sábado, maio 24, 2008

Eurorratas

Deus renegando a alheira e o queijinho da Serra


A União Europeia é uma coisa que se inventa nos corredores e gabinetes de edifícios em que se sonha não haver ratazanas nem baratas (pelo menos das que andam descalças). Edifícios que têm temperatura ambiente regulada com ar forçado, nem muito quente nem muito fria e a água nas torneiras é mais equilibrada que um dos halteres utilizados no ginásio do rés-do-chão.

Os gajos que trabalham nesses edifícios são os "operários construtores" dos fundamentos da União. Consta que não se peidam e que todos usam fio dental (nos dentes). Os gajos vestem fatos e usam gravata. As gajas também, mas nem todas. Há daquilo para mulher, para homem e, viva a igualdade de direitos, para todo o tipo de pessoas, conforme (ou independentemente d)a sua orientação sexual. Cinzento, azul escuro, castanhos vários, sei lá, a paleta não é muito alegre nem variada que estes gajos e gajas não são ninguém em particular. São os chamados "eurocratas" (por mim até podiam ser "eurorratas" que é basicamente a mesmíssima merda).

Não se percebe muito bem se por falta de ar puro (ou, pelo menos, ar não-forçado) se por não terem mais que fazer ou se, muito simplesmente, por serem verdadeiramente broncos que nem calhaus, os "eurorratas" (gosto desta palavra) lembram-se com frequência de propor e impor regras absurdas.

A paranóia com a designada "segurança alimentar" é inacreditável e consegue levar à loucura as mentes mais avisadas. Habituados a comer pizza e hamburguer, lasagna de pacote e leite hiperpasteurizado, adoradores do plasticozinho empacotante e da uniformidade mais absoluta, os "eurorratas" não têm mãos a medir. As regras de higiene impostas são tão estúpidas que nem consigo encontrar adjectivo que se lhes cole com justeza. Um dia destes acaba-se o queijo da Serra da Estrela ou os presuntos de Chaves. Vão-se as alheiras de Mirandela e até os pastéis de Belém passam a ter que ser ensacados antes de irem para a vitrine. Faz algum sentido? Quem pediu a estes retardados para nos virem proteger?

Entretanto e ao que parece a McDonald's não deverá ter problemas, nem a Pizza Hut, nem as multinacionais da comida merdosa, porque as regras parecem ser feitas a pensar na forma como esses gajos enchem o pessoal de merda até à raíz cabelos com comida do pior. Mas sabe tão bem!

Por cá a ASAE vai-se tornando uma espécie de papão (um papão é um gajo que é mais papista que o Papa) e fecha manjedouras umas atrás das outras e deita fora tudo o que for papinha e que não esteja devidamente embalado, etiquetado, pintado, corado, bem cortado e atado com fiozinho de plástico nº6, conforme a norma 886C/08 emanada no próximo dia 29 do corrente com efeitos retroactivos e coimas tabeladas de acordo com o ordenado mínimo de um inspector finlandês. Estes gajos já fedem.

Um dia destes vamos ter de ir a restaurantes clandestinos para podermos comer certos produtos que, não tarda muito, vão ser coisa ilegal. Vamos arriscar multas e, quem sabe, a prisão, para podermos saborear um bom queijo ou um bom enchido, degustado na cave da esquina com pistoleiros à porta prontos a abater o primeiro fiscal da ASAE que atravesse a rua.

Resumindo e concluindo, está na hora dos "eurorratas" começarem a saír dos buracos onde se escondem para pensarem o mundo. Está na hora de perceberem que a Europa não é aquela porcaria que eles imaginam e que os europeus não precisam de "eurorratas" que lhes digam o que podem e não podem comer. Isto já é demais.

Nota: não deixa de ser irónico que este post surja a seguir ao anterior...

2 comentários:

Albino disse...

Oi Rui, belo post cheio de humor revoltado.
Quando vi o título, pensei por momentos que tivesses começado a escrever para alguma revista cor-de-rosa, mas depois lembrei-me da imagem de Deus renegando “a alheira e o queijinho da Serra”, e percebi que não era isso, e que te referias aos eurocratas.
Também gostei da palavra, embora não me custe confessar ter julgado que seria uma invectiva contra alguma ou algumas deputas em particular.
É de facto irónico, esta febre aseática ter surgido quando as preocupações com a alimentação assaltam cada vez mais espíritos (os bem aventurados) porque alguns, é mais a barriga, e sem essa recheada, não há espírito que aguente.

Silvares disse...

"Euroquerratas", assim soa a português com sotaque germânico. Mas é, de facto, aviltante, que com tanta fomeca a matar gente a torto e a direito, com tanta gente a sofrer de dores de barriga por falta de revestimento de Norte a Sul deste país, andem por aí uns fatelas a deitar comida para o lixo porque não há respeito por meia dúzia de regras imbecis criadas por uns estúpidos quaisquer. Lamentável.