segunda-feira, abril 13, 2009

Ver a Deus

Explorar aqui o lugar de onde retirei esta imagem


Fui ver a Deus mas Ele atrasou-se e, quando lá chegou, já eu lá não estava. Já eu vinha a caminho desta casa, no meio de filas intermináveis de carros cheios de outros que, como eu, Lhe fizeram visita com marcação para Domingo de Páscoa.

Andei uma semana quase inteira a rolar rodas lá para o Norte. Na 5ª feira Almada-Aveiro-Viseu. Na 6ª Viseu-Porto-Viseu. No Sábado Viseu-Aveiro-Viseu e, finalmente Domingo, Viseu-Almada no meio da confusão toda. Tudo para ver a Deus e Deus atrasou-se, rai's parta! Bom, não convém mentir, porque Deus sabe tudo e sabe bem que vê-Lo era o menos importante dos objectivos destas andanças que antes Dele (muito antes) estão os meus pais.

Ainda assim tive a minha epifania pascal. Foi na estrada, na A25, entre Viseu e Aveiro. Perante uma serra qualquer recortada no horizonte, coroada por nuvens escuras e grandiosas, tive a revelação renovada da consciência do espectáculo mais grandioso do mundo: a Natureza! Viver na cidade, entre prédios e muros e sempre enfiado na resolução imediata dos problemas quotidianos, faz-me esquecer a grandiosidade da Mãe Natureza e do espectáculo constante que ela é. Pensamos sempre que quem vive fora da cidade, coitadinho, está em desvantagem porque longe do bulício citadino "não há nada". Que ideia mais parva! Longe de cidade há tudo o que ali não existe.

Passei estes dias a olhar em volta com os olhos repletos de maravilhas. As cores das estradas secundárias (oh, Deus, os tons de verde!!!), as encostas verdejantes, o céu sempre aberto e aqueles lugares onde nunca bate o sol, as serras, os montes e os vales. A Natureza a prometer mais do que merecemos receber.

Enfim, regressei a casa metido na barriga de uma serpente de carros, um monstro incomensurável a arrastar-se no caminho da estrada, chão cinzento. Cá estou de novo, sentado em frente ao meu PC, a escrever estas palavras.

Deus chegou atrasado e já não lhe beijei os pés, como é de tradição, mas vi-Lhe o rosto que Ele tanto tenta esconder. Vi-O nas serras da Beira Alta, onde ele habita e de onde nunca saiu.

16 comentários:

Selena Sartorelo disse...

Olá Silvares,

Ares que a Páscoa nos trazem, sim.
O melhor é conseguir manter esse olhar, pois assim verás sempre e em todos os lugares.

Beijos,
Selena

luísM disse...

Pois não, meu filho, fiquei em Almada.
Procuravas-me e não me encontraste, a tua fé é muito fraca e confunfe-te!
Não procuraste os sinais que estavam à tua frente.
Um cego do espírito é um cego dos olhos e tu, meu filho, olhas mas não vês!
Ou mudas de óculos ou deverás moderar esse teu orgulho! Não posso estar à tua disposição sempre que tens uma crise de fé!
Essa tua adoração pela natureza são ideias pagãs, anteriores à revelação contida no sacrifício de Cristo, que ainda agora se comemorou.

Limpa o teu espírito! Afasta os pensamentos espúrios e verás que uma modesta arvorezinha no fundo da tua rua é tão grandiosa como a luz do sol!

Fica em paz!

Selena Sartorelo disse...

Olá Silvares, Olá Sr.LuísM

Um de nós não entendeu seu texto...ou eu não entendi o comentário do Sr. Luis, mas digo-lhe que achei lindo teu texto e após nossas angustias e conflitos interiores, assim mesmo e depois disso ainda somos capazes de ver o Amor nos lugares mais inesperados e Deus é esse amor também.

Beijos,

Ogre disse...

Aléluia, ossana nas alturas, deus é beirão. Como o licor.

Ó Luís o que é que te confunfe?

luisM disse...

A Mim? Nada, Ogre, meu filho, tu é que lês demasiado na diagonal! Ou estarás demasiado cheio de Licor Beirão!
Descansa um pouco, limpa a cara com gotas de água com limão e volta a ler o texto, porque nele se encerra a Verdade! Não a dos factos, mas a que é revelada!
Mas, estarás tu preparado para ela?


Selena, não ligue, que isto por cá é um bocado obtuso (mas é giro, visto numa perspectiva recta)

Silvares disse...

Selena, parece-me que você compreendeu o texto, o Luís M. é que tem aquele jeito emaranhado de se exprimir e, quem não o conhece, fica confuso. Mas é boa pessoa.
:-)

Luís, a pergunta do Ogre tem razão de ser, estás "confufo"? A tua conversa é algo hermética e cheia de segredos impossíveis ao virar de cada esquina... cuidado com as árvorezinhas de aspecto inocente, ao fundo da rua.
Até amanhã.

Ogre, claro que Deus é Beirão (ainda assim melhor que o licor).

Isabel disse...

A Natureza é sem duvida o meu refúgio nos dias mais cansados e tristes. Fico renovada quando respiro e sinto aquele ar com o seu cheirinho caracteristico a envolver paisagens bonitas, e pessoas que me parecem menos intoxicadas. Creio que Deus deve estar proximo!
Sempre que posso fujo para essa ambiência! Isabel

luísM disse...

Pois, certo, vós confundísteis o confufo, não Me apercebera.

Confufo, na grafia dos iniciados, é um termo ancestral que designa: "mal distinfo; vafo; obscufo; perplefo; envergonhafo; revolfo; desordenafo".

Talvez assim a palavra ganhe sentido e a Mensagem se torne clara e pura como a água límpida.

Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas!

Silvares disse...

Isabel, de facto, como disse Fernando Pessoa "Gostava de estar no campo para poder gostar de estar na cidade".
:-)

LuísM., agora tufo faz sentifo! Dúfidas também me fazem falta!
;-)

luísM disse...

Falfa!

jugioli disse...

Bom encontrar Deus!!!


@dis-cursos

disse...

Silvares este teu texto é comovente...
Tive nestes dias experiência parecida...o acordar com o sol surgindo em uma luz mágica de outono por sobre as colinas de Araucárias em Campos...ao som das risadas das crianças nos fez á todos 'renascer'...e sem dúvida como vc tão bem coloca ...tudo afinal um encontro com Deus...que realmente teima em não mostrar seu rosto...mas em dias e momentos assim não tem como se esconder...ele lá está... sempre!!!Sinto pelos que já foram ...nada igual a vida através da naturaza!!É preciso celebrá-la cada vez mais.
Um grande abraço.

MUMIA disse...

sinto sempre que pertenço ali...
àquelas serranias, àqueles ribeiros, aos pinhais, ao verde,...
fazem parte de mim,
ali sinto-me realmente em casa.

:]]

MUMIA disse...

ali sinto que me renovo!!!!

Maria de Fátima disse...

para além da ode (?!) ao prazer dos deuses(?!) ou sera ao parazer dum citadino invetrado que descobre que deus a existir é fora da cidade
ou lá o que seja que disse, o certo é que é um texto liiiiiiindo
muito bem escrito
uma coisa de invejar, acredite, e parabéns

Cristina Loureiro dos Santos disse...

Adorei o texto, Rui. E compreendo muito bem o encanto e a paz nesse teu reencontro com a natureza ainda tão "natural" da Beira. Também tenho essa sensação quando vou lá. Por essas e por outras parece-me que afinal, nessa altura, Deus não se atrasou...

Já tinha saudades de vir aqui ;)
Beijinhos :)