segunda-feira, julho 17, 2006

O Deus da Fúria


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O Deus da Fúria é o título da edição portuguesa de um dos contos (romances?) de Phillip K. Dick, o imortal autor de ficção científica (por acaso até já morreu vai para um bom par de anos).

A acção desenrola-se num mundo pós-holocausto nuclear e gira em torno de uma estranha personagem, uma espécie de Stephen Hawkins mas com uma cadeira menos sofisticada, que é pintor apesar de não ter braços (utiliza umas extensões mecânicas e metálicas para segurar os pincéis) e contacta com o além entrando em coma alcoólico. Um médium ainda menos normal do que seria de esperar.

Lembro-me de ter lido o livrinho da Colecção Argonauta.
Fiquei profundamente deprimido com a história porque não havia ponta de heroísmo ou brilho ou grandes sentimentos ou o que quer que seja de que nos possamos orgulhar e justifique algumas atitudes mais dúbias, tomadas no fragor do momento e na urgência de conseguir a sobrevivência. No final (isto é uma sensação de recordação, nada tem de objectivo, já li o livro há mais de 25 anos, seguramente) restava um mundo destruído onde a única herança da glória civilizacional de outrora era uma vaga divindade, um Deus da Fúria castigador que lançara sobre a humanidade uma provação terrível e depois abalara, deixando os sobreviventes entregues a si próprios.

Hoje vi uma refugiada francesa, fugida de Beirute, a ser entrevistada na chegada a um aeroporto de Paris. Ela explicou que os libaneses não têm armas anti-aéreas e, por isso, a aviação israelita sobrevoa a cidade com todo o à vontade e bombardeia-a a torto e a direito. Ainda segundo a mesma mulher não há qualquer critério no ataque. É o Deus da Fúria israelita, o Deus dos Exércitos, Aquele que protege o povo de Israel, o mesmo que lançou as sete pragas no Egipto matando egípcios a torto e a direito e mostrando ao Faraó onde residia o autêntico poder divino, no tempo em que o tempo não existia.

Do outro lado outros fanáticos, os do Hezbollah, enviam pelos céus os seus mísseis vingadores, descarregando a fúria do seu Deus sobre civis israelitas desprotegidos. Fica a sensação de que uns e outros adoram a mesma divindade embora reclamem para si a necessidade de fazer justiça em nome de Deus.

Numa guerra não há justiça. A morte do primeiro inocente retira toda e qualquer possibilidade justiça a uma guerra, seja ela qual for. Assistimos impotentes e incrédulos a mais uma escalada de violência imparável onde o sangue corre como um rio que as almas dos mortos atravessam pagando com o seu corpo os honorários do barqueiro.

É a prova de que Deus existe. Ele é o Deus da Fúria!

5 comentários:

Anónimo disse...

Acabo de ver o documentário (filme?)na RTp sobre o 11 de Setembro e as (des)culpas (e muitos Homo sapiens) tb foram parar a Deus.
Que Diabo... podiamos ter inventado Um Deus menos sanguinário...

Gosto do teu blog...
Parabens!

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