O destino do cidadão contemporâneo é o de ser manipulado. Para que essa manipulação possa acontecer de um modo eficaz, cada um de nós é espiado com desvelo e minúcia, ajudando os espiões que enfiam a penca onde não são, aparentemente, chamados. É sucesso garantido quando o espiado abre a porta e serve chá com bolinhos ao espião. É o que nós fazemos. Todos os dias, a toda a hora.
Somos vítimas de nós próprios, é um absurdo, é kafkiano; fornecemos a lenha para as fogueiras onde nos grelham e ainda manipulamos o abanador de modo a que as brasas não esmoreçam. Alimentamos os algoritmos que, por sua vez, se alimentam de nós. No fim ganham os de sempre, sempre os mesmos. E nós? Tudo bem, não me posso queixar.
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