segunda-feira, setembro 10, 2007

Quem somos? De onde vimos? Para onde vamos?

Uma notícia excelente!!! O governo (o nosso, sim, o nosso!!!) acaba de aprovar o aumento dos benefícios fiscais para empresas já instaladas ou a instalar no interior do país com o objectivo de promover a célebre discriminação positiva! Não é uma excelente notícia? Não faz com que tenhamos uma súbita vontade de nos tornarmos empresários e abalar de armas e bagagens para o interior do Portugal profundo e abrir, por exemplo, uma exploração suinícola no Pulo do Lobo? Se fizermos isso teremos benefícios fiscais na ordem dos 15%! 15% é assombroso. É bestial. É uma ideia genial que vai contribuir para a reflorestação humana do interior desertificado do nosso país. Uma medida destas faz um gajo desejar ser descriminado.

Bom, é claro que, caso esteja a pensar abrir a tal empresa, convém ponderar alguns aspectos novos na realidade social do Portugal profundo, aspectos esses também da responsabilidade da genialidade de alguns dos nossos actuais ministros e respectivos ministérios (que estes gajos, os ministros, são, muitas vezes, meras máscaras, fachadas com um oríficio fonador que se limitam a deitar cá para fora os soundbites relativos a ideias que raramente são deles, são uma face visível do mostrengo que nos governa).

Estou a lembrar-me dos Centros de Saúde que fecharam por esse país fora. Se pretende tornar-se empresário e gozar dos 15% de benefícios fiscais oferecidos pelo governo do PS convém que seja saudável ou então, caso sofra de bicos-de-papagaio, tente abrir o seu negócio perto de um Hospital regional.

Além de saudável deve também ser solteiro ou, pelo menos, não ter filhos. Isto, claro, se pretender abrir a sua empresa numa zona onde tenha sido fechada recentemente a escola primária. Claro que se os seus filhos estiverem já em idade universitária os seus problemas são outros.

Isto para não falar das pessoas que irão trabalhar consigo ou para si. Das duas uma: ou as leva consigo ou as recruta lá, no Portugal profundo. Convém que os seus futuros colaboradores sejam igualmente saudáveis e livres de compromissos com menores de 18 anos, tudo isto dependendo, claro está, da localização exacta do seu sonho tornado realidade: benefício fiscal de 15%... caramba...

Parece haver aqui uma certa esquizofrenia (para não lhe chamar falta de coerência ou destrambelhamento total). 1º fecham-se Centros de Saúde e Escolas empurrando progressivamente as populações mais jovens em direcção às cidades. Depois vem-se com esta ideia de beneficiar empresários que queiram construir um mundo diferente no interior do país. Uma no cravo outra na ferradura!

Não parece fazer muito sentido mas, se percebermos que as medidas tomadas são iluminadas pela deusa Economia, então talvez dê para perceber que não têm de primar pela sensibilidade ou por uma particular inteligência humanista. São números, ideias sem alma, coisas frias com laivos de estupidez da grossa quando analisadas sob o ponto de vista de uma inteligência mais emocional.

Mas pronto, é o governo que temos e o 1º ministro pode ter sido um universitário de quarta categoria numa universidade manhosa mas é nosso e, por enquanto, não temos outro. Por isso convém acarinhá-lo para que não tenha a tentação de fugir (como o outro) e acabe a nomear algum sucessor para o cargo ainda pior do que ele.
Cruzes canhoto, lagarto, lagarto, lagarto!

3 comentários:

Lord Broken Pottery disse...

Silvars,
Gostei paca do reflorestação humana. Também seria boa por aqui. Abração

Eduardo P.L. disse...

Tal lá, como aqui! Isso é que não nos anima!


Abçs

Silvares disse...

Lord, foi uma expressão que surgiu de repente pois nos últimos anos houve muitos incêndios nos territórios do interior de Portugal. Além do povo que vai fugindo em direcção ao litoral.

Eduardo, nos jornais em Portugal saem notícias sobre a política brasileira quase todos os dias. Vamos sabendo coisas de, por exemplo, esse tal de Renan Calheiros...