segunda-feira, novembro 24, 2008

KGOY


KGOY quer dizer Kids Get Older Younger. É uma expressão que se utiliza, não para explicar algum inesperado fenómeno de entrada precoce na idade adulta por parte das mais recentes gerações de animais tecnológicos, mas sim para sublinhar o facto de esses bichinhos terem uma cada vez maior influência nas escolhas de certos e determinados produtos de consumo.

Os KGOY são, na verdade, extraordinariamente infantis em termos emocionais e sociais, mas desenvolvem muito depressa competências no campo do reconhecimento de campanhas publicitárias, tornando-se alvos preferenciais de publicitários sem escrúpulos. São um alvo fácil embora nos queiram fazer crer que se trata de um público especializado. Os KGOY são especializados em consumo e a sua incapacidade para resistir aos apelos consumistas mais primários é visto como uma qualidade, pelos publicitários mas, convenhamos, é uma qualidade de merda!

Os KGOY são, em grande parte dos casos, verdadeiros tiranetes no espaço familiar. Quando desejam algo podem tornar-se mais chatos que um vendedor de enciclopédias ao domicílio. A publicidade infiltra-se nos nossos lares como um vírus maligno. Nem damos por isso. Entranha-se no cérebro dos KGOY e atacam-nos pela rectaguarda. Os KGOY são autênticos cavalinhos de Tróia.

O conceito de KGOY é, só por si, revelador da imbecilização consumista que comanda a globalização. Os miúdos tornam-se consumidores activos mais cedo, isso não quer dizer que eles estejam mais maduros ou preparados para o mundo que os rodeia! Mas, se é o consumo que comanda a vida, então um puto de 3 anos capaz de levar a mãe a comprar-lhe um qualquer gadget tecnológico é encarado como um cidadão de pleno direito. Claro que é.

Que raio de sociedade esta em que a actual se está a transformar. Cada dia que passa, há mais consumidores e menos cidadãos. Mais Economia e menos Democracia. Mais KGOY e menos putos normais. Mais dinheirinho e menos amorzito, daquele saboroso amor de pacotilha com que podemos sempre fazer de conta que o mundo ainda tem hipóteses de salvação.

12 comentários:

Beto Canales disse...

É incrível. Compre, compre, compre...

E agora, com a crise, comprem para "salvar" a economia....

Isso cansa.

Silvares disse...

Comprar, consumir... é este o sentido da vida?

Eduardo P.L disse...

Absoluta NOVIDADE, essa expressão!

ovelha.negra disse...

assustador... :o

Silvares disse...

Eduardo, nunca tinha ouvido tal coisa mas uma pesquisa rápida deu para perceber que já se usa há uns anos nos meios publicitários.

Ovelha Negra, trata-se de espicaçar os instintos mais básicos dos animais de consumo fácil.
:-)

Jo-zéi F. disse...

Anda tudo MARADO!

O_o

Alice Salles disse...

Eu ja tenho falado sobre isso faz muito tempo! Nao aguento, nao entendo e nao quero nem reconhecer esse fato que por si so ja mostra como nossos "valores" se transformaram em qqr coisa que destrua a humanidade como ela deveria ser. Nos temos um poder de flexibilizar e transformar nos mesmos absurdo! Mas que e usado literalmente para o mal. E... e o fim.

Rini Luyks disse...

Caro Silvares,

Não tenho filhos, mas não posso estar mais de acordo!
Ainda ontem irritei-me desmesuradamente ao ver na RTP o pivot Rodrigues dos Santos apresentar o seu último romance fast-food a contribuir a essa imbecilização consumista (vídeo no blogue Anacruses). Garantido que depois do Natal vou ver centenas de passageiros no metro a pavonear com esta merda.
Não há pachorra!

LopesCa disse...

Um consumismo desenfreado, de tal forma que o Natal já começou em fins de Setembro.
As meninas querem ser todas umas lotitas e os meninos só querem andar "na moda" :S
Achei o Post muito interessante

expressodalinha disse...

Tb. não conhecia a designação. Em português é muito interessante de ler... O consumo, esse está aí para acabar. Foi um Kgoy que lhe deu!

Silvares disse...

Jo-Zei, andar marado é o estado natural do Ser Humano.

Alice, a humanidade É aquilo que tem de ser. Não somos nós a decidir se ela é boa ou má. É o que é, e pronto. Temos os nossos sonhos mas são nossos.

Rini, temos o mundo que construimos. O "segredo" é não desistirmos de o alterar. Se não formos nós a mudar o mundo nas pequenas coisinhas do quotidiano o mundo fica onde está sem se mexer.

LopesCa, o Natal não tem data nem sentido. É um mero incitamento ao comércio e o comércio faz-se em qualquer época, em qualquer data....

Jorge, o consumo tem mais vidas que um gato siamês. Primeiro que lhe dê um kgoy temos muito que esperar!

daniela disse...

fala sério, os pais não dão limites para seus filhos e a culpa é da publicidade? faz favor...