sábado, junho 28, 2008

'El Coloso' del Prado no lo pintó Goya

GOYA
Asensio Juliá, "El pescadoret" (Hacia 1798).

Óleo sobre lienzo. 56 x 42 cm.
Inscripciones: Inscripción, ángulo inferior izquierdo: "Goya a su amigo Asensi".
Colección Thyssen Bornemisza (Lugano, Suiza).


Pronto, é oficial, a verdade hoje é um pouco diferente daquilo que era anteontem. Os peritos espanhóis declararam em definitivo que 'El Coloso' del Prado no lo pintó Goya. Esta historieta é exemplar.

Atente-se no seguinte parágrafo (vai em espanhol que se lê com a mesma fluência que se fosse em português): "Manuela Mena, jefa de Conservación de Pintura del siglo XVIII y de Goya, aludió hoy a cuestiones "estilísticas" para constatar que la obra "se aleja de Goya completamente". Argumentó así la existencia de "pinceladas dudosas", "incoherencias luminosas", "falta de precisión" y "trazos no acabados" para desvincularla del pintor aragonés. "En mi opinión, el cuadro es de otra mano a la de Goya", manifestó." Não é espantoso? Agora que se sabe que não é de Goya apontam-se erros e defeitos técnicos de palmatória na execução da obra. "Incoerências luminosas" e "pinceladas duvidosas (?)" é muito bom. As coisas que as pessoas conseguem dizer quando falam de pintura!

Após a descoberta das iniciais de Asensio Juliá algures na zona inferior esquerda da pintura, recorrendo a raios X, os "expertos" do Museu do Prado finalmente confirmaram uma suspeita que traziam a roer-lhes a alma desde 1991, segundo rezam as crónicas. "O Colosso" foi pintado pelo discípulo, não pelo mestre.

Curiosamente (ou talvez não) o reconhecimento da autoria de "O Colosso" faz nascer um interesse renovado sobre a figura, até aqui obscura e olimpicamente ignorada, de Asensio. Certamente irá haver uma busca mais cuidada de obras por ele realizadas, uma catalogação mais rigorosa de algumas pinturas atribuídas a Goya e teremos motivos para celebrarmos um "novo" artista espanhol.

É fixe, acho eu, que Asensio renasça assim, saindo finalmente das sombras negras do esquecimento. O simples facto de Goya o considerar um amigo (segundo a inscrição no retrato que pintou do seu discípulo e que ilustra este post) faz dele um novo herói no meu (extenso) catálogo de heróis.

5 comentários:

Eduardo P.L. disse...

E no meu também! Graças ao que aprendi com você, meu Mestre!
Este vai para o Varal, também!

Olaio disse...

Assim como assim, a verdade é que esta pintura de Asensio Juliá, pintada por Goya, é um autentico "colosso"!

João Samões disse...

quem sabe se mais raios x penetrassem em históricas telas não teriamos mais surpresas reveladas

João Samões disse...

essa das "pinceladas duvidosas" é muito boa

Silvares disse...

Eduardo, obrigado pelas referências que faz a estes posts.

Olaio, tens razão, aquele retrato é colossal. Goya foi um pintor excepcional. Com Colosso ou sem Colosso.

João, pelo que se vê neste caso (e em muitos outros) a História "faz-se", é uma construção de ideias que se tenta "cimentar" com factos. A linguagem dos historiadores de arte é muito criativa. Os pintores criam as obras e eles criam discursos.