segunda-feira, julho 31, 2006

Pacifismo e terrorismo

Um passeio pela blogosfera é sempre uma viagem por um mundo de opiniões desassombradas e plenas de razão, feitas com aquela convicção de quem nunca tem dúvidas e raramente se engana.
Numa visita ocasional a http://ablasfemia.blogspot.com/ fiquei a perceber com toda a clareza que uma vez que sou, por princípio, pacifista, sou um aliado involuntário do Hezbollah.

A ideia não é nova. Pacheco Pereira, por exemplo, tem-se esforçado por explicar de forma clara e fundamentada aquela máxima estupidificante: "Se não és por mim és contra mim".

Se não estivermos de acordo com as políticas iluminadas dos neoconservadores americanos sobre o Médio Oriente então somos anti-americanos primários e nem uma refeição no McDonalds seguida de um filme com Coca-Cola e pipocas nos poderá valer.

Um amador, especialmente o pacifista amador, é o alvo fácil da manipulação dos profissionais da propaganda. pode ler-se no citado blog.

Compreendo perfeitamente. Um não pacifista não se deixa enganar nunca pelos profissionais da propaganda porque eles apenas pretendem enganar os pacifistas. Isso já é um pouco mais difícil de compreender mas talvez seja por haver algo de comum entre eles.

Alguma coisa secreta ou invisível para os pacifistas amadores, uma linguagem apenas decifrável por iniciados nos mistérios da existência contemporânea, algo que está para lá das minhas capacidades uma vez que me engano bué e tenho dúvidas à brava.

Estava convencido que a manipulação de informação é um traço distintivo da nossa civilização mediática e democrática. Pensava eu que a maior parte das notícias que nos chegam são filtradas na origem, peneiradas no caminho e empacotadas à chegada, servidas prontas-a-comer à hora da papa. Imaginava eu que a melhor maneira de tentar evitar ser enganado a toda a hora seria pensar pela minha cabeça mas, como sou um pacifista amador, estou apenas a absorver informação manipulada por algum árabe sanguinário que, só de iamginar a forma como me vai dar volta, já se está a rir que nem um perdido. Em árabe.

Claro que do lado israelo-americano não há manipulação de informação. Isso pode lá ser! Afinal de contas eles representam o mundo livre e a civilização ocidental naquilo que ela tem de mais puro e cristalino. Não precisam de mentir uma vez que Deus e a Razão estão do lado deles. Tudo o que fazem tem justificação e só mesmo um burro de um pacifista amador é capaz de imaginar que as suas motivações não se prendem, exclusivamente, com a sobrevivência da nação israelita.

Mesmo sem querer sou, afinal, um terrorista, um traidor e um fantoche manipulado. Por muito que me esforce não consigo acreditar que as baixas civis nesta guerra são, na verdade, escudos humanos e que o exército israelita quer matar apenas os bandidos.

Como sou pacifista amador acredito que a guerra tende a transformar aqueles que nela se envolvem em animais que agem por instinto e que, no terreno da batalha, as leis são outras. Que quem dispara não é bom nem é mau, é apenas um potencial assassino independentemente do lado em que se encontra.

Caramba! Como posso ser tão parvo?

2 comentários:

Raimundo Matos de Leão disse...

Visitei 100 Cabeças e gostei muito. Como hoje é dia de São Jorge capturei uma imagem do santo para o meu blog Cenadiária. Retonarei com mais vagar para ler outros textos. Penso que podemos trocar impressõe sobre o mundo através dos nossos blogs.

Antonio Cristovao disse...

Mas afinal donde aparece vexa?.Se posso fazer um pedido, mude lá a cor de fundo que no meu ecran vejo-me grego para ler; mas gostei do que li.