quarta-feira, setembro 12, 2007

Passou


Passou o 11 de Setembro e nada. O Mundo continua a girar, a girar, a girar sem parar. Deve ser por isso que o mundo parece estar sempre tonto. As datas não têm aquele poder mágico que, por vezes, lhes atribuímos. Basta lembrar a célebre noite de passagem de ano para o século XXI.


O mundo ia acabar.
Bom, esta era difícil de engolir, mas, mesmo assim, houve muito boa gente que, pelo sim, pelo não, lá foi encomendando a alminha ao Criador. Seja como for convém chegar a uma data deste calibre com a consciência mais ou menos tranquila e limpa de lixo que se note demasiado. Entre os católicos há aquela cena do arrependimento que, ao que parece, pega bem com o Deus deles. Esfolas um gajo. Se te arrependeres tens hipótese de te safares do Inferno porque esse tal Deus é um tipo compreensivo.
Mas, nesta história de o mundo acabar em data certa, havia uma coisa que, na minha cabeça, não fazia sentido absolutamente nenhum. Quer dizer, o ano 2000 era o fim do mundo para os povos que se orientam pelo mesmo calendário que eu. E os chineses? E os muçulmanos? Bem, os muçulmanos estão no ano de mil seiscentos e troca-o-passo, nem sei bem. O mundo iria acabar também para eles? O mundo pode acabar aos bocadinhos, sem aviso nem nada? Hoje aqui, amanhã acoli, conforme os calendários de cada povo e cada civilização?


O mundo não acabou.
O mundo continuou um bocadinho mais para a frente, igualzinho, quase sem tirar nem pôr, até que aconteceu aquela cena tenebrosa dos aviões a rebentarem com as torres de Manhattan e o mundo todo a ver aquilo, de boca aberta, ainda mais tonto do que é habitual, o mundo a sentir que lhe fugia o eixo do sítio. Mas lá se aguentou. Naquele dia (há quantos anos foi? Há 5, 6?) o mundo não acabou mas mudou. Como sempre mudou para pior. Alguém se lembra de uma data em que o mundo tenha mudado para melhor, assim, de repente? Decerto que há datas que marcam acontecimentos positivos para o mundo, de um modo geral, mas num post como este nem ficar bem admitir, sequer, uma coisa dessas.
O resto da história todos nós conhecemos. Uns melhor, outros pior, estamos cientes do que está a acontecer actualmente: os estados democráticos andam às aranhas consigo próprios, a cederem no capítulo das liberdades individuais por questões de segurança, a tornarem-se progressivamente em estados policiais; os EUA cada vez mais tresloucados a ameaçarem meio mundo de porrada e a perderem o crédito de terem a estátua da Liberdade lá na terra deles; os chineses, campeões do desrespeito pelos direitos mais básicos dos seres humanos a chegarem-se à frente para se tornarem os próximos timoneiros desta barca dos loucos que é o planeta Terra.


O mundo vai acabar.
Mas não me parece que haja uma data previsível. Pelo menos para já. Ontem não aconteceu nada de terrível a nível planetário mas houve uma mãe que, supostamente assassinou os dois filhos que, todos dizem, muito amava, e depois se terá suicidado. Aconteceu em Viseu, ontem, 11 de Setembro. Esta data passará a ter um significado diferente para um certo conjunto de pessoas. O mundo, para elas, terá acabado. Mas foi em 2007.

6 comentários:

fonte disse...

de facto se falarmos em termos de direitos humanos, assim como a imprensa ocidental os define ( sobretudo a de origem norte americana) és capaz de ter razão, mas se pensarmos mais em estatisticas talvez decubramos coisas curiosas: os eua tem 2 milhões de presos, quase 1% da sua população, são os campeões da matéria. a china vem em 2º lugar, tem 800 mil.bom a população da rp china é 4 vezes superior à dos usa.
de facto nos eua não há presos politicos, é que eles são uma democracia, e nas democracias não há presos politicos.
os eua tem 34 milhões de pobres. mais de 10 % da população. a china não sei.
das penas de morte não me lembro dos numeros mas devem de andar ela por ela.
os americanos estão convencidos que são os campeões da democracia e como tal querem governar o mundo. os chineses estão convencidos que são pobres e como tal querem ficar um bocado mais ricos.
mal por mal ainda assim prefiro os segundos!
abraço
fonte

Eduardo P.L. disse...

O mundo só acaba para os que se vão dele.

Silvares disse...

Fonte, eu preferia uns terceiros, fossem eles quem fossem (também não vale a pena exagerar). Entre americanos e chineses, mesmo assim, os americanos ainda levam um grande avanço. Claro que eu me identifico muito mais com os direitos humanos "à moda" dos americanos. A inspiração ainda continua a ser a das grandes revoluções-a americana e a francesa- já a Revolução Cultural e o livrinho vermelho não me dizem grande coisa.
Abração e que as tuas exposições sejam um sucesso :-)
Eduardo, por vezes alguns que ficam é como se tivessem ido também.

Eduardo P.L. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Eduardo P.L. disse...

Silvares, tens razão. Havia no Brasil, há muitos anos passados, uma cantora chamada Maisa, que compôs e cantava: "Meu mundo caiu", isto é, ela ficou e o mundo (dela) se foi.

Silvares disse...

Exacto. Por vezes o mundo acaba por regressar, aos poucos, mas há coisas mesmo muito complicadas para as nossas cabeças!