terça-feira, setembro 25, 2007

Anedota



O que torna a coisa ainda mais engraçada é que o Sr. Presidente parece acreditar no que está a dizer. As coisas em que um gajo pode acreditar...

7 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Com esse cinismo a mentira repetida tantas vezes, torna-se "quase" verdade.

Olaio disse...

AS COISA EM QUE UM GAJO PARECE ACREDITAR…, MAS… QUAIS GAJO?

Noticiava hoje o “Público”:
- “A certeza com que o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, num discurso na Universidade de Columbia em Nova Iorque, segunda-feira, disse que não existe homossexualidade no Irão provocou reacções em Teerão e a indignação dos activistas internacionais dos direitos dos homossexuais. Estes notam a contradição do Presidente de um país cujo Estado não só financia as operações de quem queira mudar de sexo, como aumentou esses financiamentos nos últimos dois anos, escreve o Guardian.(…) O correspondente do Guardian em Teerão retrata uma sociedade onde não só existem homossexuais como "as mudanças de sexo e a transexualidade (o dicionário do Office diz que esta palavra não existe, será também louco?) são tolerados e até encorajados no regime teocrático iraniano. O Irão é, juntamente com a Tailândia, um dos dois países onde se registam mais mudanças de sexo, uma prática legalizada há 25 anos no país pelo defunto ayatollah Khomeini, líder espiritual da revolução islâmica de 1979.”

O que é estranho nesta noticia é o jornalista do “Público” que compõe a noticia, afirmar que Ahmadinejad afirmou com certeza que não havia homosexuais no Irão, quando afinal é o 2º país onde se registam mais mudanças de sexo! Não é estranho, não há aqui algo que não bate certo, será Ahmadinejad louco? Será o jornalista um mau profissional, um aldrabão?
Ouçamos o vídeo que tu colocas no post e que ouvimos?

Com as minhas fracas qualidades de tradutor de Inglês (nunca tive aulas de Inglês técnico) aquilo que depreendo da tradução da tradutora é:
-“ No Irão nós não temos homossexualidade COMO no vosso pais…, nós não temos “isso” no nosso país… No Irão no não temos esse fenómeno, não sei quem vos disse que nós o tínhamos…”

Será que desta tradução podemos inferir, que Ahmadinejad disse que no Irão não havia homossexuais e portanto é louco, pois tal afirmação não corresponde a uma prática, pelos vistos aceite pelo seu governo, ou aquilo que o Presidente no Irão quis dizer, perante o riso e comportamento mais que criticável de uma plateia e organização, que parecem ter convidado Ahmadinejad para o transformar numa espécie de bobo, foi de que: O FENÓMENO DA HOMOSSEXUALIDADE NO IRÃO NÃO TINHA UMA DIMENSÃO SEMELHANTE AO REGISTADO NOS EUA.
Será esta afirmação tão estranha e disparatada?
Será que se eu disser que o fenómeno da homossexualidade em Portugal não é igual ao dos EUA, estarei a ser um perigoso louco, homofóbico e a necessitar de ser internado?

- Começo a ter medo… algum medo.

Aqui há 5, 6 anos os EUA montaram uma campanha de diabolização de Saddam Hussein. Tal campanha passava por afirmar que ele era um ditador da pior espécie, louco, com vontade de possuir e ter armas demoníacas de destruição massiva, de ter pretensões inconfessáveis. Esta campanha foi desenvolvida pela administração americana e teve a participação “generosa” de uma série incontável de “politicamente correctos”, que confirmavam o carácter transviado do dito ditador. Depois de devidamente massacrada e convencida a opinião pública mundial os EUA e mister Blair invadiram o Iraque.
Hoje, após a destruição do Iraque, sua economia, património e esperanças, a morte de cerca de 600 000 iraquianos temos um Iraque em que as perspectivas de futuro estão a anos luz pior do que no tempo de Saddam.

A culpa é só do Bush e companhia, ou também de todos aqueles que na altura colaboraram na criação de uma imagem de Saddan que favorecesse as suas pretensões belicistas e de ânsia de petróleo?

É bom que não nos esqueçamos que estamos a falar de petróleo e se calhar só petróleo.

Está mais que claro, que Bush e companhia querem atacar o Irão, pela simples razão, que tal como o Iraque tem petróleo!

- Acusam Ahmadinejad de querer ter a bomba nuclear, pondo em causa o direito (por mais discutível que seja) do Irão ter acesso à energia nuclear.
- Acusam Ahmadinejad de negar o Holocausto, quando ele já afirmou que tal não corresponde à verdade e que na verdade o que perguntou e pôs em causa, foi; “se o holocausto foi na Europa, porque é que tem que ser os palestinianos a ceder o seu território para criar o Estado de Israel e não é a Europa?”
- Acusam o Ahmadinejad de querer a destruição do Estado de Israel, quando o que ele afirmou, foi de que esse Estado sem o apoio do EUA, rapidamente desapareceria.

Em relação ao Irão os EUA estão a utilizar a mesma táctica que utilizaram para o Iraque, a mesmíssima! não é óbvio?

Perante isso, o que somos nós? Nada, e aquilo que digamos nada altera. Portando o que afirmo não tem qualquer importância, a não ser manifestar a minha opinião.
Ou será que podemos e devemos fazer algo contra essa possibilidade de os EUA, agora com a ajuda da “velha Europa” desencadearem uma guerra contra o povo iraniano?

Eu por mim recuso ser mais um nesta campanha que o Bush, Cheney, Sakorzy desenvolvem contra os Persas, cultura antiquíssima e raiz da nossa civilização. Há já demasiada morte pelo mundo!

Silvares disse...

Olaio, quanto ao que ele diz (escrever o nome deste persa é muito complicado) temos de nos fiar na tradução da senhora que fala no vídeo. Na verdade é um pouco dúbio mas podemos inferir que está a negar que existe homossexualidade no Irão apesar de o contrário ser também possível. Quanto à dimensão dos fenómenos ela estará relacionada com a forma como se encaram as liberdades individuais. Seja na questão da homossexualidade ou no papel reservado às mulheres na sociedade ou na da liberdade de imprensa. Povos diferentes encaram as questões de forma diferente. É assim que tem de ser. Por mim o Irão tem todo o direito de ser o Irão, sem tirar nem pôr. Por exemplo, os EUA não desistem da pena de morte, considero isso uma aberração. Mas estão no seu direito. Quanto ao presidente iraniano não é personagem da minha simpatia. Nenhum fanático religioso o é. E ele é um fanático fundamentalista facto que, no meu ponto de vista, lhe retira muita da autoridade que pudesse ter quando vem dar lições de supremacia cilizacional. Concordo contigo em alguns aspectos. Eu sei que somos intoxicados com informação tendenciosa. Mas prefiro isso a ter de respeitar uma qualquer lei religiosa pejada de dogmas e guardas da minha consciência.
Um abraço.

Silvares disse...

Eduardo, pelo que podes ver nos extensos comentários anteriores (se tiveres paciência para os leres) a coisa parece ser menos evidente do que parecia...

Olaio disse...

Nos últimos anos vi para ai uns 4 filmes iranianos. Se a arte e eu acredito que sim, tem a capacidade de reflectir a sociedade em que germina, o cinema é então um óptimo instrumento para conhecer os outros povos e realidades.
Era bom que tivéssemos um maior conhecimento da cultura e da realidade actual dos Persas, fora dos estereótipos propagandeados pelo Grande Império.
Francamente, a ideia com que fiquei foi a de uma sociedade, que longe de uma ditadura obtusa e obscura, é uma nação, que com todas as suas idiossincrasias é possível a critica ao poder e o humor existe.
Onde é possível vaiar Ahmadinejad e não ser preso.

Ahmadinejad ganhou o poder numas eleições bastante disputadas, contra um adversário aparentemente "moderado", seja qual for o significado que os média ocidentais atribuam a esse adjectivo.

Por fim, tens a certeza que Ahmadinejad é um fanático religioso?

É bom duvidar de tudo o que ouvimos e vê-mos. Há muita manipulação no ar!

Um abraço.

Olaio disse...

O que Ahmedinejad de facto disse:

Lost In Translation: Ahmadinejad And The Media

By Ali Quli Qarai

First I want to make some remarks about that now world-famous statement of President Ahmadinejad at Columbia: “We do not have homosexuals in Iran of the kind you have in your country.” The American media conveniently ignored the second, and crucial, part of his sentence as something redundant.

Silvares disse...

Sim, tenho a certeza que o gajo é um fanático religioso. Bush é outro fanático religioso. Salazar talvez não fosse tão fanático mas olha que, visto sob uma determinada perspectiva, até conseguem fazer desse verdugo da nação um tipo porreirinho. Afinal ele é o maior português de sempre... alguma qualidadezinha há-de ter! Foda-se.