sexta-feira, novembro 07, 2008

De regresso à rua

Amanhã é dia de os professores portugueses regressarem à rua em manifestação contra as políticas desastrosas que nos têm sido impostas à má fila pelo actual governo. No passado dia 8 de Março dizem que fomos 100 mil (na imagem). Amanhã, 8 meses volvidos, teremos de revelar a mesma gigantesca vontade de mostrar ao país que há razão nas razões do nosso protesto.

Não vale a pena desfiar aqui o rolambório desatinante que nos provoca até à raíz dos cabelos e nos faz (quase) odiar as cabeças falantes dos responsáveis pela confusão absoluta em que se transformou a vida quotidiana nas escolas de Norte a Sul cá do rectângulozinho.
Amanhã é dia de voltar a desfilar pelas avenidas de Lisboa.

Se na sequência da manifestação anterior a ministra da educação fez de contas que não se passou nada e o primeiro ministro continuou a afivelar o seu habitual sorriso de Pinóquio maldoso, desta vez irão reagir da mesma forma. É certinho! Vão voltar a acusar-nos de sermos marionetas ao serviço do Diabo Comunista, vão desvalorizar a coisa e afirmar que até compreendem as razões do protesto mas que não temos razões para protestar. Vão tentar minimizar a dimensão de um Oceano de gente chamando-lhe Mar (ou até mesmo confundi-lo com um lago) mas, tenho a certeza que, lá no fundo, estão mais acagaçados que um puto apanhado em flagrante a fazer asneira da grossa.

Que não fique ninguém em casa! Amanhã pelas 14h30minutos vamos estar todos no Terreiro do Paço e vamos voltar a fazer tremer quem não merece mais do o nosso desprezo. A luta continua! (sei que esta palavra de ordem soa démodée mas sabe bem pronunciá-la nas ocasiões adequadas).

9 comentários:

Beto Canales disse...

boa sorte!

Silvares disse...

Beto, em casos como este a sorte não conta grande coisa! Obrigado pelo apoio.
:-)

disse...

Caro Silvares...comovida estou eu... o seu poder de síntese e seu conhecimento, emoçaõ e talento descritivo,fizeram com que práticamente se materializasse na minha vista o que descrevias... fascinante ...é com grande prazer que me sinto como na época de meus estudos de história na faculdade...ávida por aprender e descobrir Max Ernst.Obrigada por esta motivação.
P.S Que suas razões de protesto sejam ouvidas e que a perseverança da luta saia vitoriosa.Que o Domingo possa ser de calma.
Um abraço.

Eduardo P.L disse...

Estarei lá com vocês em pensamentos. Sei que não ajuda, mas o Atlantico nos impede fazer mais!

Forte abraço, a causa é mais que justa!

peri s.c. disse...

Daqui, estamos irrestritamente solidários.

roserouge disse...

Dá-lhes, Silvares! Mostra que és homem!!!

jo-zéi disse...

A Maior de Sempre!!!...já dizem.

*_*
:))

Alice Salles disse...

Se estivesse aí estaria com vocês. Sou professora também! Que alguma luz abra a caixola vazia desses que sempre são aqueles que "tomam conta" das nossas vidas.

Silvares disse...

Ví, um dos primeiros livros de arte que comprei quando comecei a receber ordenado como professor (na época o preço desses livros era fogo!) foi de Max Ernst.
Hoje, Domingo, está tudo mais calmo. Ontem foi um dia quase glorioso!
:-)

Eduardo, obrigado. Sabemos que a nossa causa é justa. Se houvesse dúvidas o número de professores que saíram à rua (ver post acima) provam essa justeza...

Peri, obrigado. Neste momento precisamos também de um poder inteligente e dialogante. Isso é o que nos falta.

Roserouge, dei-lhes eu e mais 120 mil, homens a mostrar que são e mulheres a mostrar que são mulheres (e mais demonstrações que tenham por ali havido:-)

Jo-Zei, mesmo manifestações gerais e socialmente transversais raramente terão atingido a dimensão desta, que foi a manifestação de (apenas) uma classe profissional.

Alice, se estivesses aqui havias de sentir algo semelhante ao que eu senti ontem. Um misto de orgulho e empolgamento. Um pormenor, houve um professor que discursou para a multidão que acabou com a célebre frase "Yes, we can!". Dá para ver, também aqui, o peso que Obama ganhou por esse mundo fora.