens que são impedidos, por regra religiosa, de o serem.
Sei que estou a misturar "alhos com bugalhos", homossexualidade nada tem a ver com pedofilia. Quero apenas sublinhar a hipocrisia da Igreja Católica que parece mais preocupada com as aparências do que com a essência de certas questões. Não me parece que seja o bem-estar da criançada que move os padres.
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