quinta-feira, agosto 29, 2013

A máquina do mundo

Lendo as notícias que nos informam da iminência de mais uma guerra entre as forças ocidentais e um governante caído em desgraça não posso deixar de lembrar a tristemente célebre Cimeira das Lajes. A guerra rebentou e deu no que se sabe. O “nosso” lado estava tão certo das suas razões, alardeava uma tão grande autoridade moral… não havia dúvidas quanto à necessidade e justiça da invasão que levaria à queda e posterior execução (assassinato?) de Saddam Hussein.

Personagens então emergentes como Durão Barroso e Paulo Portas lá se puseram em bicos de pés e assinaram de cruz todas as pretensões de Bush e Companhia. Durão haveria de tornar-se Presidente da Comissão Europeia e Portas, além de uma condecoração entretanto recebida das mãos do inqualificável Rumsfeld, continua a ser o estadista de opiniões moralmente impolutas e decisões tão irrevogáveis quanto uma dentição de leite.


Em 2003 tínhamos Bush, que queria fazer a guerra, agora temos Obama que não quer fazê-la. Mas, ao que parece, querer e não querer a guerra leva-nos a idêntica conclusão. A guerra do Iraque não nos ensinou nada, talvez não houvesse nada para aprender. Estamos prestes a abrir nova caixa de Pandora. Fica a sensação de que a máquina do mundo serve, principalmente, para produzir guerra, miséria e morte.

6 comentários:

Li Ferreira Nhan disse...

Um horrivel déjà vu.

Silvares disse...

Li, ainda não aconteceu... pode ser que não aconteça...

banzai disse...

a foto do post, só de ver já me dá desesperança da ´máquina do mundo´ como vc diz. Chorei!
madoka

luísM disse...

Estou de acordo, menos naquela parte de não aprendermos nada, ou melhor, dever-se-ia descriminar melhor quem é que devia aprender com a história. As "instâncias de poder", no fundo, não se regem pela nossa lógica, nem falam a nossa linguagem, mesmo que as palavras sejam as mesmas. Disseste bem, o Durão e o Portas cá andam, sempre por cima, depois de assinarem de cruz a fenomenal burla do Bush e dos conselheiros ligados ao armamento e ao petróleo. Não foram julgados nos tribunais pelo enredo falso e criminoso, nem sequer politicamente, sendo apontados como grandes figuras da cena nacional, com dimensão internacional (?), motivo de orgulho dos energúmenos que mandam aqui. Quem devia aprender algo com a história talvez devessem ser os que lhes vão dando margem de manobra para os sucessivos mandatos e enfim, reduzi-los à sua escala de espertalhões enfatuados em carros com motorista, mas indivíduos sem grande cultura, pouca visão política, sem projeto de país, sociedade e sistema, a não ser a manutenção do estado de coisas atual.

Para mim, nunca, em quase 40 anos de democracia parlamentar, as coisas foram tão gritantemente claras. O rei vai nu, como na história edificante da nossa infância. Nunca tinha visto uma situação em que a agitação retórica e as medidas tomadas fossem tão evidentemente ineficazes, contraproducentes e rapidamente desmontadas pelo cidadão comum que não ande completamente distraído.

Como dizes, nada como uma guerra para distrair os incautos. O problema é que o patrioteirismo já não é o que era há 50 anos atrás. Ainda por cima já não somos uma nação independente, nem temos colónias para defender na miragem de uma riqueza que desapareceu antes de ter chegado verdadeiramente, no séc. XX.

Desculpa o longo desabafo, até porque as personagens de que falamos nem servem para a luta de ideias, apenas usam o poder para serem carrascos da "gentinha" nacional. São uns vermes parecidos com os humanos, mas sem qualquer coluna vertebral. Como disse atrás, é um caso de polícia, nem político chega a ser. Deviam ser presos e sentenciados a viverem com o ordenado mínimo depois da soltura (como se pode constatar até sou benevolente, não proponho irem para a frente de batalha no Iraque... Para pacificarem a democracia na terra dos gentios).

São uns verdadeiros fdp's...

Silvares disse...

Madoka, Luís, hoje li no jornal que a maioria da opinião pública nos EUA, em França e no Reino Unido é contra a intervenção na Síria. Mais, David Cameron viu o Parlamento inglês dizer "não" a essa possibilidade. Os tambores da guerra parecem estar a tocar um pouco mais baixinho... pode ser que não aconteça...

Eduardo P.L. disse...

Pode ser, mas duvido. Os USA bombardearão com ou sem apoio dos seus tradicionais parceiros. Guerra química tem que ser castigada. O que virá depois só deus sabe!